terça-feira, 6 de novembro de 2007

Ponte de Lima Junta médica dá alta a funcionária pública com limitações físicas 04.11.2007 -

ÚLTIMA HORA - PÚBLICO.PT: " 15h29 Lusa Uma funcionária pública que estava de baixa há três anos devido a uma operação cirúrgica mal sucedida, que a deixou fisicamente limitada, foi notificada pela Caixa Geral de Aposentações para se apresentar, segunda-feira, ao serviço. “É uma situação inadmissível, revoltante, injusta e, acima de tudo, desumana”, disse hoje, à Lusa, Ana Maria Brandão, de 43 anos, funcionária administrativa na Junta de Freguesia de Vitorino de Piães. Depois de uma operação mal sucedida a uma hérnia discal, em 1998, Ana Maria é hoje obrigada a usar um colar cervical dia e noite, uma braçadeira no braço direito e uma cinta lombar. “A minha dependência de terceiros é total, mas amanhã, às 9h00, lá estarei, na sede da Junta de Freguesia, para pegar ao serviço”, diz, acrescentando que não consegue escrever, “nem virar uma página”, abrir uma porta, pegar numa pasta, andar mais de 20 metros sem ajuda, ou ir à casa de banho sozinha. Em Fevereiro de 2006, Ana Maria foi a uma junta médica da ADSE, que a terá considerado incapacitada para o trabalho. “M"

sábado, 13 de outubro de 2007

O Elmo de Mambrino

José Ricardo Costa Eu tenho esta fotografia guardada há anos e ainda hoje não consigo deixar de olhar para ela. Não esteja à espera que eu venha aqui com ironias mesquinhas sobre o facto de aquele jovem maoista e revolucionário de ar pensativo, ser hoje um liberal e presidente da Comissão Europeia. Acontece que eu olho, olho, olho e não consigo deixar de olhar. O que é que me fascina nesta fotografia? Não é o prazer de imaginar um Durão Barroso anterior a Durão Barroso, vociferando contra a burguesia em nome da ditadura do proletariado. Muito antes de conhecer Heraclito, vi Rui Jordão a jogar no Sporting e Laranjeira a jogar no Benfica. Aprendi, desde então, que o caminho que se sobe é o mesmo que se desce. O que me fascina é a convicção com que Durão Barroso estará a pensar no que estará a pensar. Poder ver o rosto de alguém que está absolutamente convicto do que está a pensar, sabendo-se que, hoje, está absolutamente convicto de que estava absolutamente enganado no que estava a pensar. É um pouco como ver a imagem de Diana de Gales a sair pela porta giratória do hotel, minutos antes de morrer. Ver o rosto de alguém que sabemos que vai morrer sem saber que vai morrer. Eu acho os mecanismos da convicção, espantosos. Para mim, a obra que melhor fala sobre a convicção chama-se D. Quixote de La Mancha. Foi escrita por Cervantes mas poderia ser escrita, fossem eles romancistas, por Platão, Montaigne, Descartes, Espinosa, Hume ou Nietzsche. Tudo ali cheira a ilusão, a aparência, a falsidade, a mentira. Mas ilusão, aparência, falsidade e mentira, vividas com a maior das convicções. D. Quixote olha para uma taberna e vê um castelo. Olha para uns pobres coitados e pensa que são fidalgos. Olha para um barbeiro com a sua tigela de metal na cabeça e julga tratar-se do mítico elmo de Mambrino. São mil e tal páginas cheias de ilusões. Até aqui nada de anormal. D. Quixote é louco e os loucos são mesmo assim. Só que, ao mesmo tempo, D. Quixote está absolutamente convicto do que vê. E como prova ele tal convicção? Assim: " Tudo o que contei o vi com os meus próprios olhos e o toquei com estas minhas mãos". Ora aqui está! Perguntassem a Durão Barroso, praguejando contra a democracia parlamentar, se estava convicto das suas ideias, que responderia ele? Que eram tão evidentes como se as visse com os seus próprios olhos e as tocasse com as suas próprias mãos. É neste sentido que faz falta o saudável cepticismo dos filósofos. Gente que nem sempre vê o que os outros pensam que vêem, nem toca com as mãos o que outros pensam que tocam. E que vê com os seus olhos o que os outros nem sempre vêem e toca com as mãos o que os outros nem sempre tocam. E não penso apenas nos alucinados Quixotes e Durões Barrosos deste mundo. Há alguém de quem nos esquecemos muito mas cuja "loucura" Cervantes passa o tempo a lembrar: Sancho Pança. D. Quixote é louco com as suas convicções. Mas Sancho Pança está convicto da convicção de D. Quixote. D. Quixote é louco mas Sancho Pança vive na sombra da loucura do amo. D. Quixote, o louco, promete a Sancho torná-lo governador. Sancho vive na esperança de ser tornado governador por D. Quixote. No final da obra, após um longo sono, Quixote acorda curado: "Já não sou D. Quixote de La Mancha, mas Alonso Quixano". E nega convictamente tudo aquilo em que convictamente acreditou. Eu nunca morri por isso não sei bem o que se pensa quando se morre. Mas se calhar é como aconteceu a Quixote. Olha-se para trás e tudo em que acreditámos parece ilusório. E perdemos todas as convicções. Talvez, nesse momento, todos os elmos que vimos ao longo da vida se transformem em simples tigelas de barbeiro. jr_costa@clix.pt

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Família culpa médico por morte de parente

