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domingo, 4 de janeiro de 2009

poema de Miguel Torga

DESFECHO

"Não tenho mais palavras.

Gastei-as a negar-te...
(Só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda a parte.)
Fosse qual fosse o chão da minha caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente
Do teu vulto calado
E paciente... E lutei, como luta um solitário
Quando alguém lher perturba a sua solidão.
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.
Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia...
Agora somos dois obstinados,
Mudos e malogrados,
Que apenas vão a par na teimosia."

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

UM LIVRO DE POESIA

"Murmúrios ventos", poesia de Jorge Casimiro À venda na Loja do AgriCabaz em Coimbra

também com o mar se escreve com o mar que trazemos nos olhos com o mar que nos corre no corpo com o mar que nos desagua na pele Jorge Casimiro

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Poesia de Osvaldo Kiluange Sousa

Lusofonia que Grita
Que gritos são esses que oiço em redor de Lisboa
São gritos e gemidos de gentes que fazem a multiculturalidade
Gentes da periferia de Lisboa que ficaram só entre eles
Sim convivem numa lusofonia diferente
A lusofonia dos bairros que clamam pela política de integração
Enquanto isso não deixam de ser parte da lusofonia de expressão
Porque são aplaudidos quando convém a bem do sistema
Essa é a lusofonia lembrada no comício da cachupa
Esquecida nos debates da lei

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