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sábado, 7 de maio de 2016

ASSOCIATIVISMO E CIDADANIA - Entrevista a Rui d’Espiney - Entrevista realizada por António Barata e Carlos Ribeiro (Vez e Voz)



ASSOCIATIVISMO
E CIDADANIA



“Quero um associativismo forte
e combativo, lado a lado com
outros movimentos de cidadãos
para o futuro”


O associativismo, nas suas diversas formas, preocupações e áreas
de intervenção, vive hoje uma crise que, não sendo nova, tem vindo a
agravar-se – perda de independência económica e política devido à grande
dependência dos programas co-financiados e consequentemente das respectivas
entidades financiadoras; dificuldade em manter um quadro estável
de técnicos e de activistas permanentes, por razões económicas; desfasamento,
na maior parte das situações, entre os objectivos impostos pelos
programas com financiamento público, os projectos desenvolvidos e as
reais necessidades e anseios das populações; burocracia resultante dos
procedimentos de “secretaria” dos projectos financiados pelos fundos públicos
que amarram as associações a uma carga excessiva de trabalho administrativo;
falta de continuidade dos projectos e intervenções e dramaticamente,
em consequência destas circunstâncias, uma crise de ideias no
mundo associativo.
No entanto o associativismo é uma realidade antiga e com raízes
fundas na sociedade portuguesa. Não só presta e garante a existência deum conjunto diversificados de apoios, serviços e actividades, como cria
vários milhares de postos de trabalho directos e indirectos. Garante ainda
uma vertente essencial da vida democrática, a dinâmica da sociedade civil
em contrapeso ao Estado omnipresente e às diversas formas de exercício
do poder. Será que estamos a viver uma crise estrutural no movimento
associativo em Portugal? A ser assim, que vias podem ser consideradas
para a debelar?
Sobre estas questões fomos ouvir Rui d’Espiney, Director da Animar
e a ICE - Instituto das Comunidades Educativas, que recentemente incentivou
a realização do Iº Congresso da Damocracia Participativa e do Associativissmo.


Com a adesão à União Europeia assistiu-se a uma revitalização do
associativismo em Portugal, em particular daquele ligado com o desenvolvimento
local e rural, ao terceiro sector e ainda à economia social.
Mas o seu desenvolvimento, ao longo destes anos, tem estado ligado ao
financiamento público de programas e projectos. Será que a redução das verbas
e a previsão de um acesso mais restrito e mais condicionado aos Fundos Comunitários
do próximo quadro comunitário vai implicar o desaparecimento de um
número elevado de associações? E estas estão condenadas a uma morte lenta ou
podem sobreviver?
RE - Pouco depois do 25 de Abril, em estreita ligação com a Educação de
Adultos – e, em particular, com as campanhas de alfabetização que se realizaram
– mas também pela tomada de consciência da importância estratégica de se
intervir tendo em vista a promoção da saúde, da cultura e da própria economia,
irrompem aqui e ali iniciativas que visam um desenvolvimento de base territorial,
em especial no mundo rural mas também no mundo urbano. Projectos
como o Radial, o ECO e os de Alcácer, de Águeda, da Amadora, de Aljustrel, de
Paredes de Coura ou do Bairro de Alfama são, sem dúvida, fontes de animação
e conhecimento, viabilizados por apoios financeiros exógenos (nomeadamente
fundações) mas nascidos dos interesses estratégicos locais, dos anseios da
população.
É nesse período que alguns nomes se destacam pelos contributos que
trazem à reflexão sobre desenvolvimento local, animação popular e/ou educação
de adultos.
Em justiça, pode dizer-se que a experiência e a reflexão assim acumuladas
informaram, pelo menos em parte, o “boom” associativo que se deu – como
ressalta da vossa pergunta – a seguir à adesão da União Europeia. Mas se
informou, não creio que tenho enformado. O que ditou a multiplicação de ADL’s
e, na maior parte dos casos, a orientação estratégica que as guiou foi – é essa a
minha convicção – a possibilidade de acesso aos fundos avultados que essa
adesão permitiu. Como dizia um dirigente que lutava pela viabilização da sua
associação – e dos mais coerentes e empenhados – “não sou um corredor de
fundo mas um corrector de fundos”.
E se num ou outro lugar até aconteceu que a busca destes apoios partiu
de quem tinha uma perspectiva alternativa de desenvolvimento – vendo nesses
apoios apenas uma oportunidade para a viabilizar e ampliar – bom número de
associações constituiu-se, realmente, tendo por grande motivação a mera captação
de financiamentos: veja-se, por exemplo, as que resultaram pura e simplesmente
da iniciativa de municípios que, na verdade, funcionaram (e funcionam)
como extensões das autarquias, como formas de obter financiamentos que a
estas eram vedados de outro modo.
E o certo é que quer umas quer outras destas associações organizaram-se
ecresceram à sombra desses financiamentos, empresarializando-se e dependendo,
actualmente, deles para sobreviver, pelo menos nas exactas condições
em que existem e funcionam.
O facto de grande número destas associações, hoje, se assemelharem por
aquilo que fazem só mostra que, de uma forma ou de outra, se tornaram instrumentos
de políticas … meros executores de planos concebidos a montante.
Enfim mais do que a revitalização do associativismo a que se refere a
vossa pergunta, o que houve foi acima de tudo o triunfo de um certo “agencialismo”
… E, como é evidente, se houver quebra brusca de financiamento várias
destas associações-agências entrarão em grandes dificuldades (o que, creio, até
já está a acontecer).
Duas palavras me parecem, entretanto, necessárias para fechar esta
questão:
Primeira,  a minha opinião sobre o que se passou e passa com muitas das
associações de desenvolvimento não significa que não considere algumas delas
– que se revelam, de facto, focos de requalificação territorial.
Segunda,  a pergunta que me é feita remete-nos essencialmente para as
 chamadas ADL e não para as associações em geral. Seria de outra forma que
falaria do que se passa com as associações organizadas em torno de causas ou
de interesses estratégicos, com as colectividades ou com as pequenas organizações
locais. Não o faço porque não é para tal que aponta o vosso questionamento.
Muitas associações, para sobreviver, têm concentrado a sua acção na
prestação de serviços e/ou na gestão de programas co-financiados abandonando
muitas vezes a sua missão original. É este um caminho desejável e possível?
 Num certo sentido respondi a esta questão. Mas sempre acrescento algo:
Com o desenvolvimento, o que se deseja é a emancipação das populações,
a constituição de caminhos alternativos à ordem social e económica dominantes
e, como é obvio, não contribuem para tal as associações que se “agencializem”,
tornando-se instrumentos de programas que visam a mera reprodução (ou quando
muito a mudança quantitativa) da ordem vigente.
Isto não significa que eu seja contra toda e qualquer forma de prestação
de serviço: Pode haver prestações de serviço que sirvam a mudança que se
prossegue.
Por onde poderá passar a independência económica e política das associações,
que inscrevem nos seus objectivos actividades de cidadania activa, mas
não dispõem de recursos próprios para o seu funcionamento regular?
 Não tenho uma resposta cabal a esta questão. Mas tenho algumas ideias
que podem contribuir para a busca dessa resposta.
a) Para mim não há associativismo, se não houver promoção e produção
de cidadania, isto é, se o associativismo não for cidadão. Ora a independência
política é inerente ao associativismo cidadão.
b) A conquista da independência económica – no sentido de subsistência
sem se depender de programas de financiamento do Estado – passa, pelo menos
também, pelo combate que se trave contra as orientações a que obedecem tais
programas.
c) Transformada em movimento toda a acção cidadão se autosustenta,
pelo menos em grande medida.
d) Falar de cidadania activa pressupõe defender a afirmação e sucesso
da Democracia Participativa, pilar da Democracia Plena, constitucionalmente
consagrada.
 Ora, da mesma forma que a Democracia Representativa precisa, para
existir, que sejam facultados as condições do seu exercício porque não desejar
e exigir a viabilização material da Democracia Participativa?