Família culpa médico por morte de parente Historial de problemas cardíacos Nuno Miguel Ropio "Omeu marido foi obrigado pelo médico da junta médica a trabalhar até morrer. Tanto que se queixou, no último mês de vida, da injustiça que lhe fizeram". As palavras emocionadas de Maria Deolinda Ferreira apenas são interrompidas pela revolta do filho e restantes familiares que, na pequena sala da habitação em Foros de Salvaterra (Salvaterra de Magos), a ajudam a ultrapassar a dor causada pelo falecimento do marido Manuel Ferreira, aos 60 anos. A família enlutada apresentou, há dias, uma queixa à Direcção - -Geral de Saúde (DGS) contra J.S.M., o médico responsável pela junta médica a que o sexagenário foi submetido a 13 de Abril, nas instalações da Casa do Povo em Foros, e que recusou a continuação da baixa ou a passagem à reforma de Manuel Ferreira. "Mulher, hoje é dia 13 de Abril, dia do meu azar. O médico cavou a minha sepultura", foram as palavras de Manuel Ferreira nessa data, relembra a viúva. Condutor de autocarros de aluguer de passageiros, a vítima debatia-se há sete anos com graves problemas cardíacos, como atestam os diversos exames clínicos e diversas baixas sucessivas (ver caixa). Após vários meses de repouso, o homem regressou contrariado ao trabalho no dia 17 de Abril. "No dia 13 foi à junta médica e o dr. J.S.M. disse-lhe que estava em condições de voltar ao trabalho", explica Carlos Ferreira. O sexagenário renovou a carta de condução e voltou a conduzir. "Umas vezes não tinha força para regressar a casa e puxar o volante, outras ficava com o autocarro parado e mandava o filho ir buscá-lo. Já andava a tomar comprimidos de hora a hora em vez de três por dia", relembra Maria Deolinda. A viúva garante que, a 23 de Maio, o marido voltou a ter problemas cardíacos. "Às 14 horas pediu para lhe levar mais comprimidos porque não aguentava com dores mas que tinha de trabalhar. Não havia ninguém para o substituir". E Manuel Ferreira continuou ao serviço até que veio a falecer, em 25 de Maio. "Fui logo ter com o médico. Mandou-me aguardar até atender 70 pessoas em quatro horas. Perguntei-lhe, depois, por que tinha mandado o meu pai trabalhar. Respondeu-me que a culpa é do sistema', relembra o filho. Que sistema? "Disse-me que nas reuniões com as chefias pedem aos médicos que diminuam ao máximo dar reformas ou a continuação de baixas", acrescenta. O médico alvo das acusações recusou prestar qualquer esclarecimento sobre as acusações da família Ferreira. Ao JN, via Sub- -Região da Segurança Social de Santarém - que contratou para as suas juntas médicas o clínico, que apenas pratica medicina no trabalho -, J.S.M. declinou explicar quais os critérios utilizados na avaliação de Manuel Ferreira. O historial clínico do sexagenário ficou marcado, principalmente, por problemas cardíacos. Em 2000, teve um primeiro enfarte, ficando internado no Hospital dos Covões, em Coimbra. "Nessa altura, quando veio de Coimbra, ele esteve de baixa quase nove meses. "Mas dois anos depois voltou a sofrer outro enfarte", salienta o filho, Carlos Ferreira. Manuel Ferreira foi ainda submetido a vários desentupimentos das artérias, a última a 16 de Agosto do ano passado. "Voltou a ter um enfarte nessa altura em 2006 e o médico no Hospital de Santa Marta disse-lhe que nunca mais poderia fazer desentupimentos e que se calhar era altura de se reformar", refere Maria Deolinda. Vigilância da floresta reforçada com cavalos Falta de respostas impede Roseta de completar plano PCP quer equipas de intervenção Vento forte descontrolou fogo que ameaçou pessoas e casas Gente Gira

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Folheto organizado por Teresa Almeida (C.S.Águeda)







- “Pega-me ao colo sempre que queiras. Não é possível estragares-me com mimos.”


- “Quando choro é porque preciso de alguma coisa. Não choro para te irritar”.


- “Se já fizeste tudo o que podias para que eu me calasse e eu continuo a chorar, pega-me simplesmente e conforta-me.”


- “Sorri para mim, ri-te, canta, embala-me, dança comigo ou fala-me suavemente. É assim que o nosso amor vai crescendo”.





Bibliografia: Direcção Geral de Saúde, Kid’s Health for parents, Public Health Agency of Canada.


Como comunicar com o meu bebé?


A comunicação de 1- 3 meses





























Promoção da Saúde Mental na Gravidez e 1ª Infância

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entro de Saúde de Águeda

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omo comunicar com o meu filho até aos 3 meses ?



Estes 1ºs meses são um tempo de grande excitação para os pais. Nesta altura, o bebé já reconhece a mãe e o pai, já ri e chora espontaneamente. A sua personalidade já começa a evidenciar-se, estando cada vez mais atento a tudo o que se passa à sua volta, tornando-se assim um membro activo da família.



Como é que o meu bebé comunica?


O choro, durante largos meses, vai continuar a ser o seu meio privilegiado de comunicação. Através dele, vai dar-lhe a entender se precisa de alguma coisa; poderá também chorar quando está a ser “bombardeado” por demasiados estímulos visuais e auditivos, o que o pode deixar confundido em relação ao mundo que o rodeia. Por vezes, também pode chorar sem nenhuma razão aparente. Tente não ficar muito ansiosa(o), se for este o caso, e não conseguir acalmá-lo.

O seu bebé, ao reconhecer o som da sua voz, poderá ficar

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mais calmo, sorrir, ou ficar excitado mexendo vivamente


As interacções que estabelecer, desde cedo, com o seu bebé vão permitir que ele cresça com um sentimento de segurança, confiança na relação com os outros e com curiosidade e desejo de explorar o mundo que o rodeia.





Devo ficar preocupada(o)?


Deverá falar com o seu médico se lhe parecer que o seu bebé chora durante demasiado tempo ou se o seu choro lhe parece esquisito. Ele poderá tranquilizá-la ou então encontrar alguma razão para que tal esteja a acontecer. A maior parte das vezes não se passa nada de errado e, ao ter a certeza que está tudo bem com o seu filho, isso pode ajudá-la a relaxar e a permanecer calma quando o bebé estiver inquieto.


A nível da comunicação, há algumas etapas que o seu bebé provavelmente irá atingir durante este período. Nesta idade, normalmente os bebés são capazes de:

- prestar atenção a caras novas e ao que está à sua volta;

- reagir a grandes barulhos;

- sorrir ao ouvir a voz dos pais;

- sorrir para outras pessoas (cerca dos 3 meses);

- galrear a partir dos 3 ou 4 meses.


Tenha sempre presente que os bebés, tal como as crianças, não se desenvolvem todos ao mesmo tempo. Normalmente não há nenhuma razão para preocupações mas é sempre bom ir falando com o seu médico, sobretudo se o seu bebé ainda não tiver atingido alguma destas etapas.


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chorar para descarregar algum excesso de energia. É comum que alguns bebés passem um período de inquietação ou “rabugice”, sempre à mesma hora da noite, geralmente a partir do meio da noite até ao amanhecer. Apesar de ser desagradável para todos, normalmente esta fase é ultrapassada em pouco tempo, geralmente a partir dos 3 meses. Há coisas que poderá tentar para acalmar o bebé. Alguns reagem bem ao movimento quando são embalados ou quando são passeados ao colo para trás e para a frente dentro do próprio quarto; outros, preferem determinados sons, tais como música calma ou o zumbido de um aspirador. Por vezes demora algum tempo até que os pais descubram o que é que conforta o seu bebé durante estes períodos especialmente stressantes.



Porque é importante estabelecer uma boa comunicação com o bebé?


Cientistas têm demons- trado que uma comunicação adequada entre pais–criança e uma relação forte e positiva da criança aos pais (vinculação), são factores determinantes para o desenvolvimento psíquico e social da criança. Sabe-se hoje que uma ligação precoce da mãe ao bebé vai influenciar o seu desenvolvimento cerebral e contribuir para modular as emoções, o pensamento, a aprendizagem e o comportamento ao longo de to da a sua vida.

