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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Agricultura Tradicional em Covas do Monte: Comissao de Agricultura da AR esteve em Covas do Monte

Agricultura Tradicional em Covas do Monte: Comiss�o de Agricultura da AR esteve em Covas do Monte
segunda-feira, 26 de Abril de 2010 Comissão de Agricultura da AR esteve em Covas do Monte Conhecer a agricultura que se faz em espaços de montanha, os seus problemas e as suas possibilidades, foi o motivo que levou a esta comissão da AR a deslocar-se a Covas do Monte. São locais como este que muitos de nós gostamos de visitar e de usufruir, que no mundo actual correm sérios riscos de desaparecer. Tudo é de tal maneira normalizado e standartizado que começa a não existir lugar para o diferente e o específico. Como fazer coexistir a especificidade de Covas do Monte na panóplia de regulamentos da CEE? Será Covas do Monte um lugar agrícola e/ou turístico? Haverá aqui turismo sem agricultura? Que agricultura, que turismo? Que tempo terão as suas gentes para se adaptar a novas realidades? O debate foi interessante, será que dará frutos? Nós vamos continuar a alimentar a rede de pessoas e instituições que nos últimos tempos tem conseguido que Covas do Monte esteja no centro deste debate. Publicada por Vítor Andrade em 16:17

sexta-feira, 26 de março de 2010

A Escola, a Aldeia, a Rede e o Pensamento Estratégico

De Penacova ao “Portugal Tradicional” Vítor Andrade, do ICE (Instituto das Comunidades Educativas), fala de Desenvolvimento Local
1 – Penacova: a Escola e o Desenvolvimento Local
O início deste percurso reporta-se à minha entrada no ICE (Instituto das Comunidades Educativas) em 1996 - em Penacova, no projecto Escolas Rurais
Entrei na perspectiva de tentar perceber como as coisas se organizavam à minha volta e nos espaços que ia ocupando – na escola onde desenvolvia o meu trabalho e nas reuniões inter-equipas onde tentava perceber o que era o ICE - foi uma fase de aprendizagem muito intensa, porque estava a viver coisas novas, realidades e perspectivas que me questionavam.
A primeira questão orientadora pode formular-se deste modo: Pode a Escola educar/desenvolver a comunidade?
Ou, mais específicamente: – A ESCOLA, enquanto estrutura exterior – vista como Sistema Educativo/ enformada pelo exterior, isto é, por uma política de educação que é Nacional, não enformada pela comunidade local - pode desenvolver essa comunidade?
É uma questão que não tem uma resposta única, as coisas não são lineares...
O que é, de facto, o “Local” ?
A interpretação do “Local” é uma construção que depende do ponto a partir do qual se age.
Para o Estado, o local é Portugal...
Para a Europa, o local é Europa...
Se nos colocarmos numa perspectiva do Universo, a Terra é um “local” dentro desse Universo. Nesta perspectiva o local é onde agimos e a nossa capacidade de acção está directamente ligada ao lugar que ocupamos.
De facto, a Escola não se pode considerar completamente exterior ao local, à comunidade...no entanto os processos são enformados pelas directivas centrais e não pelas redes de relações e significados locais. O professor que personaliza a escola no local, é organizado por uma estrutura central, não pelas relações locais A ESCOLA ao tocar as pessoas não é nula, provoca mudança na comunidade em que se insere...mas não se trata de uma dinâmica de desenvolvimento daquele espaço, não se trata de um processo de “Desenvolvimento Local”. Na minha concepção, o “Desenvolvimento Local” é mais a dinâmica das pessoas, das suas relações dentro do espaço e do modo como essas relações se organizam a partir da forma como interpretam o exterior. Como é que se pode alterar a situação? Como é que a Escola pode trabalhar o meio, pode não investir na formação do aluno mas mexer com a comunidade? Pode a escola ter, como campo de acção, a própria a aldeia? Desde cedo percebi que tinha de sair da escola e criar uma rede à sua volta que influenciasse a sua estrutura, o que não é fácil. Os processos de aculturação da relação Escola/Comunidade têm sido no sentido desta preparar os seus membros para actuarem na sociedade em geral e não a pensarem-se e pensar o local onde vivem. É criada a ideia que todos podemos fazer muitas coisas num local que não conhecemos ou simplesmente conhecemos intermediados. Nesta perspectiva o saber está desligado da acção. Para alterar isto a minha ideia seria fazer algo que não fosse escolar e centrado aí, convidar a escola a participar. Tentar um processo em sentido contrário, da comunidade para a escola. Desenvolver caminhos que conduzissem a Escola a processos de auto-questionamento, de aprendizagem. O que poderia ser mobilizador de uma identidade local? Memórias, desejos, afectos? A estratégia encontrada traduziu-se na organização da Feira de