Pode ser estabelecida alguma analogia entre o financiamento dos partidos
políticos que asseguram a base das relações políticas da democracia e as associações
que garantem o dinamismo da sociedade civil, outra vertente fundamental
do regime democrático?

 Na questão anterior está contida a resposta a esta. Apenas acrescento que
há países – caso da Suécia – em que as associações, só pelo facto de se constituírem,
passam a ter direito, tal como os partidos, a um financiamento estatal.
Há vários anos que se fala num estatuto especial para o associativismo
sobretudo numa nova visão da chamada concertação social. Não deveria existir
uma presença institucional mais adequada e mais significativa das organizações
de base associativa e cooperativa no quadro dos chamados parceiros sociais?
 A questão do estatuto do associativismo é uma; a da concertação social é
outra.
a) Defender que há direitos das associações e dos activistas associativos
que devem ser reconhecidos parece-me correcto. Não vejo que se aceite que haja
prerrogativas inerentes ao exercício de funções na Democracia Representativa
e que se negue a legitimidade de se garantir a “protecção” necessária ao bom
desempenho de funções nas formas organizadas de Democracia Participativa
que são as associações.
b) Já tenho muitas dúvidas quanto ao que pode trazer o inserir das associações
e cooperativas nos mecanismos de concertação social. Em meu entender,
estes mecanismos acabam, na prática, por constituir um meio através do qual
os poderes instituídos asseguram a ordem e enquadram o “mal-estar”. Em última
análise protegem a Democracia Representativa, ajudando a que esta se não
questione e reconfigure.
Ora, o que se impõe, é que a Democracia Participativa entre em interacção
directa com a Democracia Representativa forçando esta a funcionar em novos
moldes.
Naturalmente, as associações e cooperativas devem aproveitar toda e
qualquer oportunidade para (inter)agir com os poderes instituídos, na busca
 de justiça, de transparência e de reconhecimento dos seus direitos … Mas todo
o passo que se der no sentido de institucionalizar tais interacções, tenderá,
receio bem, a traduzir-se num abraçar dos paradigmas que guiam e orientam a
ordem societária dominante.
Qual é a importância das associações na criação de emprego e na facilitação
de experiências profissionais, sabendo-se que é um sector sem fins lucrativos?
 Esta questão deixa-me um pouco atónito.
a) O facto de as associações não terem fins lucrativos nada tem a ver com
a criação de emprego. Interessados – como devem ser e estar as associações
cidadãs – no combate ao desemprego e ao desenvolvimento profissional, as
associações podem e devem promover todas as iniciativas que levem ao empreendorismo,
à valorização profissional, à criação e melhoria das condições de
vida.
b) Os postos de trabalho que as associações criam em ordem a viabilizar
os projectos que animam não são incompatíveis com a circunstância de não
prosseguirem fins lucrativos.
c)Em ultima analise está em causa, a busca de uma economia alternativa
à vigente, uma economia que não deixa de pressupor a criação de postos de
trabalho, ainda que no quadro da nova ordem (que se deseja).
As associações não escapam a muitas das pressões existentes para auto-
-condicionarem a sua independência. Por vezes cedem a imperativos relacionados
com as bases financeiras que se relacionam com a sua sobrevivência e nem sempre
tomam posições públicas em defesa dos seus princípios. Estaremos a caminhar
para um movimento associativo domado e ao serviço dos que detêm o dinheiro e
o poder?
 Por tudo o que digo atrás é evidente que concordo com o vosso enunciado:
“muitas associações, por medo de perderem os apoios, autocensuram-se”.
Mas não se pode universalizar esta afirmação.
É verdade, que os poderes instituídos têm trabalhado (e continuam a
trabalhar) no sentido de “dar ao país” um movimento associativo domado – e
ao serviço dos que detêm o dinheiro e de si próprios.
Mas a verdade, também, é que vivemos um momento em que tomam corpo
 vários movimentos de cidadãos. A própria Animar fez (e acho que faz) parte de
um movimento a favor da afirmação da Democracia Participativa e de uma
nova relação do Estado com as associações.
À intenção de nos domarem contrapõe-se a determinação de muitos de
nós de nos emanciparmos.
Face às dificuldades existentes nem sempre é realizado um debate aberto
e combativo. Como se pode justificar que as associações não estejam na primeira
linha da utilização das novas modalidades de debate público como os fóruns na
internet, as redes sociais e os movimentos cidadãos cibernéticos?
 É certo que durante muito tempo se não travou o “debate aberto e combativo”
que as dificuldades impunham. Mas penso que as coisas estão a mudar.
Com efeito:
a) há que reconhecer que um número significativo de associações se
implicou no processo que conduziu à realização do Congresso do Associativismo
e da Democracia Participativa , onde o debate foi “aberto e combativo”;
b) o grupo de cidadãos que, após o Congresso em questão, prosseguiu (e
prossegue) com o processo, disponibilizou vários dispositivos de apoio ao debate:
um blog , um espaço no facebook  e uma mailing list .
Acrescente-se que tão ou mais importante como a capacidade (e predisposição)
de resposta das associações é o que se passa a nível dos cidadãos em
geral … e o facto é que estes – recorrendo às tecnologias mais “na berra” – estão
a mexer, como bem o provou a célebre e grandiosa manifestação de professores
convocada por telemóvel e como bem o prova o movimento da “Geração à
Rasca”.
Eu quero um associativismo forte e combativo mas na medida em que
este intervenha como sustentáculo da Democracia Participativa, lado a lado
com outros movimentos de cidadãos para o futuro.