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os braços e as pernas. É natural que, durante este período, comece a rir-se sistematicamente para o pai e para a mãe. Contudo, é natural que não reaja da mesma maneira com estranhos, embora possa responder positivamente ao “cu-cu”, “té-té”. Nesta idade os bebés descobrem que conseguem vocalizar, ou seja, emitir sons. Alguns, por volta dos 2 meses, começam por a repetir sons de vogais (“ah-ah” ou “oh-oh”). O seu bebé pode “falar” consigo de várias maneiras: emitindo uma variedade enorme de sons, tomando a iniciativa de se rir para si e esperar pela sua resposta ou, simplesmente, respondendo com um sorriso às suas palavras. Os braços e as pernas mexem-se rapidamente e as mãos começam a abrir-se. Se se colocar perto dele, em frente ao seu rosto e se estiver bem atento(a), poderá até constatar que o seu bebé tenta imitar as suas expressões faciais (ex: abrir a boca, mexer a língua, abrir muito os olhos, etc.).


O que é que eu devo fazer ?

O seu bebé adora ouvir a sua voz, por isso, durante estes 1ºs meses, fale com ele, cante, emite os sons que ele vai fazendo e responda entusiasticamente aos seus sorrisos. Vá dizendo ao seu bebé para onde é que ele está a olhar, o que ele ou você estão a fazer.


Nomeie objectos familiares à medida que lhes vai tocando ou que os vai trazendo para perto dele (ex.: “ É a mão” , à medida que lhe toca na mão…; “É o biberão”, sempre que lhe for dar a água ou o leite…”). Apesar de ser um bebé ainda muito pequenino, isto irá ajudar a desenvolver o seu cérebro, ainda em crescimento. Ao ouvi-la(o) falar, o bebé começa a aprender a importância da linguagem, mesmo antes de compreender ou ser capaz de repetir quaisquer palavras.


Tire partido da “linguagem” do bebé para “conversar” com ele. Se ouvir algum som que o seu bebé tenha emitido, repita exactamente aquilo que ele fez e espere que ele “responda” com outro som qualquer. Deste modo, estará a dar-lhe valiosas lições acerca do tom, ritmo e de como esperar ou tomar a sua vez ao conversar com alguém. Estará também a transmitir ao seu bebé que ele é importante, na medida em que merece a sua atenção.


Não interrompa ou desvie o olhar enquanto o seu bebé está a “conversar” – mostre-lhe que está interessado e que ele pode confiar em si.

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Os bebés nesta idade parecem responder melhor à voz feminina, a qual está historicamente associada a conforto e comida. É por isso que muitas pessoas elevam e exageram o tom de voz quando falam para os bebés. Isto está correcto mas poderá também misturar palavras e tom de voz dos adultos. Embora pareça cedo, na realidade está já a preparar o caminho e a criar condições para as futuras 1ªs palavras.


Por vezes, os bebés têm momentos em que não lhes apetece “falar” ou vocalizar – até eles precisam do seu espaço!


Se o seu bebé se virar, fechar os olhos ou ficar irritado, não continue a insistir; deixe-o estar, ou aconchegue-o apenas no seu colo. Poderá apenas precisar de fazer um “intervalo” de toda a estimulação que recebe do mundo à sua volta. Poderá acontecer que o seu bebé continue a chorar, mesmo depois de lhe ter satisfeito as suas necessidades. Não desespere! É provável que possa ter sido demasiado estimulado, que esteja com cólicas intestinais, ou simplesmente precise de

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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Desigualde persiste nas juntas médicas

Desigualde persiste nas juntas médicas leonel de castro Decisões passarão integralmente para as mãos dos médicos Helena Norte Um trabalhador residente no estrangeiro que solicite junta médica com vista à aposentação não terá de pagar as despesas com o médico oficioso que o representará caso prove insuficiência económica. Essa possibilidade não está, porém, contemplada para quem resida em Portugal, mesmo que manifestamente não tenha recursos para pagar o clínico que o acompanhará na junta. Esta é apenas uma das discriminações contidas no projecto de lei que altera a composição das juntas médicas, na opinião da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública. A alteração legislativa visa a uniformização de procedimentos das juntas médicas da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e da Direcção-Geral de Protecção Social dos Funcionários e Agentes da Administração Pública (ADSE) e das comissões de verificação de incapacidades no âmbito da Segurança Social. Surge na sequência da divulgação de casos de trabalhadores, portadores de doenças terminais, que foram obrigados a manter-se em serviço pelas juntas médicas. A constituição exclusiva das juntas por médicos e a possibilidade de o doente indicar um médico para a junta de recurso são as principais mudanças introduzidas. Embora o objectivo seja a uniformização de procedimentos, o projecto de decreto-lei - que está, neste momento, em discussão pelas estruturas sindicais - contempla diferenças de tratamento que põem em causa a igualdade de acesso às juntas de recurso, na opinião de Manuel Ramos, dirigente da Federação de Sindicatos da Função Pública e da Frente Comum. O caso dos requerentes que morem no estrangeiro, isentos de pagamento do médico oficioso, só se aplica às juntas de recurso da Segurança Social. No caso das juntas da CGA, essa possibilidade não está contemplada. Tal como não está prevista para os trabalhadores que morem em Portugal e que são a esmagadora maioria. "Por que é que um carente económico que more no estrangeiro é tratado de forma diferente de um carente económico que resida em Portugal?", questiona o dirigente sindical que elaborou o contributo da Federação da Função Pública para a posição conjunta que a Frente Comum vai entregar ao Governo Outro factor que condicionará o acesso às juntas de recurso é a obrigatoriedade de pagamento dos custos do processo pelo trabalhadores, caso o pedido de reforma seja recusado. Além disso, compete ao trabalhador pagar ao médico que o representará, independentemente de ser por si escolhido ou designado pela respectiva administração regional de saúde. Outra desigualdade é as juntas de revisão só realizarem, na CGA, com a autorização por parte do Conselho Directivo da CGA, enquanto na Segurança Social tal não é preciso.

EXTRATOS DO LIVRO «Gritos contra a indiferença de Fernando Nobre»