Artes e Cultura, onde moleiros, paliteiros e todos os que estão ou estiveram ligados à construção da identidade de Penacova podiam estar e participar com estatuto de igualdade em relação à escola. A Feira de Artes e Cultura, desenvolveu-se como espaço de mostra e auto reflexão que permitiu à comunidade local reconstituir a sua própria imagem, a forma como se vê... como chegaram ali e como se podiam imaginar a partir dali? Fez-se a Feira, no princípio virada para dentro. O que é que havia? Houve um esforço de escuta, de interconhecimento. As pessoas falavam da cultura como se já não existisse, como se fosse memórias. O interessante era como dar a essa memória, um novo sentido, um sentido de futuro? Assim, começámos a convidar pessoas do exterior de forma a quem estava no local se revisse com os olhos de quem vem de fora. É este, tal como vejo, o fio condutor do Desenvolvimento Local: o que o local pensa do exterior é o que permite organizar o local - sem o exterior, o local organiza-se num relação de fechamento sobre si próprio.
2 - COVAS DO MONTE : A ALDEIA E O DESENVOLVIMENTO LOCAL
Foi já com a bagagem do aprendido em Penacova que “parti” para Covas do Monte, uma aldeia onde já não havia escola.
O início é o mesmo: começando o envolvimento com as pessoas, tentando aproximar-me do local de forma a que as pessoas aí me vissem como um deles - passando muito tempo a ouvir e a falar, não demonstrando ter soluções – se viesse munido com a solução, isso seria criar mais dependências .
Como produzir um processo de auto-organização a partir da cultura local e dar-lhe um sentido? A importância de redes exteriores à aldeia.
O local é constituído por um conjunto de relações interiores e com inter-relações exteriores – neste caso, eu era um “exterior” que através de um processo de aproximação me vou transformando em alguém de pertença.
Temos, por um lado, o imaginário, as vontades, as memórias, os sonhos das pessoas que estão no local... do outro lado, a possibilidade de envolver pessoas exteriores. As pessoas “do exterior” vão entrar no processo como factor de reorganização do Local, na medida em que lhe trazem um novo sentido.
As pessoas não se organizam para nada, organizam-se com um sentido: se começam a chegar pessoas à aldeia, e procuram coisas que a aldeia tem, então vão dando a percepção de novos sentidos à aldeia e para quem a habita. Há uma reorganização do espaço em função, até, de algum retorno económico.
Mas como conseguir estabelecer pontes entre quem “está” e quem “chega”?
A estratégia do “Ouvir” não se fica só pelo ouvir, numa segunda fase passa-se mais para a conversa, introduzindo factores de organização nessa conversa.
Em Covas do Monte, um primeiro momento organizativo deu-se em torno do lagar: eu ouvia histórias do lagar, memórias e gostos... então porque não reconstituir o lagar? Para as pessoas da aldeia, a ideia do Lagar não tinha um valor objectivo, apenas afectivo. Mas quando pessoas de fora chegaram e começaram a ajudar a reconstituir o lagar, elas vieram dar um novo sentido à sua reconstrução – passou a ser uma realidade presente, algo que tinha valor, não era já apenas uma memória do passado transformou-se num valor simbólico da aldeia. Assim, toda a escuta e posterior conversa, foi um processo de eco-organização. Uma reorganização que veio dar novos sentidos às memórias, aos patrimónios culturais, dando-lhe um significado, um valor, um futuro.
Estratégia fundamental: conseguir alimentar redes. Eu não sou apenas o que sou, nem o que sei, sou também um conjunto de relações. Salto de um campo mais institucional, para as redes:
não me envolvo apenas eu , mas tudo o que está ligado a mim, e este é também o meu processo de desenvolvimento.
Compreender isto foi um salto na intervenção: Em Penacova não tinha, ou não tinha consciência, desta rede de conhecimentos, nem redes de organizações que me permitiram, aqui em Covas do Monte, mobilizar públicos...
Nem todos os públicos são mobilizáveis para todas as situações. Eles implicam-se seguindo causas que perseguem. Temos sempre que ter essa percepção e tocar aqueles que nos parecem ser mais favoráveis.
O grupo dos auto-caravanistas é paradigmático – pela simples possibilidade de ficarem na Aldeia mais que um dia, passarem a noite – podem desenvolver contacto muito próximo, relacionamentos íntimos com pessoas do local... amizades, passaram a ter uma importância fundamental no imaginário daquelas pessoas e na sua reorganização do sentido de futuro
O mais complicado não é trazer estes públicos, não é trazer o exterior...o mais complicado é como é que o Local se reorganiza. Não se trata de uma complicação do ponto de vista material, mas sim cultural. Uma reorganização da cultura local pressupõe tempo e processos de liderança. Não há maneira de alterar nada sem alguém que vá reassumindo o processo... há que haver alguém que ponha os outros a fazer e não que faça por eles, que dinamize poderes e não relações de dependência.