Entrevista realizada por António Barata e Carlos Ribeiro (Vez e Voz)

domingo, 5 de setembro de 2010

Assunto: Ficha de inscrição para o Congresso do Associativismo e da Democracia Participativa

É já em 13 e 14 de Novembro próximo, em LISBOA! É um congresso organizado por associações para associações, para discutir preocupações e estratégias comuns , nesta altura em que a vida de muitas associações está tão complicada. A inscrição individual é de 5€ e de 1 associação (com direito a 2 pessoas) 10 € Inscrevam-se!
E divulguem, por favor
Decorrerá nas instalações do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, Av.ª das Forças Armadas, 1649-026 Lisboa, nos dias 13 e 14 de Novembro próximo.
Torna-se fundamental, neste momento, começar a reunir as inscrições das associações e cidadãos, não só para se organizar toda a logística inerente como também para potenciar ao máximo a mobilização para o Congresso.
Para o efeito, remete-se a ficha de inscrição em anexo, que podem imprimir e enviar ou pelo correio para AJD, Lugar da Igreja, 4905-254 Deão ou por email para associativismo.cidadao@gmail.com anexando em ambos os casos o comprovativo do pagamento da inscrição.
A data de inscrição termina a 29 de Outubro.
Estas informações encontram-se também no blog movimentodoassociativismo.blogspot.com Aguardamos a vossa inscrição, assim como, a divulgação desta iniciativa.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Associativismo e cidadania em debate

13 de Maio de 2010 gazetadabeira@sapo.pt
G A Z E T A D A B E I R A
S. PEDRO DO SUL . VOUZELA . OLIVEIRA DE FRADES . CASTRO DAIRE . VISEU
Maria do Carmo Bica
Em que medida o associativismo contribui para o aprofundamento da democracia? Foi este o tema do debate transmitido pela VFM no passado dia 30 de Abril, promovido em parceria com a Gazeta da Beira e a Rádio Lafões. Participaram os dirigentes associativos Ângela Guimarães, da ARCA, Mário Almeida, do Cénico Grupo de Teatro Popular, Joaquim Mendes, do Grupo de Cavaquinhos e Cantares à Beira, Carlos Vieira, da associação Olho Vivo, Luís Costa, da Binaural e Rui d’Espiney, do Instituto das Comunidades Educativas. O moderador foi Arsénio Saraiva Martins, da VFM. Vários temas foram abordados, nomeadamente a questão da democracia participativa. Neste aspecto, houve consenso em torno das ideias defendidas por Rui d’ Espiney, que defendeu não haver democracia plena sem democracia participativa e considerou que democracia representativa e democracia participativa são os dois pilares da democracia plena. Rui d’ Espiney referiu ainda que o Estado não trata de igual forma os dois pilares da democracia e dá condições de funcionamento, incluindo financiamento, para a democracia representativa e nenhum apoio à democracia participativa, nomeadamente através das associações entendidas como forma organizada de democracia participativa. Defendeu ainda a viabilização do movimento associativo como contributo para a viabilização da democracia participativa. A falta de tempo, provocada pelo excesso de solicitações na vida profissional e familiar, foi considerada como uma das causas para uma certa crisede participação no movimento associativo, que não tem conseguido renovar os seus quadros. “A proximidade é a força do movimento associativo” referiu Luís Costa. Para este dirigente, verifica-se um certo desvirtuamento nas actividades das associações por causa dos financiamentos serem demasiado formatados. Defendeu ainda que a globalização cria novas oportunidades para o movimento associativo, na medida em que as novas tecnologias do conhecimento e da informação favorecem a criação de redes a nível global. Ângela Guimarães referiu que, em Lafões, ainda se nota uma posição de servilismo perante o poder por parte de muitos dirigentes associativos. Ficou também o registo de que se assiste a uma mudança qualitativa no tipo de propostas, o que está a contribuir para mobilizar as pessoas e que a construção de solidariedades é importante para resolver os problemas. Todos/as os/as participantes se assumiram como activistas políticos nos partidos políticos em que militam e nas estruturas da democracia representativa para que foram eleitos. Quase todos/as são deputados/as municipais, mas têm também uma forte participação política ao nível do movimento associativo. Todos afirmaram conseguir distinguir muito bem a sua militância partidária da sua militância associativa, não subjugando o movimento associativo aos interesses do seu partido. O debate foi também ocasião para divulgar o I Congresso do Associativismo e da Democracia participativa que vai decorrer em Palmela nos dias 13 e 14 de Novembro de 2010.