Antes de abordar as questões bioéticas concretas com que se confrontam as organizações humanitárias, importa reafirmar, quanto a mim, que: a) compete ao médico, antes de tudo, proteger os que são mais vulneráveis; b) é essencial o respeito pelo direito humanitário internacional e pelos Direitos do Homem c) o direito à saúde é uma exigência fundamental se se quiser atingir o desenvolvimento. Assim, podemos afirmar que a bioética está certamente relacionada com a luta contra a pobreza e a vulnerabilidade, assim como ligada ao valor da vida. Hoje, as grandes questões bioéticas para nós, «humanitários», são, indiscutivelmente: 1- A questão da acessibilidade dos medicamentos (…) 2- A questão da ausência de pesquisa no que diz respeito às doenças esquecidas ou às doenças ditas órfãs. (…) 3- A questão dos ensaios clínicos. As experiências realizadas por certas multinacionais farmacêuticas (…) 4- O intolerável que é saber que diariamente morrem cerca de 40 mil crianças de doenças perfeitamente evitáveis (…) 5- A importância de lutar pelas acessibilidades para que um quinto da população mundial que vive com menos de um dólar por dia possa ter acesso às estruturas de saúde, aos alimentos e à água. 6- A importância da questão do tráfego do sangue e dos órgãos sobre o qual nos teremos de manter particularmente atentos. 7- A questão da vontade de apropriação , por algumas multinacionais, do mapa do genoma humano, assim como a questão dos organismos geneticamente modificados (…) 8- A questão da utilização do urânio empobrecido em armas (…) Para concluir, diria que é fundamental que regressemos ao legado da medicina hipocrática, na qual o doente estava no cerne das preocupações do médico. É fundamental também que se respeitem os princípios éticos da pesquisa médica e dos ensaios clínicos para todos. Efectivamente, como está escrito nos princípios de base da Declaração de Helsínquia, o bem individual da pessoa deve prevalecer, em qualquer ensaio clínico, sobre os interesses da ciência ou da sociedade. Em suma, é fundamental, estejamos nós no hospital ou numa instituição médico-humanitária, que não nos esqueçamos de que a razão de ser do médico é o desejo de atenuar o sofrimento e de lutar pelo doente. É isso que os humanitários fazem e continuarão a fazer e é por isso que pugnarão, como têm pugnado, pela defesa dos princípios éticos e bioéticos sem os quais a medicina não eficaz. É fundamental, pois, que possamos reafirmar os princípios da dignidade humana, da liberdade, da igualdade de direitos e da solidariedade entre os indivíduos e as nações que são o pilar da comunidade internacional. Nesse sentido, nós, os médicos, temos ou deveríamos ter um lugar ímpar na luta pela dignidade do Homem. É isso que temos de fazer e mesmo, se necessário for, manifestar toda a nossa revolta e todo o nosso repúdio por comportamentos menos claros e pouco éticos quando com eles formos confrontados. Temos de os denunciar para fazer que as tragédias futuras possam ser minoradas, ou mesmo evitadas. (…)

madalena

Madalena http://escritoresbr.wordpress.com/ Descai o sol nos olivais do monte. Colhe o gado o pastor. - Das largas eiras vêm vindo as filhas de Jacob à fonte com seu rítmico andar, entre palmeiras. Um rouxinol suspira num loureiro. - É nessa hora do ocaso, meiga e terna, Em que o sol busca o mar como um boieiro que vem beber à boca da cisterna. Passam Jesus e os seus. - Sião, Ramá as nostálgicas filhas de David dizem, na sombra, baixo: «Quem será este suave e místico Rabi?» Mas o sol cai nos olivais do monte Colhe o gado o pastor. - Das largas eiras vêm vindo as filhas de Jacob à fonte com seu rítmico andar, entre palmeiras. Da Galileia ao Monte de Carmelo, as judias, da sombra no mistério, dizem, baixo: «Que príncipe tão belo parece ser este Rabi tão sério!» - Ele é mais louro do que um Sol levante, mais meigo e casto que a mansa ave! Ele é mais belo que um rei distante! - «Quem será pois este Rabi suave?» Mas o sol cai nos olivais do monte Colhe o gado o pastor. - Das largas eiras vêm vindo as filhas de Jacob à fonte com seu rítmico andar, entre palmeiras. Madalena em Betânia, desatando seu cabelo, qual fúlgido lençol, limpa os pés do Rabi, humilde, olhando seus olhos cheios de domínio e Sol. Lança-lhe aos pés um bálsamo correndo, que Judas diz: do desperdício o cúmulo. - Mas o Rabi suave vai dizendo: - «Triste mulher! Ungiu-me para o túmulo!» Mas o sol cai nos olivais do monte Colhe o gado o pastor. - Das largas eiras~ vêm vindo as filhas de Jacob à fonte com seu rítmico andar, entre palmeiras. O lavrador, na tarde sossegada, dos mistérios sismando sobre a origem, vai andando e dizendo, sob a enxada: - «Quem será o Rabi pálido e virgem?» O pescador trigueiro das baías, deitando a rede diz olhando o rio: - «Quando virá o lúcido Messias? - Quem é este Rabi louro e sombrio?» O discípulo e apóstolo, cavado dos jejuns, a sismar sobre a doutrina, vai andando e dizendo: - «o Céu calado pode criar a encarnação divina?…» Pode o verbo ser carne? O Todo e o tudo tornar-se a Parte? um ramo de David! Ó Céu largo, ó Céu triste, belo e mudo! Quem é pois, quem é pois, nosso Rabi?» - Mas Madalena, num amargo choro, limpa os pés do Rabi, cheia d’amor, com seus longos cabelos feitos de ouro, e, baixinho, soluça: - «É meu senhor!» O Sol morreu nos olivais do Monte. Rompe o virgem luar. - Às largas eiras vão-se indo as filhas de Jacob, da fonte, com seu rítmico andar entre as palmeiras.

domingo, 15 de julho de 2007

José Craveirinha

José Craveirinha

InApto

InApto: "Os tiques ditatoriais do cidadão Sócrates e do séquito que o rodeia tentam através da intimidação silenciar a revolta latente na sociedade portuguesa "

Bar Velho Online

Bar Velho Online: "Sábado, Julho 14, 2007 Incrível 'Uma professora do 1.º ciclo, em Ovar, vai ter de regressar ao trabalho apesar de lhe ter sido diagnosticado três cancros. A junta médica deu a docente como inapta para o trabalho, mas alguém na Caixa Geral de Aposentações (CGA) riscou o ‘sim’ conferido à incapacidade de exercer as funções e substituiu-o por um 'não', acrescentando que “altero a decisão da junta, claramente houve um engano no auto”. Maria Conceição Marques, vítima de um cancro na mama, um no útero e outro na língua, terá assim de voltar a apresentar-se na Escola Básica do 1.º Ciclo da Regadoura, em Válega, em Setembro, só podendo voltar a apresentar um atestado médico um mês depois, segundo a edição deste sábado do ‘Jornal de Notícias’, que dá conta deste caso.' Fonte: Correio da Manhã Já disse o que tinha a dizer sobre estas situações vergonhosas e nada mais tenho a dizer, a não ser publicá-las para que muitos tenham conhecimento delas."

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Gmail - [MGFamiliar] Decreto-Lei, aprovado na generalidade para consultas, vem alterar a composição das juntas médicas

Gmail - [MGFamiliar] Decreto-Lei, aprovado na generalidade para consultas, vem alterar a composição das juntas médicas

Jornal de Notícias - Professora com cancro regressa à escola após recusa de reforma

Jornal de Notícias - Professora com cancro regressa à escola após recusa de reforma É mais um caso de uma professora que sofre de cancro e que a Caixa Geral de Aposentações (CGD) quer ver de volta à escola. O carcinoma tomou-lhe a nasofaringe e os tratamentos de quimioterapia e radioterapia a que foi submetida deixaram-lhe sequelas graves - confirmadas por especialistas em oncologia -, que a impedem de leccionar. Já fez dois pedidos de aposentação e ambos foram recusados. Na última junta médica a que foi sujeita, sugeriram-lhe - de forma quase insultuosa - que lavasse os ouvidos, arranjasse os dentes e fosse trabalhar. Certo, para já, é que em Fevereiro a professora deverá, obrigatoriamente, regressar à sala de aula.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Ordem mexe nas juntas médicas - por José Mota