O maior obstáculo: se entrarmos em sistemas formais, eles são tão complexos que não é possível a locais de pequena dimensão sobreviver no sistema.
Quer queiramos quer não, os locais já foram tão permeáveis a um padrão globalizante/ especializante, que têm tendência a organizar-se em função de um produto. A ideia que têm é a que para se desenvolverem é conseguir meter no mercado produtos feitos e transformados...
Ora, em espaços de pequena dimensão a especialização é justamente a diversidade... especialização é morte, nesses espaços. Mas o que está instalado é a cultura dos produtos: querem fazer um produto para vender, mas neste pequenos locais a produção é tão restrita que não é rentável.
O que se tem de meter no mercado é o processo que leva a esse produto – ao adquirir o produto, o público vai adquirir todo um processo cultural e isso tem outro valor: esse processo não existe for do local, para usufruir temos de ir ao Local, o processo é intransmissível. É no processo que está a cultura e a identidade das coisas e isto é o que me leva a ir ao Local e não adquirir numa prateleira de um supermercado.
Em Covas do Monte o processo passou por fazer das colheitas um momento atractivo para a aldeia. Como é que aquilo que fazem por necessidade, por trabalho, pode ser para outros, para o públicos que vêm do exterior, lazer de tal forma que pagam para participar?
Outra estratégia passou por transformar o trabalho de pastoreio num percurso pedestre... o trabalho do pastor passa a ser uma mais valia em função da captação de públicos.
Voltando a Penacova, dou um exemplo que ilustra bem este conceito. Ao procurar valores para animar a Feira de Artes e Culturas, puseram-me em contacto com uma senhora que faz artesanato de madeira que se usa no fabrico dos palitos: objectos artísticos, facas, moinhos. Esta senhora e a sua filha produzem estes objectos numa garagem, à porta fechada. Ora, eu sei que o maior valor do artesanato não é a peça, é o processo... estas artesãs estão a roubar o maior valor ao artesanato, ao trabalhar fechadas na garagem... porque o que está aqui é culturalmente o modelo da fábrica: apenas interessa o produto acabado que se coloca no mercado. Fazem peça a peça e só vendem a peça. Porque é que a associação local não passa a ser um espaço onde se faz artesanato, de forma que públicos exteriores possam assistir ao processo de fabrico? Por uma alteração da organização cultural o acto escondido de fabrico de artesanato passa a ser exposto, tornando-se num recurso de desenvolvimento da aldeia pela sua captação de público. O público tem de aí se deslocar, pois só aí poderá usufruir daquele bem que é o processo. Com pessoas lá podem surgir todo um conjunto de outras actividades económicas.
Isto é valido na aldeia ou no bairro da cidade... se criarem uma estrutura de identidade criam sustentabilidade, se se descaracterizarem e passarem a organizar-se apenas para servir e servirem-se do exterior esvaziam-se. Historicamente sempre assim foi, os pequenos espaços são estruturas de diversidade e de complementariedade.
Covas do Monte já percebeu isto.
O passo seguinte, em Covas do Monte, é deixar que o processo de desenvolvimento se torne autónomo. Desde o Verão deixei de alimentar o processo: estou a tentar que haja na aldeia alguém que faça a ponte com o exterior. Passo a ir a aldeia, passar-lhe os contactos, quem vai fazer os contactos são as pessoas de lá. O grupo de pessoas de Covas do Monte faz os contactos e eu passo a SURGIR NOS GRUPOS MAS CONVIDADO.
Por esta minha posição, os actores locais, notam uma redução de público e tem-me questionado. Agora a conversa tem decorrido à volta já não da reconstrução da memória e do que fazer na aldeia mas como continuar a atrair pessoas.
Como tem havido uma redução nos subsídios à produção de cabras, nesta altura grande parte do rendimento da aldeia já são os visitantes: o restaurante e o que se vende para o restaurante e nas pessoas que são chamadas para trabalhar em torno do restaurante e da associação. Os mais idosos já não podem fazer o pastoreio, no entanto ele é mantido pelas pessoas activas. O que leva estas pessoas a pastorear? Neste momento ainda é o rendimento que retiram dos subsídios, mas com a continuação da tendência de redução desta receita o pastoreio não compensará... apenas passará a compensar como elemento de identidade da aldeia. Se houver uma identidade própria, essa identidade traz o público... se houver público na aldeia há um conjunto de negócios que é possível fazer... desde a compra de refeições até um conjunto de outras novas actividades ligadas ao usufruto do espaço natural.
3 - PORTUGAL TRADICIONAL : A REDE E O DESENVOLVIMENTO LOCAL