Associativismo e cidadania em debate

13 de Maio de 2010
gazetadabeira@sapo.pt
G A Z E T A D A B E I R A S. PEDRO DO SUL . VOUZELA . OLIVEIRA DE FRADES . CASTRO DAIRE . VISEU
Maria do Carmo Bica
Em que medida o associativismo contribui para o aprofundamento da democracia? Foi este o tema do debate transmitido pela VFM no passado dia 30 de Abril, promovido em parceria com a Gazeta da Beira e a Rádio Lafões. Participaram os dirigentes associativos Ângela Guimarães, da ARCA, Mário Almeida, do Cénico Grupo de Teatro Popular, Joaquim Mendes, do Grupo de Cavaquinhos e Cantares à Beira, Carlos Vieira, da associação Olho Vivo, Luís Costa, da Binaural e Rui d’Espiney, do Instituto das Comunidades Educativas. O moderador foi Arsénio Saraiva Martins, da VFM. Vários temas foram abordados, nomeadamente a questão da democracia participativa. Neste aspecto, houve consenso em torno das ideias defendidas por Rui d’ Espiney, que defendeu não haver democracia plena sem democracia participativa e considerou que democracia representativa e democracia participativa são os dois pilares da democracia plena. Rui d’ Espiney referiu ainda que o Estado não trata de igual forma os dois pilares da democracia e dá condições de funcionamento, incluindo financiamento, para a democracia representativa e nenhum apoio à democracia participativa, nomeadamente através das associações entendidas como forma organizada de democracia participativa. Defendeu ainda a viabilização do movimento associativo como contributo para a viabilização da democracia participativa. A falta de tempo, provocada pelo excesso de solicitações na vida profissional e familiar, foi considerada como uma das causas para uma certa crisede participação no movimento associativo, que não tem conseguido renovar os seus quadros. “A proximidade é a força do movimento associativo” referiu Luís Costa. Para este dirigente, verifica-se um certo desvirtuamento nas actividades das associações por causa dos financiamentos serem demasiado formatados. Defendeu ainda que a globalização cria novas oportunidades para o movimento associativo, na medida em que as novas tecnologias do conhecimento e da informação favorecem a criação de redes a nível global. Ângela Guimarães referiu que, em Lafões, ainda se nota uma posição de servilismo perante o poder por parte de muitos dirigentes associativos. Ficou também o registo de que se assiste a uma mudança qualitativa no tipo de propostas, o que está a contribuir para mobilizar as pessoas e que a construção de solidariedades é importante para resolver os problemas. Todos/as os/as participantes se assumiram como activistas políticos nos partidos políticos em que militam e nas estruturas da democracia representativa para que foram eleitos. Quase todos/as são deputados/as municipais, mas têm também uma forte participação política ao nível do movimento associativo. Todos afirmaram conseguir distinguir muito bem a sua militância partidária da sua militância associativa, não subjugando o movimento associativo aos interesses do seu partido. O debate foi também ocasião para divulgar o I Congresso do Associativismo e da Democracia participativa que vai decorrer em Palmela nos dias 13 e 14 de Novembro de 2010.

sábado, 17 de abril de 2010

Reunião do grupo promotor do Congresso do associativismo e Democracia Participativa Coimbra 2010-4-10