Pedro Nunes, bastonário, diz que tudo mudará em três meses David Dinis À Ordem dos Médicos vai alterar a formação dos profissionais que integram as juntas médicas, de forma a evitar a profusão de casos de doentes que foram obrigados a voltar ao trabalho em condições de saúde nada recomendáveis. Nas últimas semanas, foram mesmo noticiados dois casos extremos, de professores enviados de volta às escolas a que estavam ligados, tendo acabado por falecer (ver texto ao lado). O bastonário da Ordem dos Médicos diz ao JN ter tomado conhecimento "de algumas queixas" já há "mais de um ano", tendo nomeado um "grupo de trabalho interno" para avaliar as mudanças necessárias. Ao caso, Pedro Nunes aponta desde já duas mudanças "Uma formação específica para os peritos, com competências em medicina da segurança social e dos seguros"; e também a "criação de critérios muito rigorosos" para as reintegrações". O bastonário garante que as medidas avançam não devido aos casos conhecidos ("não está em causa um caso específico, até porque há sempre direitos de recurso"), mas porque chegaram vários casos à Ordem que levaram a uma reavaliação. "Os trabalhos do grupo estão muito avançados", garante. Assim sendo, Pedro Nunes promete que as mudanças acontecerão "dentro de dois, três meses". Para progredir nesse sentido, a Ordem tem já marcada uma reunião com deputados do Partido Socialista, precisamente para discutir o que tem que mudar de modo a que os erros de avaliação das juntas não se repitam. Ontem mesmo, coube a Maria de Belém defender que não será necessário alterar a legislação para obter resultados "A questão não será propriamente da lei, mas de uma formação específica nas pessoas que integram as juntas", disse a deputada. Na mesma linha, até o ministério da Educação veio a público afastar as críticas que recebeu nos últimos dias. "É falso que as escolas tenham tratado estes professores de forma desumana; pelo contrário, elas procuraram mitigar os efeitos negativos resultantes das decisões das juntas médicas que recusaram as aposentações", dizia um comunicado do ministério, divulgado ao final da tarde de ontem. A morte que abala Braga À medida que o caso do professor da Escola Secundária Alberto Sampaio (ESAS)- a quem foi negada a aposentação, apesar da fase avançada do cancro na laringe- vai revelando pormenores e testemunhos, a indignação vai agitando a cidade de Braga. A vigília de segunda-feira já não se destina só à comunidade educativa do estabelecimento, mas a todos os docentes que queiram participar numa homenagem junto à escola. A história de Artur Silva levou, ontem, o CDS-PP a pedir esclarecimentos ao Governo, falando em "desumanidade atroz". A viúva de Artur Silva disse ao JN que a "injustiça" tornou mesmo mais dramáticos os últimos meses do marido, de 60 anos, metade dos quais ao serviço do ensino. "Só eu e ele é que sabemos a tristeza...", recorda Alexandrina Silva, que levará uma flor e uma vela à vigília marcada para as 19h00. Quando o segundo indeferimento chegou, assinado pelo director da Caixa Geral de Aposentações (CGA), em Dezembro de 2006, já Artur "estava nas últimas", depois de vários internamentos. Morreu um mês depois. Três meses antes, tinha escrito uma carta "dramática" àquela estrutura, pedindo a revisão do seu caso, já que a Junta Médica havia decidido negar-lhe a reforma sem nunca ter exigido a sua presença. O presidente da Assembleia de Escola, João Lucas, insiste na incapacidade do professor, desde que a cirurgia à laringe lhe tirou a voz e o obrigou ao uso de um aparelho. "Como é que um professor de Filosofia podia dar aulas, sem o seu principal instrumento pedagógico?", questiona. Mesmo com as inúmeras Juntas Médicas afectas à DREN que, antes, lhe possibilitaram tirar os 36 meses máximos de baixa, a CGA entendeu "não haver justificação" para rever a decisão. O Executivo da ESES, com apoio da DREN, permitiu-lhe estar sem funções lectivas desde a primeira recusa, em Maio de 2006, até Setembro do mesmo ano. "Depois disso já podia requerer outra vez um atestado, mas não chegou a ser preciso, pois, desde então, o estado de saúde agravou-se até à sua morte", contou a presidente, Manuela Gomes. Denisa Sousa

Juntas médicas tecnicamente obsoletas e desumanas por Joao Araujo

2007-06-22 10:15 Quem conhece a realidade vivida por um doente terminal que, por ridiculas razões legais, é sujeito a juntas médicas como forma de poder valer os seus mais elementares direitos de saúde e protecção no trabalho, tendo como entidade patronal a administração pública, não pode acreditar numa única palavra da história que o governo agora veio contar, para salvar a face da Caixa Geral de Aposentações. Quem, por si ou por familiares seus, conhece as práticas das juntas médicas (nomeadamente as realizadas no Hospital Julio de Matos, em Lisboa), bem sabe daquilo de que fala a filha desta professora. Insensibilidade, arrogância, ignorância técnica atestada pelo desprezo por relatórios e outras peças da autoria de especilaistas, etc. Só a extinção destas mesquinhas e "kafkianas" juntas médicas (onde os interpretes surgem preocupados com a sua distinta missão de funcionários públicos delatores dos preguiçosos), com consequente substituição pelos próprios serviços hospitalares escolhidos pelo paciente/trabalhador, desde que especilaizados na patologia, poderá assegurar a quem sofre um tratamento digno e próximo, ainda que tudo isto servia apenas para efeitos burocráticos e administrativos.

sábado, 16 de junho de 2007

La Maleta: Seminário Internacional "Conversas em (Grande) Roda - Desafios da Interioridade e das Periferias"

La Maleta: Seminário Internacional "Conversas em (Grande) Roda - Desafios da Interioridade e das Periferias": "Quinta-feira, Abril 05, 2007 Seminário Internacional 'Conversas em (Grande) Roda - Desafios da Interioridade e das Periferias' De forma a completar o artigo sobre o Seminário Internacional a realizar nos dias 12, 13 e 14 de Julho, em Nisa, disponibilizamos a ficha de inscrição e respectivo programa do encontro. posted by Rogerio Duarte Silva at 3:20 PM "

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Baixas "Fraudulentas" : quem perde e quem ganha