É um projecto imaginado a partir desta ideia... a visibilidade que se pode dar a espaços como Covas do Monte, a espaços onde se produz artesanato no fundo fazer da produção o produto turístico... é fazer chegar a informação a públicos que procuram justamente estes espaços. Nesta época tão globalizada os processos locais atraem muito público.
Básicamente, o ”Portugal Tradicional” é um site... onde tem informação de locais, de pequenos projectos, de quintas... transforma o processo de produção num produto turístico. É uma tentativa de tornar visível, o que está oculto: os pequenos locais que doutra forma passam despercebidos.
Está organizado e dirigido a um conjunto de públicos que procura novas formas de fazer turismo e que está por aí a surgir. É a esse público que “Portugal Tradicional” se dirige.
O que me leva a ir às “Capuchinhas de Montemuro” comprar uma capa ou um casaco? Com certeza não terá a ver com a necessidade de me agasalhar do frio. Tem mais a ver com o contacto com as pessoas que o fazem, com a possibilidade de conviver com a cultura. Trago um casaco, mas trago muito mais que um casaco, trago uma cultura comigo.
Por parodoxo que pareça, somos mais solicitados, no “Portugal Tradicional”, por empresas especializadas em turísmo... as associações de desenvolvimento local ainda não viram o interesse desta rede para a sustentabilidade dos seus projectos. Parece que algumas Associações de Desenvolvimento Local têm algum pudor em assumir a dimensão económica, eu não tenho essa visão: a economia faz parte da nossa vida - descurar o factor económico no processo não permite a mudança - o que está no terreno tem de trazer mais valias económicas, ou as pessoas ficam permanentemente dependentes.
Começam a surgir novas oportunidades e novas olhares.
Por exemplo, em VALADARES, uma freguesia de S. Pedro do Sul. O presidente da Junta de Freguesia é técnico de turismo e assistiu ao processo de Covas do Monte e a tudo o que ele envolveu.
Em conjunto com o Centro Social de Valadares começámos a imaginar a constituição de uma cooperativa que organizasse a produção agrícola que ajude a estruturar os produtores e a organizar alguma produção local e que pressupõe a vertente turística na valorização e escoamento desses produtos. Logo que haja o mínimo de organização passa a ser um local do “Portugal Tradicional”
Outro exemplo, o de MACIEIRA DE ALCOBA: aqui o processo está mais adiantado. Existe um restaurante (cujo projecto se desenvolveu com apoio do Município) e algum alojamento de iniciativa privada. Em embrião está a ideia de a Associação Local dinamizar a reconstrução de moinhos de água e a transformação de um lago numa piscina natural.
Outra ideia que aí começa a ganhar consistência é a de conseguir os meios para fazer agricultura em terrenos que se encontram ao abandono. Para isso estão a contactar os seus proprietários no sentido de obter a sua cedência de utilização. Posteriormente os produtos serão de preferência consumidos no restaurante. Há também a ideia de alugar pequenas parcelas a quem pretender produzir alguns dos seus alimentos e fornecer os serviços necessários ao desenvolvimento dessas hortas aos seus locatários.
Como em todos os pequenos espaços a diversidade e a complementariedade são o suporte para a sustentabilidade.
Há sempre dois polos de intervenção: a rede que mobiliza os públicos, e o diálogo com quem está nos locais, ajudando a criar visibilidade, organizando os processos internos para que se transformem em mais valias, criando pontes entre o local e os seus públicos.
4- INTEREQUIPAS: ORGANIZANDO O PENSAMENTO ESTRATÉGICO
Durante todo o processo existiu um espaço fundamental que me permitiu questionar-me perante a diversidade: as reuniões inter-equipas do ICE . O ICE não é uma organização e homogénea é um espaço onde se discutem ideias e se reconstitui a estratégia. Um espaço de diversidade: onde cada um pode sentir “eu sou diferente e ainda bem”.
As reuniões inter-equipas provocam-me a sensação de desconforto/CONFRONTO, acordo/desacordo.
São enriquecedoras pela diversidade - pelo confronto – cresço eu próprio, desenvolvo a capacidade para argumentar as minhas ideias – e isso pressupõe um crescimento.
São espaços onde se organiza a reflexão sobre a prática, onde se argumenta a partir dela e se enforma a prática.
5 – DESAFIOS: ANTEVENDO FUTUROS
Não é por acaso que o meu símbolo é o moinho...
- é ver crescer um processo
- é ver o processo tornar-se sustentável pelas próprias pessoas
- ver um conjunto de pessoas no local a construir e a reconstruir-se
- é voltar a Covas do Monte como visita e ouvir as pessoas a falar dos seus lagares e dos seus projectos
- é cada vez conhecer mais processos e tentar percebe-los
Por que é que uns processos falharam e outros não?
Qual o ponto de viragem?
Vitor Andrade
Março 2010