Foi uma reunião para resolver assuntos práticos, com a seguinte ordem do dia:
1 – Estratégia de mobilização
2 – Debate do programa /cartaz/ficha de inscrição
3 – Financiamento
4- Mostra
5 – caderno revindicativo
6 – informações
MOBILIZAÇÃO: tem como estratégia base a organização de encontros regionais e sub-regionais
Setúbal: –O ICE tem promovido reuniões e há um grupo mobilizado
Beja – ESDIME aderiu e está a organizar o encontro
PORTALEGRE – está a ser organizado
SUL – Falta Évora e faro – não há ainda grupo organizador;
Beira interior – o GAF (de Gouveia) vai promover reuniões na 1º quinzena de Maio; poderá tentar envolver Covilhã e Castelo Branco
Trás os Montes: houve uma reunião em Bragança. No entanto, não se considera mobilizado
BRAGA - ESTÁ A SER DINAMIZADA (AJD Deão)
COIMBRA: reunião agendada para 17 de Abril, dinamizada por KRISCER e SOLIDARIEDADE EMIGRANTE
PORTO: não está dinamizado. Cheik oferece-se para contactar Associação Luso-Turca, António oferece-se para contactar Base-Fut, Rita oferece-se para contactar SOS Racismo
AÇORES E MADEIRA: ainda não dinamizados.
Carmo oferece-se para contactar UMAR e IN LOCO
António oferece-se para contactar Quercus (há núcleo nos Açores e Madeira).
OUTRAS ESTRATÉGIAS DE DIVULGAÇÃO:
Autarquias com pedido de divulgação pª associações/rede social/ REDES na INTERNET
Sites e Blogs das associações envolvidas, facebook
Publicidade paga nos jornais nacionais? Não porque não temos dinheiro. Só se arranjarmos solidariedades/publicidade gratuita.
Manifestações de 25 e 1º maio – folhetos...
Quem tem projectos divulgar através dos parceiros
2 – PROGRAMA
Foi aceite o programa provisório apresentado pelo grupo responsável.
Preocupações:
garantir que o congresso fosse capaz de dar voz às vontades das pessoas/associações e construir linha de acção para o futuro
Foi lido o comentário do Ricardo, no Blog, e partilhada a preocupação de se manter a discussão aberta a outros espaços de democracia participativa que não a reunião; no entanto , nesta fase há um tónica central no espaço associativo ( embora sem pretender excluir outros)
A luta pela dem participativa exige modos organizados de o fazer - subjacente a intenção de levar as associações a assumir a batalha
r Uma das tertúlias poderá se acerca das associações serem promotoras da democracia participativa.
Qualificar a dem. participativa qualificando as associações no sentido e pratica da dem participativa
Propor um debate sobre o que é o associativismo cidadão – não está essa tónica no programa apresentado... mas está implícita.
Texto desafio?
Conceitos...
Para muita gente a relação entre democracia participativa e associativismo não é óbvia – que é cada um tem que fazer para além de pertencer a uma associação e votar num partido? Há algo que é uma atitude de grupo e não um rótulo – há um caminho a percorrer dentro das associações, para que se reclassifiquem como escolas de democracia.
Talvez fosse enriquecedor se como base juntássemos os comentários de hoje, conseguir que se clarificar bem as alternativas em democracia participativa... associativismo e explicitação de outros aspectos... e democracia dentro das associações.
Promoção da cidadania na escola?
No trabalho? no espaço público?
Um texto de partida para enriquecer no percurso até ao congresso... que incluísse as insatisfações provenientes das associações, com as sua problemáticas específicas... uma caminhada para ir construindo o caderno revindicativo que será concluído com as entradas do Congresso.
A própria mobilização das associações é feita em vários momentos... mobilização e reflexão. A ideia é transformar as preocupações em ideias mobilizadoras- Recolha das várias preocupações ...
como é que as associações tem voz? Tem horas reservadas nos canais públicos?
O PROGRAMA :enquadra o encontro .O programa deve ter a definição mínima com o que se pretende e enquadrar; não pode ser eternamente aberto. Somos nós associações que vamos enquadrar o movimento, esperando que outros sectores venham também a contribuir para esta discussão.
Este programa pode ser divulgado desde já...
incorporar na forma do congresso a questão da democracia...
“em mangualde está a acontecer um FORUM de um movimento associativo...”
CARTAZES E FICHA DE INSCRIÇÃO - Foi aprovada a imagem proposta da imagem, que contém uma ponte e a ideia de Movimento. O folheto terá de ter algumas modificações.
Colocou-se a hipótese de ter que mudar de local o congresso: há limitações logísticas em TONDELA.
Há um ORÇAMENTO que contempla: secretariado, organização, cartazes, imprensa, registo vídeo e áudio , material de desgaste, telefones, convidados. TOTAL : 65 675 € - mas prevê-se diminuir o quantitativo deste orçamento, procurando parcerias para registo vídeo, divulgação na imprensa e sendo que os “convidados” serão militantes destas coisas do Associativismo e da Democracia Participativa, pelo que pagam as suas próprias despesas.
Haverá uma associação que vai assumir ser promotora e abrir a conta ... proposta a AJD em primeiro lugar, caso não aceite será o ICE .
CADERNO REVINDICATIVO Começar desde já a recolher as aspirações das associações
Os movimentos sociais não podem estar sujeitos à lógica fiscal actual – há que criar uma lógica fiscal diferente. Exigir espaço na comunicação social. A promoção da democracia associativa deve estar prevista no Orçamento.
Qual é a ideia mais mobilizadora para convidar associações? Transformar as ideias mais mobilizadoras em comunicado de imprensa .Mas é necessário por as ass a falar, recolher o que for produzido nas reuniões regionais...
Há intenção de fazer uma moção partindo do congresso – um caderno revindicativo- no final serão retiradas as conclusões e levada à aprovação.
4 - MOSTRA
há possibilidade de financiar a mostra (ANIMAR)
Quem vai mostrar? As associações -
propostas para a MOSTRA:
desfiar as associações a mostrar os projectos que trabalhem a democracia participativa - painéis por temas de intervenção, por exemplo: ambiente, inclusão, minorias, género, crianças.
Conceber uma mostra e pedir as associações que mandem de acordo com certos requisitos, linhas de força. Haverá um grupo que se debruce sobre o que pode ser uma mostra. Uma ideia: a mostra poderá ter lugar no local em que se organizam as tertúlias, distribuir os temas da mostra conforme os temas das tertúlias .
*******************************************+
próxima reunião – 19 de JUNHO
apanhado das inscrições, logística, fontes de financiamento