COM O CORTE SISTEMÀTICO DE BAIXAS aos doentes, (processo camuflado sob a designação de baixas fraudulentas) a segurança social poupou 2 milhões de EUROS, subtraídos ao subsídios que deveria pagar aos doentes. E quais foram os custos? Ninguém estudou o assunto. Ninguém estudou, por exemplo, o impacto negativo que a presença de trabalhadores doentes pode ter na produtividade das empresas. È uma questão abordada hoje , Quinta, 14 Junho 2007, no jornal de negócios on-line: «Um estudo da consultora económica Econtech sobre a realidade australiana concluiu que o custo global do presentismo para a economia daquele país em 2005/06 foi de 25,7 mil milhões de dólares, ao passo que o do absentismo foi de sete mil milhões de dólares. Ou seja, o custo económico associado ao presentismo é quase quatro vezes superior ao do absentismo. Estes resultados são consistentes com os estudos existentes para o universo dos EUA, onde o custo estimado do presentismo é três vezes mais elevado do que o do absentismo. As despesas calculadas para o presentismo tiveram em conta os custos directos e indirectos do presentismo para as empresas e economia da Austrália. Assim, 68% do custo total do presentismo é tido como custo directo das perdas de produtividade no local de trabalho e 32% é o custo indirecto em que se incorre à medida que as quebras de produtividade se reflectem na economia. Segundo os autores do estudo, "negligenciar o custo indirecto pode subestimar grandemente o custo total do presentismo". »http://www.negocios.pt/default.asp?Session=&SqlPage=Content_Empresas&CpContentId=297550 Em 10/06/07, ze tovar escreveu: A quem aproveita o crime? SIC http://sic.sapo.pt/online/noticias/vida/20070522+Baixas+fraudulentas.htm Publicação: 22-05-2007 08:56 Última actualização: 22-05-2007 08:56 Baixas fraudulentas Estado combate tentativas investigando 500 pessoas por dia A Segurança Social está a investigar 500 pessoas por dia. De acordo com o "Diário Económico", o Ministério do Trabalho e Solidariedade Social quer reduzir o número de baixas fraudulentas. Em Abril, cerca de 31 por cento das baixas investigadas não estavam legais. SIC Um terço destes beneficiários investigados acabou por perder o subsídio porque estava apto para trabalhar. Os dados da Segurança Social mostram ainda que das mais de 60 pessoas chamadas às juntas médicas, 31% estavam a receber indevidamente subsídio por doença. Com estas operações, a Segurança Social poupou dois milhões de euros.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Sancho de Tovar

um poema do nosso Sancho de Tovar
noCancioneiro Geral de Garcia de Resende
(publicado em 1516).
Deve tê-lo escrito enquanto esteve na corte,
entre a chegada a Lisboa porvolta de 1480
e a partida para o brasil em 1499.
Aqui está um link para a edição original no Arquivo Nacional:http://purl.pt/12096/4/P303.html
E esta, hem...?Mi
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sexta-feira, 25 de maio de 2007

baixas fraudalentas

Sobre o artigo do Diário Económico de 22/5/2007, pgs 11/12 intitulado "Cortadas 15 000 baixas fraudulentas" ( http://pt.cision.com/online/oo/OOtiffpdf/2007522238298504262.pdf ): " Dizem que a estatística é como os biquínis, esconde o essencial. Mas às vezes não é bem assim. Vejam esta questão que surge no artigo do DE acerca das «baixas u»: «quase 107 mil baixas por doença, sendo a maioria (64 690) atribuída a mulheres. Segundo dados da Segurança Social, a maior parte dos beneficiários de subsídeos de doença (cerca de 14.700) tinha em Abril idades compreendidas entre 50 e 54 anos.» Como é que vocês explicam isto? ao chegar aos 50 as mulheres (e os homens) tornam-se mandriões e fraudulentos? Pois eu conto-vos como é que acontece. Trabalho em Águeda, uma zona caracterizada pela pululação de pequenas empresas, onde ainda há bem poucos anos o desemprego era mitológico. Naturalmente, a oferta de emprego fácil atraía miúdos para quem a escola era uma chatice e uma frustração, facilmente trocável por um ordenado e estatuto de adulto. Operários não diferenciados ganhando o dia a dia em troca da força física, nas fábricas de tijolo ou, geralmente em melhores condições mas ainda à base de força física, na metalurgia. Aos 40 anos, mais marcadamente nas mulheres, começam as algias daqui e dali, os «não aguentar o ritmo» uma ou outra baixa curta com forte penalização económica, mais uns comprimidos e umas injecções e vai-se aguentando. Aos 50 estão arrumadas, impossível aguentar o ritmo numa cadeia de produção que não permite atrasos. São um estorvo, como os encarregados não se escusam de explicitar em piropos: «pensas que estamos aqui a alimentar mandriões?» «achas que estás numa instituição de caridade»? » «se não podes trabalhar vai para casa!» . Vêem ter connosco, lavadas em lágrimas, destruídas por dentro e por fora, ficam de baixa. São chamadas a uma junta médica, são de novo insultadas e maltratadas (e nós também, embora não estejamos lá para ouvir) e cortam-lhes a baixa. Onde está a fraude? Bem sei que a despropósito, mas não me saem da cabeça aqueles versos do «D. Jaime»: «Mentis, Senhor D Alcaide, mentis, senhor D. Vilão! El-Rei de Castela é nobre, não manda insultar um velho. Pode mandá-lo ser pobre. Matá-lo à mingua de pão. Mas mandar que um pai entregue o seu próprio filho, isso não!» Bolas! Fraudulenta? eu? Maria José Tovar (médica de família)

terça-feira, 1 de maio de 2007

Maria , acerca da fotografia: Tirei a fotografia para a pedido dos meus tios que foram para o Brasil. Estes sapatinhos fazem-me lembrar – a minha mãe foi pedir os sapatos à cozinheira do Conde (que tinha uma filha da mesma idade) para tirar a fotografia - mas não me deixou levá-los calçados até ao fotógrafo, para não os estragar – e depois onde é que tinha dinheiro para pagar uns sapatos? Escola? andei a guardar a gado -para a mãe da Sr.ª Isilda - andava a guardar a vaca taurina que se chamava marradas... 2007-04-23
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terça-feira, 17 de abril de 2007