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Querem saber por onde anda o Vitor Andrade do ICE? Procurem aquii

PORTUGAL TRADICIONAL
O projecto Portugal Tradicional, que teve a sua inspiração em experiências francesas homólogas de aproximação dos autocaravanistas às explorações agrícolas, pecuárias e especialmente de produção de vinhos. A modalidade adoptada pelo Portugal Tradicional , pretendeu-se mais informal, isto é, os utilizadores não necessitarão de qualquer inscrição prévia ou quotização. Pretende-se deste modo proporcionar a junção entre o autocaravanismo e os espaços genuínos do nosso país. Estes espaços são: quintas agrícolas, produtores de vinhos, criadores de animais, complexos de produção de artesanato, associações e projectos de desenvolvimento local, etc... Apresenta-se deste modo uma variante turística caracterizada pela mobilidade, a gentes e locais que anseiam pela presença de visitantes, com quem possam conviver e mostrar os seus produtos.
Este tipo de fórmula de dinamização do autocaravanismo em conjunto com os espaços rurais tem uma clara aceitação em França, através das fórmulas France Passion e Bienvenue à la Ferme. Estas redes de locais de paragem já contam com mais de 1300 espaços aderentes, e com um percurso que já conta mais de 15 anos repletos de sucesso.
Este projecto é o resultado de um convénio entre o Portal CampingCar Portugal (www.campingcarportugal.com) e a ANIMAR - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local (www.animar-dl.pt).
É esta faceta que atrai os milhares de autocaravanistas, portugueses e estrangeiros, que percorrem o nosso país durante todo o ano, sem influências da sazonalidade. Esta actividade turística envolve estatísticas impressionantes, ao nível do elevado crescimento anual que se verifica no número de adeptos.
QUE
VISITAR?
A aldeia das 2500 cabras Covas do Monte é uma pequena aldeia escondida num dos vales da Serra de São Macário, em São Pedro do Sul. É aqui que se encontra um dos maiores, senão mesmo o maior rebanho do país. Todos os dias, 2500 cabras saem de manhã para a montanha, num ritual ancestral de pastoreio comunitário que envolve toda a pequena povoação de apenas 56 habitantes. Ao fim da tarde, no regresso à aldeia, os animais parecem saber de cor o curral e a porta certa. Covas do Monte é uma aldeia de rosto antigo, onde se encontra ainda um Portugal raro e já muito distante.

sábado, 28 de março de 2009

ice/Instituto das comunidades educativas folha informativa


Publiquei aqui a folha informativa do ICE, para que fique acessível a todos. Ficou um bocadinho desformatada... mas mesmo assim poderá ser útil
26 de março de 2009 13:55

MARÇO 2009

Contamos consigo!

O apelo que lançámos em 2008 aos amigos do ICE para que afectassem 0,5% da massa

tributada, saldou-se por um considerável sucesso: recebemos mais de 14 mil euros, o

que significa que algumas boas centenas de pessoas responderam: “Presente”. (No ano

anterior, o primeiro em que tal funcionou, pouco mais entraram do que mil euros).

Está longe de ser suficiente. Pouco mais deu do que para cobrir as despesas que

temos com o aluguer das instalações que ocupamos.

Mas já foi uma grande ajuda e se todos os que em 2008 asseguraram este contributo, o

fizerem de novo este ano, conseguindo-se, em acréscimo, que pelo menos mais dois

amigos o façam também, poderemos, talvez receber o suficiente para suportar os gastos

correntes com o funcionamento.

É este o desafio que lançamos aqui e agora, recordando-se mais uma vez, que é esta

uma forma de apoiar o ICE sem que tal signifique um qualquer sacrifício pessoal: a

verba por esta forma afectada ao ICE – ou a qualquer outra instituição por que se opte -

não sai do bolso de quem faz a doação, sim do Estado.

Recorde-se que para a sua concretização basta que na declaração de rendimentos

entregue nas finanças, se preencha o anexo H - que se destina precisamente a

contemplar situações de benefícios fiscais como por exemplo os gastos com saúde e

formação – inscrevendo na segunda linha, do item 9, o número de contribuinte do ICE

(502 827 564) assinalando, com uma cruz, o quadrado que antecede essa linha.