domingo, 11 de abril de 2010

Associativismo Cidadão

NOTA DE IMPRENSA
Será que vivemos num pais plenamente democrático?
À primeira vista, parece que sim. Temos eleições livres. Temos uma constituição em que se consagram os direitos dos cidadãos. Temos aquilo que se designa por um Estado de Direito … Mas a verdade é que a nossa Democracia não é plena.
A verdade é que esta só existe, de facto, quando à escolha, em liberdade, de quem nos representa, se associa um quotidiano de participação nas decisões, de produção e promoção de cidadania e de afirmação, não apenas do direito a direitos mas também do direito de … optar, de questionar o próprio direito.
Dito de outro forma, é na interacção entre a participação e a representação, na reconfiguração desta pelos impulsos que venham dos cidadãos e da sociedade que se concretiza a Democracia Plena. E tal não acontece ainda, na precisa medida em que não estão asseguradas as condições para o funcionamento da Democracia Participativa.
Com efeito, e se é certo que à Democracia Representativa são oferecidos todos os meios para o seu funcionamento - financiamento dos partidos, remuneração dos seus eleitos e técnicos, pagamento das campanhas eleitorais, apoio material à sua actividade, etc., - à Democracia Participativa nenhum recurso, nenhum cêntimo é facultado ... Um ou outro contributo para iniciativas localizadas e delimitadas, sob a forma de financiamentos parciais a projectos, mas nenhum apoio à sua sustentabilidade funcional.
A Constituição da Republica Portuguesa que consagra, com quase igual dignidade, a Democracia Representativa e a Democracia Participativa -considerando uma e outra pilares da Democracia Plena - , não é, de facto, na prática cumprida. Inverter esta situação, alcançar a afirmação da Democracia Participativa impondo a viabilização das formas organizadas de Democracia Participativa que são as associações é o propósito de um grupo de associações e cidadãos que iniciou um movimento em ordem à organização de um Congresso em que se implicaram já mais de 150 associações e que tem, precisamente, como um dos seus propósitos confrontar o Estado e a Democracia Representativa com as responsabilidades que lhe cabem na sustentabilidade do movimento associativo e da Democracia Participativa.
A nossa democracia assim o exige.
É este um projecto politico - por definição não partidário – que ocupará sem duvida um espaço de relevo na Agenda do presente ano de 2010.
… E é para vos falar deste movimento, deste projecto, que vos convidamos a estar presentes, na sexta feira dia 19, pelas 15h00, nas instalações da associação ETNIA sitas no Centro Interculturacidade, Rua dos Poiais de S. Bento nº 73 em Lisboa.
P’la COMISSÃO PROMOTORA
Maria do Carmo Bica - ADRL – Associação para o Desenvolvimento da Região de Lafões
Mário Alves – ETNIA e CENTRO INTERCULTURACIDADE
Rogério Roque Amaro – PROACT e ANIMAR
Rui d’Espiney - ICE

segunda-feira, 15 de março de 2010

Atenção todos os benificiários do 0,5% do IRS

DIVULGUEM POR FAVOR
Atenção todos os benificiários do 0,5% do IRS
A Listagem das entidades que podem beneficiar da consignação de 0,5% do IRS de 2009 que consta no portal da finanças está incompleta
Se a vossa associação é beneficiária autorizada e não consta da lista devem ir com toda a urgencia reclamar nas finanças, sendo portadores da carta de autorização. Se não o fizerem, arriscam-se a que o erro não seja corrigido e podem perder o benefício
No link http://info.portaldasfinancas.gov.pt/pt/apoio_contribuinte/ podem ver a listagem das associações beneficiárias publicitada pelas finanças
Já agora... se não têm nenhuma associação amiga autorizada a receber esta contribuição, escolham os meus amigos! (ICE - Instituto das Comunidades Educativas ) Para isso, No Anexo H - Quadro 9 (Consignação de 0,5% do Imposto Liquidado) - Campo 901 - insira o NIPC da ICE -instituto das comunidades Educativas: 502827564