Segunda-feira, 16 de Abril de 2007 HISTÒRIAS DE GENTE COMUM 1- Ouvi esta história no dia 10-4-2007. Contou o Sr. José Sousa, conhecido por Zé Pintor, residente na Borralha. Tem 76 anos agora, por isso a história refere-se à década de 30. Reproduzo de memória. «Sei ler, escrever e contar e tenho uma profissão, sem nunca ir à escola. Foi assim: nasci para os lados de Penela, num lugar que já não existe. O meu pai tinha a 4ª classe, coisa rara na altura. Sempre teve muita vontade que eu e o meu irmão estudássemos. Quando eu era pequenito costumava dizer a brincar: “tiras a quarta classe e ainda podes ser escrivão do Juiz!”. Quando fiz 7 anos matriculou-me na escola em Penela. Para ir para a escola era preciso andar pelos campos e atravessar um pinhal. Ora no pinhal havia resineiros, que com as suas machadinhas abriam lenhos nas árvores e colocavam malgas de barro para recolher a resina. Um deles resolveu meter-se comigo: veio a correr para mim com a machadinha ameaçando: “olha que eu capo-te”. Corri até casa a chorar de medo. Tal susto apanhei que foi impossível convencer-me a ir à escola outra vez… O meu pai andava desgostoso. As pessoas por ali começaram a dizer que, se me levasse ao médico, talvez ele me tirasse o medo… e os meus pais resolveram experimentar. Marcaram uma consulta e no dia combinado lá fomos os três, meu pai, minha mãe e eu, ao doutor. O doutor ouviu, e no fim sabem qual foi a solução que me deu? “ se querem que o vosso filho perca o medo, têm de fazer o seguinte: alugam um quarto na vila, uma pessoa para tomar conta dele… e vão ver como deixa de ter medo de ir à escola”. O meu pai não se deu por achado. Disse que ia pensar no assunto, pagou a consulta e veio embora. Dinheiro para alugar um quarto? Não havia… Mesmo assim não desistiu de me ensinar a ler – encarregou-se ele próprio da tarefa. Ao fim do dia, depois do trabalho, lá vinha a hora da lição. A casa era escura e para nos alumiar só tínhamos uma candeia de azeite. Um dia , estava eu a ler e ele a alumiar as letras com a candeiazita. A frase era «o Azeite na madeira faz nódoa». Eu lia «o azeite na madeira faz nódia» . Uma e outra vez e eu a repetir a asneira… enervado, o meu pai ia bater-me, mas como tinha a candeia na mão deu-me mesmo com ela. Fiquei ferido na boca e na cara. A minha mãe acudiu logo aos gritos: «tu não és em condições de ensinar o menino!» . A minha mãe era minha amiga. Acudia por mim. Mal ou bem, fui aprendendo. Durante o dia trabalhava na terra, cuidava dos animais… Tínhamos uma terra nossa, que na primavera cheirava a carqueja, alfazema, hortelã e se enchia de flores: parecia um jardim. A uma dada altura o meu pai tinha plantado uma árvores de fruto. Um dia disse-me: é preciso construir um murozinho à volta das árvores para as proteger. Junta-me umas pedras para eu fazer os muros. Só que eu quis fazer eu próprio os muros: empilhei as pedras e uni-as com massa. Quando viu aquele trabalho o meu pai admirou-se. “olha que tu até davas um pedreiro!” disse. A partir daí, colocou-me como aprendiz com um pedreiro. Assim comecei na minha profissão, tinha eu então 12 anos» 2007-04-16 Publicada por MJTovar em 19:06

quarta-feira, 21 de março de 2007

Subindo
a
Serra
Velho e novo, tradição/modernidade
O Verde brilhante das hortas rasga as arestas negras da montanha
Cruzam-se olhares
Juntam-se ideias
Exploram-se novos caminhos Sob o olhar mágico de
S. Macário
Evocam-se outros poderes
a serra lança o seu eterno misterioso apelo

quinta-feira, 15 de março de 2007

O Novo Centro de Saúde X Comunidade[1] :Que Relacionamento? É um exercício relaxante pensar e descrever como será , no «Novo Centro de Saúde», este ou aquele aspecto do seu funcionamento, ou aqueloutra particularidade da sua estrutura ou organigrama. Ainda não contaminado pelas pequeninas quezílias e mesquinhices do quotidiano, o «Novo Centro de Saúde» é, essencialmente, o Centro de Saúde do nosso desejo.
(Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento, bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo num perpétuo movimento.)
Impõe-se no entanto construir a partir de uma base, e mesmo de um alicerce; o próprio sonho se constrói a partir das vivências reais, assim como o futuro de baseia no presente e se alicerça no passado. É do actual e do passado Centro de Saúde que vai nascer o novo, por isso importa perceber o que temos para imaginar o que podemos ter.
Como é hoje a relação do Centro de Saúde com a comunidade envolvente? Necessariamente, é a relação da parte com o todo, envolvido e envolvente: instalado num entre muitos prédios da cidade ou vila ou estendendo os braços até às aldeias afastadas , abandonadas já pelo padre e pela escola; e daí estendendo ainda os dedinhos móveis até aos recônditos do Portugal profundo, através da visita domiciliária. Ele próprio, Centro de Saúde, é animado por pessoas que emanam da própria comunidade envolvente : deixam o filho na escola local antes de vestir a bata, e provavelmente depois de a despir passam na casa da mãe a beber os últimos comentários e mexericos da vizinhança. Dias após dia, hora após hora, milhares de cidadãos de todos os escalões etários carregam dores e segredos que depositam nos ouvidos experientes do centro de saúde, na esperança de se livrarem dessas dores e segredos; em troca ouvem complicadas teorias e discursos só parcialmente compreensíveis, e uma receita de comprimidos mágicos para curar a doença. Entendimentos e desentendimentos, amores e ódios, cumplicidades e conflitos. E ainda uma rede complexa de relacionamentos com outros serviços, em inúmeras comissões, parcerias e projectos cuja eficácia passa muito mais pelo voluntariado e empenhamento, pela cidadania das pessoas envolvidas, do que pelo mandato superior que as organizou. È uma relação íntima, humana, próxima, profunda.
E agora? Que nos pode trazer de novo o ventre promissor do nosso Centro de Saúde Desejado? Que é que nos falta?
Parece-me ser óbvio que falta ESTRATÉGIA. Pensamento estratégico, que possa processar esta informação que entra, ou que se gera no próprio interior da instituição, geri-la e incorporá-la em projecto. Não um projecto predefinido ao pormenor, tal como o poderia conceber um engenheiro, ele próprio externo ao projecto, mas um projecto dinâmico, interactivo, dialogante com o contexto, capaz de processar e incluir contributos e redefinir percursos. Concretizando, o Novo Centro de Saúde organizado em pequenas unidades operativas que se auto- organizam em torno de um projecto contem a possibilidade/esperança de permitir a organização de «comunidades de práticas», organizações aprendentes . [2] É esta a verdadeira promessa de transformação: a presença de comunidades estratégicas permite que o no novo Centro de Saúde seja dotado de consciência e inteligência, relacionando-se de uma forma totalmente nova consigo mesmo e com os seus destinatários e parceiros.
Mas este é o Centro de Saúde do sonho… o problema é que o «desconhecido» pode arrastar atrás de si, não os Centro de Saúde dos nossos sonhos, mas o Centro de Saúde dos nossos pesadelos… e aí desfila a Procissão dos Medos. Estará em curso a pulverização dos Cuidados de Saúde Primários? Corremos o risco de desenvolver uma «Saúde a duas velocidades» podendo deixar de fora sectores da população mais frágeis? (Por exemplo: marginais, imigrantes, etc)A rede de indicadores a contratualizar será paralisante? Estas pequenas unidades operativas estarão menos defendidas de uma eventual tentativa de privatizar o Serviço Nacional de Saúde? Poderá o SNS ser controlado por interesses que nada tenham a ver com a saúde da comunidade?
Quanto a mim, os medos nunca deverão ser negligenciados . Será avisado transportar connosco, no processo de mudança , a malinha dos diabretes: mais capacitados estaremos para os exorcizar se os conhecermos profundamente.
E esta precaução é válida para cada um de nós, gente do terreno, obreiros e objectos da mudança. Porque o desafio passa pela nossa própria capacidade de nos deixarmos transformar mobilizando em nós a pessoa, o profissional e o cidadão. Nunca deixando de ser cidadãos num processo em que a cidadania é fundamental para a libertação. Nunca deixar de ser pessoas, num processo em que é essencial sermos nós próprios, coerentes e presentes, em permanente diálogo com o Outro. E profissionais, profissionalmente estrategas, na busca de soluções para os problemas.
Neste difícil e arriscado processo de construção do futuro será necessário jogar todos os trunfos. Parece-me a mim que o maior trunfo está contido no próprio futuro: porque logicamente o Centro de Saúde de Futuro destina-se a relacionar-se com a Comunidade do Futuro. Quer isto dizer que não são apenas os serviços que estão em mudança: pescando bocadinhos de futuro podemos já sentir grupos de cidadãos mais esclarecidos, organizando-se em embriões de movimentos de cidadania. É daqui que deve surgir a pressão para uma verdadeira transformação nos serviços, dialogantes e voltados para uma comunidade que exige dialogar e participar. Um serviço de saúde que não é só para a comunidade: emerge da própria comunidade e é apropriado por esta.
Calo-me aqui e deixo aos poetas a missão de anunciar o futuro. Deixo-vos com António Cardoso Ferreira:
Dizemos então Pessoa, cidadão, comunidade
Saúde, educação, ecologia
Liberdade, paz, desenvolvimento
Consciência, afecto, interacção
Alegria e bem-estar e mais-ser
Depois fazemos tranças com estas palavras
E elas dançam por dentro dos nossos corpos
Palavras geradoras de mudança
Pontas de dedos tacteando
A fresta de sol que surge
Quando a esperança se entorna pelo mundo
Como se fosse uma janela
Que começa a abrir-se devagar.
(in: http://www.direitodeaprender.com.pt/revista04_01.htm ) [1] Uso aqui o termo «comunidade» para falar de pessoas que habitam o território específico onde o Centro de Saúde está mergulhado, independentemente de qualquer outra característica ou património «comum» que possa unir estes habitantes . [2]« No contexto dos Cuidados de Saúde Primários propomos uma definição mais ampla e socialmente utilitária das Comunidades de Práticas (COPs); assim, consideramos as COPs verdadeiros «Espaços Humanos» criadores de profissionais experientes e críticos, logo cidadãos, que narram e dão sentido ao Conhecimento, à Aprendizagem e às Competências, e que visam a construção de soluções e a geração de valor, traduzíveis em cuidados de saúde, para as populações que servem. As dinâmicas de funcionamento de uma COP podem ser caracterizadas sinteticamente do seguinte modo: 1. Prática de negociação, de reflexão, de aprendizagem partilhada, 2. Identidade pessoal enriquecida (estímulo permanente à construção do self)4, 3. Pertença a uma equipa, cuja cultura é também construída pelo indivíduo, que procura soluções comuns, de forma coesa e convergente.» (HORÁCIO COVITA «O papel das comunidades de práticas na prestação de cuidados de aúde primários» http://www.apmcg.pt/document/71479/878521.pdf