Um Passo para a Viabilização

Económica do ICE

Dizíamos em Março de 2008, no número anterior desta publicação, que o momento era de refluxo social, com os profissionais fechados nas suas rotinas, afastados

de práticas cidadãs que conduzam à sua emancipação. Dizíamos também, que apesar dessa realidade, era francamente positivo o balanço que o ICE fazia ao trabalho que vinha animando.

Talvez por não termos desistido, talvez porque a adversidade ensina e consciencializa, a verdade é que hoje existem sinais de reacção. Que o diga o “boom” de professores e educadores que aderiram a vários dos nossos projectos; que o diga o movimento de pais

que em Santiago se erigiu em torno da defesa do projecto de intervenção precoce “Antes Que Seja Tarde”; que o diga o número crescente de apelos que recebemos para apoiar iniciativas orientadas para a mudança; que o diga, enfim, a autosustentabilidade

alcançada por muitas das nossas dinâmicas.

O medo não desapareceu. O fechamento das instituições sobre si próprias, em alguns casos acentuou-se. As condições de exercício de cidadania revelam-se cada vez mais desfavoráveis… Mas há no ar um “basta!” que começa a ser dito e que promete,

sem duvida um novo ascenso do movimento social.

Talvez não no imediato, mas inegavelmente a médio prazo.

Persistente no refluxo – como bem o mostra a riqueza das experiências que se descrevem nesta folha – está naturalmente o ICE preparado para contribuir para o

ascenso que se perspectiva.

Para tanto, temos apenas que ultrapassar as dificuldades que enfrenta ao nível da sua

sustentabilidade material – essa sim critica, ditadas que são por politicas de financiamento que tendem cada vez mais a privilegiar o Estado, a seguir as suas orientações e a favorecer um núcleo restrito de eleitos e favorecidos… tendência de que é um bom exemplo um projecto nosso que não foi financiado pelo IPAD, Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, não só por discordância com o paradigma que enforma a orientação da acção do ICE, como, sublinhe-se, pelo facto de não nos incluirmos no número de entidades que beneficiam do apoio dessa instituição publica (confessando, assim, explicitamente uma prática clientelista).Mas como diria Montalbon, “as viagens

precisam de obstáculos”.

FOLHA INFORMATIVA 3

Nota de Abertura

2

Desde 1994 que a ANIMAR – Associação de

Desenvolvimento Local, tem promovido e organizado um

evento de grande dimensão, em termos de

desenvolvimento local, a MANIFesta, - cuja congregação

de palavras significa, precisamente, manifestação em

festa. Este evento traduz-se numa grande manifestação

das organizações ligadas ao Desenvolvimento Local e

numa festa de raízes eminentemente populares.

A preparação e organização da MANIFesta de 2009,

actualmente em curso, assenta num figurino e numa

estruturação e participação diferentes das anteriores

passando, num primeiro momento, pela selecção de um

conjunto de organizações ligadas ao desenvolvimento

local, espalhadas por todo o país, as quais indicaram,

cada uma delas, uma pessoa para frequentar uma

Acção de Formação, com o objectivo de preparar

dinamizadores regionais (num total de 15), capazes de

fazer, a nível de cada local ou sub-região, o

levantamento, discussão, informação e mobilização das

pessoas, organizações, recursos, mostras culturais e

artesanais, produtos diversos, convergentes no sentido

da MANIFesta.

Durante os períodos da Prática em Contexto de

Trabalho foram organizadas pelos

formandos/animadores e pelas organizações que

representam, Assembleias Regionais em várias regiões

do país, nas quais participaram várias dezenas de

pessoas, traduzindo-se estas Assembleias numa

primeira manifestação da vontade das organizações do

poder local, em participar activamente no

desenvolvimento do seu local ou região. Estas

Assembleias foram, de facto, momentos de participação,

debate, reflexão, intervenção e articulação de

esforços, troca de saberes e de experiências; foram,

em suma, um contributo imprescindível para a procura

de uma planificação estratégica de intervenção no

desenvolvimento local, o qual culminará com a

realização da MANIFesta.

O ICE, enquanto Associação ligada ao

desenvolvimento local, participou, não apenas na

organização daquela Acção de Formação, mas também

na idealização do novo modelo conceptual por que

passa toda a envolvência organizativa e de mobilização

da MANIFesta 2009.