quinta-feira, 11 de março de 2010

CONGRESSO DO ASSOCIATIVISMO E DA DEMOCRACIA PARTICIPATIVA

quinta-feira, 11 de Março de 2010 Síntese da reunião promotora. Coimbra, 20/02/2010
I - CONSIDERAÇÕES GERAIS/PRESSUPOSTOS ORIENTADORES
1 - A proximidade do Congresso – faltam pouco mais de 9 meses para a sua realização – ditam a necessidade:
- de intensificarmos os esforços no sentido de assegurar uma ampla mobilização de associações e o seu envolvimento na reflexão sobre os desafios que se levantam à democracia participativa bem como sobre os próprios conceitos desta e do Associativismo;
- de nos debruçarmos, a partir de hoje, sobre a organização, logística e preparação do Congresso.
2 - Tendo em vista a mobilização de associações importa, desde logo, tornar claro o que se pretende com o Congresso e o que se quer que ele seja.
2.1 Nesta ordem de ideia recorda-se que o Congresso tem por propósito explícito uma reivindicação eminentemente politica (embora de todo não partidária). Concretamente, a de dar centralidade à Democracia Participativa … hoje com um papel periférico na sociedade portuguesa.
2.2 Também nesta ordem de ideias, se afirma que se pretende um Congresso que contribua … para a clarificação e formulação do que preocupa as associações e outras formas organizadas de Democracia Participativa … para a requalificação das associações, na perspectiva de uma efectiva assumpção do papel que lhes cabe na promoção e produção de cidadania … e para a elaboração de um “Caderno Reivindicativo” que confronte o Estado com a responsabilidade politica que possui na criação de condições para a sustentabilidade material da Democracia Participativa.
Desejando-se produção de conhecimento, não se quer um congresso científico. E desejando-se visibilidade do movimento associativo, não se quer que ele seja um espaço de mostra, à semelhança do que procuram ser as Manifestas.
2.3 Para que alcance os intentos referidos, torna-se essencial que o Congresso se organize de forma a garantir, por um lado, que os presentes participem activa e democraticamente na reflexão e, por outro que dele saiam linhas orientadoras para a acção posterior do movimento associativo, em ordem ao aprofundamento e à viabilização da Democracia Participativa. Nesse sentido deverá:
- Basear-se no funcionamento de grupos de reflexão que, numa lógica de tertúlias, debatam temas identificados previamente, (pela comissão promotora e pelas reuniões preparatórias que terão lugar nas várias regiões);
- Prever um momento plenário em que se socialize a reflexão dos grupos e se retirem conclusões/linhas de orientação para o futuro.
2.4 Sendo a diversidade dos sujeitos e das preocupações uma das riquezas do Congresso - e do processo que a ele conduz -, é no entanto, possível identificar, desde agora, quatro eixos de problematização a que o evento deverá responder. A saber:
- O contributo do associativismo para a coesão social ou, dito de outra forma, para o combate a todas as formas de exclusão,
- O que se entende por associativismo cidadão, o que pressupõe identificar os sujeitos chave no exercício da cidadania e os espaços onde esta se deve desenvolver;
- Quais as formas que deve assumir a sustentabilidade do movimento associativo e, mais genericamente, da Democracia Participativa;
- Que nova relação se tem de estabelecer entre a Democracia Participativa e a Democracia Representativa e, subsequentemente, a que reconfigurações deve esta obedecer para que faça eco da Democracia Participativa.
3. A mobilização para o movimento que confluirá no Congresso deve surgir como um processo de conscientização das associações nomeadamente quanto ao imperativo de dar centralidade à Democracia Participativa e de se tornarem elas próprias espaços de Cidadania.
Tal não nega que o contacto com as associações a mobilizar se oriente, num primeiro momento, para uma mera sensibilização. (Muitas associações acham-se fechadas sobre si próprias e sobre a crise que as atinge e não estão despertas para a pertinência de um movimento como este a que estamos a dar vida, carecendo por isso de um esclarecimento prévio).
Ao esforço de sensibilização das associações – através de contactos directos deverá no entanto seguir-se, a muito curto prazo, o de realização de momentos de reflexão e aprofundamento das problemáticas em aberto por recurso a encontros e tertúlias.
Para este efeito, será útil a reelaboração do documento inicial, e que vem vindo de base à explicitação do nosso pensamento, tornando mais evidente o propósito político que preside a este movimento e explicitando-se quer os quatro eixos de problematização a que o Congresso deve responder, quer a razão de ser da metodologia que se adopta para o seu funcionamento.
4. Desejando-se que o Congresso se traduza num sucesso de mobilizarão, importa, no entanto, ter consciência de que muitas associações – designadamente as que intervêm como meras prestadores de serviços ou como agências de programas estatais - se não identificam com os objectivos que este movimento prossegue, e que por isso não vão estar presentes.
… Em ultima analise não se pode perder de vista que um movimento desta natureza se desenvolve por vagas ou círculos.
II – MEDIDAS ORGANIZATIVAS
1.Tendo em vista uma maior eficácia ao nível das deliberações (evitando-se, nomeadamente, o “marcar passo” que implica a participação de associações que aderem pela primeira vez) decidiu-se estabilizar a Comissão Promotora que, em definitivo, será constituída pelas seguintes entidades:
a)Já confirmadas: ACERT ADCL ADRL ANIMAR AZUR GAF ICE KRISCER OLHO VIVO SOLIDARIEDADE IMIGRANTE.
b)Por reconfirmar: ADCMOURA AJD ASSOCIAÇÃO ZÉ AFONSO D’ORFEU PROACT c)a convidar : (Tendo em vista diversificar a composição em termos de públicos e de regiões) ACEP  CIVITAS ETNIA FED. PORTUG. DAS COLECTIVIDADES  GESTO IN LOCO MUDIS PASEC SOS RACISMO UMAR (e ainda uma associação do Nordeste Alentejano, outra da Beira Interior e uma terceira de Trás os Montes)
A Comissão Promotora surge como o rosto do movimento, cabendo-lhe: proceder a pontos de situação; pilotar a preparação do Congresso; interagir com os Poderes e representantes da Democracia Representativa; intervir junto dos média, etc.
Prevê-se a constituição de uma Comissão Organizadora mais restrita, que chame a si estas funções no intervalo das reuniões da Comissão Promotora.
2. Constituíram-se Grupos de Trabalho (GT) para a preparação e organização do Congresso. Por razões que têm a ver com uma maior facilidade de contacto e de encontro, os GT serão, salvo uma excepção, integrados por pessoas de uma mesma região. Assim:
2.1 G.T. - Programa do Congresso – É seu objecto a elaboração de um programa que contemple uma metodologia participativa de funcionamento do Congresso e identifique as problemáticas e temáticas debatidas pelas tertúlias e em Plenário. Integram este grupo (do Minho): Ana Paula Dias, Fernando Ilídio e Manuel Sarmento.
2.2 G.T. - Logística e Angariação de fundos - É seu objecto: a identificação e obtenção dos meios materiais necessários à realização do Congresso; a elaboração do orçamento previsível; e o esforço de obtenção de financiadores. Integram este grupo (da região centro): António Minhoto, Carmo Bica, Carlos Vieira, Marco Mendonça e Miguel Torres.
2.3 G.T. - Divulgação – É seu objecto publicitar o evento, animar a circulação de informação e gerir o blog. Integram este grupo (na sua quase totalidade pessoas da região centro): Ana Paula Dias, José João Rodrigues, Maria José Tovar, Paula Medeiros e Vítor Andrade.
Decidida, desde já, a convocação de uma conferência de imprensa, pela qual ficou responsável Carmo Bica
2.4 “Pensatório” – É seu objecto sistematizar o conhecimento produzido sobre as problemáticas que enformam o combate pela afirmação da Democracia Participativa e a requalificação/aprofundamento do movimento associativo, bem assim como a gestão e coordenação da elaboração do “Caderno Reivindicativo do Movimento Associativo”. Integram este grupo (é este o único constituído sem que se obedecesse a uma lógica de a proximidade territorial): António Cardoso Ferreira, Fernando Ilídio, João Silva, Manuel Sarmento e Rui d’Espiney.
III – NOTAS FINAIS
1. Regista-se o facto de se terem identificado 82 associações que participaram, até ao presente, neste processo (número na verdade superior se tivermos em conta as instituições que estiveram presentes em reuniões mas de que não se recolheu o nome e outras que manifestaram o seu desejo de aderir, embora ainda não hajam participado).
2. Desde a última promotora realizaram-se reuniões em Arraiolos, Mirandela, Setúbal e Viana do Castelo.
3. A próxima reunião, que terá lugar a 20 de Março em Coimbra, deverá orientar-se para a análise e aprovação do orçamento e do programa provisório.
Rui D'Espiney

