terça-feira, 18 de novembro de 2008

Não desperdiçar as oportunidades da crise, artigo de Leonardo Boff

Earth Charter Iniciative

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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Não desperdiçar as oportunidades da crise, artigo de Leonardo Boff

Face ao cataclismo econômico-financeiro mundial se desenham dois cenários: um de crise e outro de tragédia. Tragédia seria se toda a arquitetura econômica mundial desabasse e nos empurasse para um caos total com milhões de vítimas por violência, fome e guerra. Não seria impossível, pois o capitalismo, geralmente, supera as situações caóticas mediante a guerra. Ganha ao destruir e ganha ao reconstruir. Somente que hoje esta solução não parece viável pois uma guerra tecnológica liquidaria com a espécie humana; só cabem guerras regionais sem uso de armas de destruição em massa. Outro cenário seria de crise. Para ela, não acaba o mundo econômico, mas este tipo de mundo, o neoliberal. O caos pode ser criativo, dando origem a outra ordem diferente e melhor. A crise teria, portanto, uma função purificadora, abrindo espaço para uma outra oportunidade de produção e de consumo. Não precisamos recorrer ao idiograma chinês de crise para saber de sua significação como risco e oportunidade. Basta recordar o sânscrito matriz das línguas ocidentais. Em sânscrito, crise vem de kir ou kri que significa purificar e limpar. De kri vem também crítica que é um processo pelo qual nos damos conta dos pressupostos, dos contextos, do alcance e dos limites seja do pensamento, seja de qualquer fenômeno. De kri se deriva outrossim crisol, elemento químico com o qual se limpa ouro das gangas e, por fim, acrisolar que quer dizer depurar e decantar. Então, a crise representa a oportunidade de um processo critico, de depuração do cerne: só o verdadeiro fica, o acidental cai sem sustentabilidade. Ao redor e a partir deste cerne se constrói uma outra ordem que representa a superação da crise. Os ciclos de crise do capitalismo são notórios. Como nunca se fazem cortes estruturais que inaugurem uma nova ordem econômica mas sempre se recorre a ajustes que preservam a lógica exploradora de base, ele nunca supera propriamente a crise. Alivia seus efeitos danosos, revitaliza a produção para novamente entrar em crise e assim prolongar o recorrente ciclo de crises. A atual crise poderia ser uma grande oportunidade para a invenção de um outro paradigma de produção e de consumo. Mais que regulações novas, fazem-se urgentes alternativas. A solução da crise econômica-financeira passa pelo encaminhamento da crise ecológica geral e do aquecimento global. Se estas variáveis não forem consideradas, as soluções económicas, dentro de pouco tempo, não terão sustentabilidade e a crise voltará com mais virulência. As empresas nas bolsas de Londres e de Wall Street tiveram perdas de mais de um trilhão e meio de dólares, perdas do capital humano. Enquanto isso, segundo dados do Greenpeace, o capital natural tem perdas anuais da ordem de 2 a 4, trilhões de dólares, provocadas pela degradação geral dos ecossistemas, desflorestamento, desertificação e escassez de água. A primeira produziu pânico, a segunda sequer foi notada. Mas desta vez não dá para continuar com o business as usual. O pior que nos pode acontecer é não aproveitar a oportunidade advinda da crise generalizada do tipo de economia neoliberal para projetar uma alternativa de produção que combine a preservação do capital natural com o capital humano. Há que se passar de um paradigma de produção industrial devastador para um de sustentação de toda a vida. Esta alternativa é imprescindível, como o mostrou corajosamene François Houtart, sociólgo belga e grande amigo do Brasil, numa conferência diante da Assembleia da ONU em 30 de outubro do corrrente ano: se não buscarmos uma alternativa ao atual paradigma econômico em quinze anos 20% a 30% das espécies vivas poderão desaparecer e nos meados do século haverá cerca de 150 a 200 milhões de refugiados climáticos. Agora a crise em vez de oportunidade vira risco aterrador. A crise atual nos oferece a oportunidade, talvez uma das últimas, para encontrarmos um modo de vida sustentável para os humanos e para toda a comunidade de vida. Sem isso poderemos ir ao encontro da escuridão.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Poesia de Osvaldo Kiluange Sousa

Lusofonia que Grita
Que gritos são esses que oiço em redor de Lisboa
São gritos e gemidos de gentes que fazem a multiculturalidade
Gentes da periferia de Lisboa que ficaram só entre eles
Sim convivem numa lusofonia diferente
A lusofonia dos bairros que clamam pela política de integração
Enquanto isso não deixam de ser parte da lusofonia de expressão
Porque são aplaudidos quando convém a bem do sistema
Essa é a lusofonia lembrada no comício da cachupa
Esquecida nos debates da lei

domingo, 2 de novembro de 2008

Poesia de Osvaldo Kiluange Sousa

A Dor da Profecia e o Amor da Poesia
Eu sou como o profeta que clama no ermo
Os meus gritos de aflição não fazem audição para o sistema
Gritos de dor da imigração sentido sem valor da integração
Sou como o profeta que clama no ermo
As minhas profecias encheram a nação de esperança
Mas a seleção levou toda a atenção
E hoje só me restou a poesia para fazer a profecia
Enquanto rimo com a ajuda de todo o primo
Porque a lusofonia é o lema que não chegou ao bairro
Osvaldo Poeta PARA QUEM FALA DOS BAIRROS osvaldo-escritor@hotmail.com

sábado, 1 de novembro de 2008

Poesia de Osvaldo Kiluange Sousa

Entrevista do (a) poetelas

Sobre mim

Hoje a poesia clama o isolamento dos bairros

Bairros cidades de realojamento
Transformados em guetos de sofrimentos
Bairros onde habitam gentes de lusofonia
Que gemem entre a escuridão a lentidão da política
A poesia clama os gritos de dor e gemidos dos desprezados Bairros que nasceram com a imigração de gentes coloridas
Gentes que vieram em busca da razão para viver
Confiando na lusofonia prometida

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