Estamos certos de que esta vai ser uma demonstração

de cidadania e da vontade das populações em participar

activamente na vida económica, social, cultural e política

do seu país, região ou localidade. Será, invariavelmente,

um importante contributo para que o conceito de

cidadania deixe de ser passivo e se torne numa

participação dinâmica, activa, actuante, interventiva,

legitimadora de direitos e deveres cívicos, galvanizadora

de vontades, criadora de condições para que cada

elemento da sociedade seja um cidadão de plenos

direitos, efectivamente igual perante a lei, dono do seu

próprio destino.

A MANIFesta 2009, que terá lugar de 22 a 24 de Maio,

será, enfim, um passo importante na conceptualização

de uma cidadania assente na igualdade, na fraternidade

e na dignificação da pessoa humana; uma cidadania

onde não haja uns mais iguais do que outros e o direito

ao trabalho, à educação e ensino, à saúde e à justiça,

seja uma garantia real e efectiva para todos e não

apenas para alguns.

O que contem de mensagem de resistência proactiva

está bem simbolizada no facto de o espaço escolhido

para a sua realização ser o Forte de Peniche que

“abrigou” os presos antifascista durante a ditadura.

Horácio Reigado

A defesa e promoção de um futuro alternativo para o mundo rural – a aposta numa nova ruralidade feita do

direito a uma vida de qualidade em meio rural – joga-se no presente, intervindo por mediação de pequenas

iniciativas que apoiadas no quotidiano tendem a recriá-lo…. iniciativas, diversas com diferentes pontos de

partida que vêm mostrar como diria José Fanha que “o infinito, afinal é já aqui da gente”

UMA NOVA ESCOLA COMUNITÁRIA

NASCE EM DEÃO

Na acção 3 do projecto “Iguais Num Rural Diferente” ,

financiado pelo programa EQUAL, envolveu-se a

Associação Juvenil de Deão na implementação de uma

Escola Comunitária no seu território. Ao ICE cabia e

coube o acompanhamento metodológico.

Após algumas reuniões de “passagem de informação”

em que os nossos parceiros demonstraram grandes

expectativas, surgiu um período de incertezas quanto à

sua viabilização. Isto não nos surpreendeu porque tanto

ou mais importante que um bom modelo conceptual é

depois o processo de como as pessoas se apropriam

dele e lhe atribuem sentido que determina o sucesso.

Também em Deão foi necessário começar por perceber o

que motivava e envolvia as pessoas. A verdade é que não

é suficiente disponibilizar recursos; é necessário, acima de

tudo, dar oportunidade a que as pessoas redescubram o

MANIfesta 2009 será em Maio na

Fortaleza de Peniche

Meio Rural em Movimento

3

que têm, a realidade em que estão inseridas, as

potencialidades que procuram ou que se lhes oferecem.

Foi o que aconteceu. Olhando para o próprio espaço que

já era a sua associação e para as iniciativas que a partir

dele podiam criar, deram origem a um processo de

animação organizado em torno de um pólo educativo

orientado para a estruturação de uma Escola

Comunitária.

Por caminho diferente, com práticas também diferentes,

recriava-se em Deão a dinâmica que conheceu e

conhece Carvalhal-Vermilhas, em Vouzela, dinâmica de

que deu se conta na Folha Informativa nº2.

Vítor Andrade

ROTA DA PEDRA,

UMA REALIDADE EM MARCHA

É possível trabalhar as potencialidades locais em grupo,

no colectivo, numa perspectiva de conhecimento em

rede, em que se valoriza o conhecimento de todos, em

que se partilham conhecimentos e consequentemente

se partilha poder, com várias pessoas, várias

instituições, vários grupos, crianças e idosos, faixas

etárias que geralmente estão fora dos processos de

desenvolvimento.

Tem sido a partir desta perspectiva de intervenção

comunitária que o Projecto Rota da Pedra tem vindo a

crescer. Através da recolha de património material e

registo do património imaterial que se vai desocultando

no território da pedra, em Sintra, num trabalho de ecoconstrução,

em que todos são importantes para a

viabilização da Rota da Pedra, delineada para divulgar

aspectos notáveis relacionados com a pedra existente

no Concelho de Sintra, possibilitando a visita a

formações geológicas, pedreiras e empresas de

transformação, monumentos, parques de escultura,

museus e oficinas, a Rota da Pedra irá promover um

conjunto de iniciativas que incidirão sobre a Geologia. a

Arte e a História.

Na sequência do percurso construído até à data por

todos os parceiros, com o Agrupamento de Escolas

Lapiás, com o Centro Internacional de Escultura, com as

Juntas de Freguesia de Montelavar, de São João das

Lampas, Santa Maria e São Miguel, Pêro Pinheiro,

Terrugem, de São Martinho e de Almargem do Bispo,

Museu Arqueológico de Odrinhas, com a Câmara

Municipal de Sintra, Escola Profissional de Recuperação

do Património de Sintra, foi possível identificar alguns

dos pontos visitáveis que farão parte da Rota, averiguar

a jurisdição dos pontos identificados, definir as

responsabilidades sobre cada um dos pontos da Rota da

Pedra.