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Seminário para o Associativismo III Associativismo e Democracia Participativa

ÁGUEDA 26-2-2010
Promovido pela D'Orfeu e Camara Municipal de Águeda
Orientadores :
Rui D'Espiney (ICE ) e Miguel Torres (ACERT) (dirigentes associativos de duas associações promotoras do Movimento pelo Associativismo e Democracia Participativa)
Participantes: 51 pessoas de cerca de 20 associações
O debate decorreu em torno de cinco questões chave:
O que se entende por democracia participativa?
Que relações entre a democracia participativa e democracia representativa?
O que é o Associativismo Cidadão?
Quando é que este é uma componente da democracia participativa?
Como promover a defesa da sustentabilidade económica do associativismo, enquanto condição necessária ao funcionamento da democracia como um todo ?
Ponto de partida para a reflexão:
As desigualdades que se manifestam na nossa sociedade, e o papel determinante que cabe às associações na inversão desta realidade:
As desigualdades entre os cidadãos: não se limitam a questões económicas, são também desigualdades no acesso ao exercício da cidadania do poder.
“O mais trágico da pobreza não é ao falta de teto ou comida é o resultado que produz na auto-estima das pessoas” (Madre Teresa de Calcutá) ... e desta auto-estima (auto-estigma) criada pela pobreza resulta a descrença da possibilidade/utilidade da participação.
As desigualdades entre os dois pilares da democracia, isto é, entre a democracia representativa e a democracia participativa : embora contempladas com dignidade igual na constituição, a primeira é financiada na propaganda, nos funcionários, nas actividades, nos eleitos... enquanto a segunda não é financiada de maneira nenhuma. Os próprio financiamento dos projectos, quando existe, exclui o funciona da associação que lhe dá vida... e as associações ainda têm de carregar o estigma da subsideodependencia. Será a democracia representativa considerada subsideodependente?
democracia participativa?
Democracia? É o poder partilhado. Democracia participativa ? O poder partilhado que se exerce ( enquanto a democracia representativa é o poder partilhado que se delega). As pessoas encontram-se em torno de incómodos, de desejos, de gostos, de projectos... democracia participativa: forma de poder em que pessoas ou grupos participam num objectivo partilhado, /e conseguem colocar na agenda pública assuntos ou questões que preocupam o grupo – de forma a influenciar decisãos políticas Combate às desigualdades do exercício de poder
Associativismo Cidadão?
associações enquanto escolas de cidadania: através do convívio entre gerações, do trabalho em grupo, em equipa... da partilha do sonho, do projecto... do respeito pelo outro, pelo da minha equipa ou pelo adversário... Como se desconstroi o perfil de “ser mandado”? Se temos capacidade para fazer coisas isso muda a nossa personalidade... a maioria dos dirigentes associativos de hoje formou-se como cidadão participativo no seu percurso associativo desde criança ou jovem. Enquanto escolas de cidadania as Associações são, a longo prazo, factor de coesão social .
relação entre associação e população: necessidade de informalizar;clareza de objectivos visibilidade dos mesmos para o público/transparencia/abertura do espaço público/ousar transmitir ideias novas A relação é mútua: há a participação que a associação que provoca na comunidade X mas também a comunidade gera participação na associação. Pedagogia da escuta.
Quando é que o Associativismo Cidadão é Democracia Participativa?
È necessário transcender os seus limites locais...colocar na agenda pública os temas do grupo – influenciar decisãos políticas É necessário descobrir os novos espaços/ ferramentas de expressão de cidadania Construir redes... Um projecto para a cidade?para a região? Causas partilhadas/Visibilidade Partilhar poder pressupõe prescindir de uma parte do meu poder para dar os outros, e construir o meu poder em função do poder do outro.Ao promover a associação do Outro promovemos a nossa; e necessário compreender que poder partilhado é poder fortalecido. As associações são formas organizados de democra participativa quando são elas próprias de espaços de aprendizagem/ construção de cidadania. E também promotoras de cidadania. Quando assumem a preocupação, a batalha, da formação cidadã -do cidadão que participa, intervem, que se sente incomodado com as injustiças e é capaz de se projectar para o futuro na construção de futuros alternativos.
democracia participativa e democracia representativa?
Como é que a democracia representativa e participativa se podem articular dentro de uma associação? A assembleia geral como espaço de participação é suficiente? A participação mais activa é bem vista? Necessidade de eliminar a hierquização na capacidade de transmitir ideias novas... A historia do associativismo é a história da construção de cidadãos... a democracia representativa tem de espelhar esta nova pratica de poder dos novos cidadaos.
E não esquecer:
Que este Workshop se insere no Movimento do Associativismo e Democracia Participativa...
Que já aderiram mais de 100 associações
Que se prevê a realização de um Congresso em Novembro 2010
Que se pretende dignificar /requalificar /fazer reconhecer o
papel do Associativismo na construção de cidadão participativos/factor de coesão social Que se pretende dignificar /requalificar /fazer reconhecer a Democracia Participativa enquanto sustetáculo da Democracia, a par com a Democracia Representativa.
Que se apresentará um Caderno Revindicativo.

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