sábado, 3 de março de 2007

Atribuir 0,5 por cento do seu imposto ao ICE - Instituto das Comunidades Educativas O prazo para entrega da declaração de IRS, pela Internet, de trabalhadores dependentes e pensionistas, começa a 10 de Março e termina a 15 de Abril. Está na altura de apresentar o seu IRS. Aproveite a ocasião e ajude uma Instituição Particular de Solidariedade Social. Parte dos seus impostos pode ajudar uma Instituição Particular de Solidariedade Social à sua escolha. Para isso, é necessário, apenas, indicar a denominação e o NIPC da entidade a quem pretende atribuir 0,5 por cento do seu imposto no Anexo H, Quadro 9, Campo 02 do formulário. O n.º 6 do artigo 32º da Lei n.º 16/2001, de 22 de Junho, declara que o contribuinte que não deseje destinar uma quota do imposto para fins religiosos ou de beneficência, a uma igreja ou comunidade religiosa radicada no país, poderá fazer uma consignação fiscal equivalente a favor de uma pessoa colectiva de utilidade pública de fins de beneficência ou de assistência ou humanitários ou de uma instituição particular de solidariedade social. Lei n.º 16/2001, de 22 de Junho . Já agora, se não têm nenhuma associação amiga autorizada a receber esta contribuição, escolham os meus amigos! (ICE - Instituto das Comunidades Educativas - ver divulgação a seguir). Para isso, No Anexo H - Quadro 9 (Consignação de 0,5% do Imposto Liquidado) - Campo 901 - insira o NIPC da ICE -instituto das comunidades Educativas: 502827564 Não pagam nada por isso: é só meio % que em vez de ser gerido pelo ESTADO é entregue directamente a uma associação de utilidade pública reconhecida. SOBRE O ICE- Instituto das comunidades Educativas ICE – Instituto das Comunidades EducativasRua Nossa Senhora da Arrábida, n.º 3/5, r/c2910-142 SetúbalTel.: 265542430/7Fax.: 265542439E-mail: ice@netvisao.pt (podem ver mais na internet; tem muitas coisas sobre os projectos do ICE espalhados pelos cantos do país profundo) O ICE – Instituto das Comunidades Educativas – é uma associação de âmbito nacional, de utilidade pública sem fins lucrativos, com o estatuto de ONGD e sede em Setúbal. Tem como finalidades a organização, gestão, animação e apoio a projectos de intervenção, investigação e desenvolvimento, no âmbito educativo, cultural, social e económico. Constituído a 15 de Julho de 1992, é o resultado da confluência de projectos de intervenção e do envolvimento e articulação de autarquias, instituições académicas, personalidades ligadas à cultura e educação e diferentes ONG’s Estrutura da sociedade civil, o ICE define como principal objectivo e razão de ser o combate contra a exclusão social, promove a cultura educativa e o desenvolvimento integrado local em Portugal – combate a que se associa a solidariedade de princípio com as problemáticas do desenvolvimento e educação dos países de língua oficial portuguesa, bem como o intercâmbio e a articulação com projectos e instituições de desenvolvimento local e educativo da Europa. Elege, como objecto privilegiado de intervenção, a comunidade local, na perspectiva da sua afirmação e desenvolvimento. Trabalha a dimensão educativa, enquanto vertente de um desenvolvimento que só pode ser integrado e sistémico. Entende como dimensão educativa os níveis de educação formal, não formal e informal, considerados na sua interdependência mas também na sua autonomia relativa. Assume como seu quarto princípio e traço de especificidade, o reconhecimento e a recuperação da diferença que a diversidade implica. Ao longo da sua existência tem desenvolvido projectos apoiados por programas de financiamento europeus (GRUNDVIG, SOCRATES, EQUAL, POEFDS) e nacionais (LUTA CONTRA A POBREZA, SER CRIANÇA, SIQE) a maior dos quais como entidade interlocutora/promotora. As investigações que conduz e conduziu traduziram-se já num significativo número de publicações com contributos no domínio da formação, da educação, do desenvolvimento local e da animação comunitária. Anima várias redes de parceria onde se acham implicadas autarquias, colectividades, associações, escolas, universidades e serviços públicos. Cerca de 60% do seu volume de trabalho é assegurado em regime de voluntariado. O lema do ICE é "dar espaço ao local, tempo à sua afirmação e poder ao seu poder". A educação formal e não formal são consideradas manifestações interdependentes no processo educativo.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

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