Para dar corpo a este projecto e reconhecimento e com

o objectivo de um primeiro reconhecimento de todo o

trabalho que tem vindo a ser desenvolvido decidiu-se

arrancar com um circuito experimental da Rota da

Pedra.

A 7 de Janeiro do corrente ano um grupo de crianças,

pais, avós e uma professora, do Nordeste Alentejano,

também eles actores de processos de desenvolvimento

local na região, deslocaram-se a Sintra tendo tido a

oportunidade de explorar o património geológico e

ambiental do campo de Lapiás, de observar um local de

extracção de pedra, de visitar uma mostra de material

recolhido por crianças do Jardim de Infância de Pêro

Pinheiro e organizada pelos alunos do Curso de

Educação Formação Artesão Canteiro, de observar

estes jovens a trabalhar na oficina de Cantaria, de

conhecer o Museu Arqueológico de Odrinhas, e de

observar o trabalho de restauro que decorria na Escola

Profissional, de recuperação do Património de Sintra e

de visitar a exposição de esculturas e a oficina de

trabalho artístico com a pedra do Centro Internacional de

Escultura.

A sustentabilidade desta Rota procura ser assegurada

pelo recurso a uma associação envolvendo os vários

parceiros implicados.

Ana Cristina Oliveira

UM PASSO NA SUSTENTABILIDADE DO

MUSEU DA VINHA, DO VINHO E DA CULTURA

DA REGIÃO DEMARCADA DE COLARES

Percebendo que a requalificação do local depende,

antes de mais da acção dos seus actores e que estes só

ganham corpo e poder para produzir alternativas se

funcionarem em rede, o ICE, a Adega regional de

Colares, a Junta de Freguesia de Colares, os

proprietários da Adega Viúva Gomes, da Adega Beira

Mar, a Adega da Fundação Oriente e outras entidades

colectivas e individuais, entenderam como fundamental

para o desenvolvimento local a constituição/criação de

uma associação - a Associação Rota da Região

Demarcada de Colares que, na sequência de reuniões

efectuadas entre parceiros, já tem os estatutos

elaborados e prevê:

Promover o Enoturismo, realizando todo o tipo de

acções de cariz cultural e recreativo, adequadas a esse

fim;

Promover o acesso à cultura e enriquecimento do

património cultural;

Realizar animação sociocultural, dando corpo a

Workshops/Formação

E criar um espaço museológico, que preserve alguns

cenários tradicionais que possam constituir-se como

espaços de interpretação, para as novas gerações,

daquilo que é a cultura mais genuína do seu povo;

assumindo uma perspectiva de crescimento que permita

a médio e longo prazo ter sustentabilidade e

rentabilidade, acreditando que o local emerge e se

afirma através de redes de pessoas e estruturas que se

implicam na sua (re)promoção.

4

Um dos grandes desafios colocados ao mundo moderno

é a necessidade e urgência da protecção do património

cultural imaterial dos povos, que tende a ser aniquilado

pelo fenómeno da globalização. Este fenómeno, que

atravessa irremediavelmente todas as sociedades, tem

vindo a causar a extinção de modos de vida locais e o

desenraizamento das novas gerações em relação às

suas referências culturais.

De referir que todo este processo teve origem nas

escolas rurais de Sintra Litoral, sob o impulso de

crianças e professores que foram à descoberta de

tradições vitivinícolas locais, recolhendo memorias e

alfaias cujo acervo, enriquecido por doações e

empréstimos da comunidade, estiveram na base do

Museu que, itinerante mente, abriu portas na região.

Ana Cristina Oliveira

COVAS DO MONTE

UM FUTURO EM QUE TAMBÉM PARTICIPAMOS

Covas do Monte é uma aldeia do concelho de S. Pedro

do Sul, situada num vale da serra de S. Macário, região

que tem vindo a assistir a um acelerado processo de

desertificação humana, contando já com aldeias

abandonadas.

Em Covas do Monte vivem um pouco mais de 50

pessoas, entregues aos seus afazeres diários,

cuidando dos animais e mantendo os campos

cultivados. Em especial os mais velhos; os mais novos,

esses, sentem-se cada vez mais atraídos por outros

modos de vida e abandonam a aldeia.

Aquilo que permitiu a esta comunidade chegar aos dias

de hoje, por paradoxo, é o que mais a limita na sua

evolução. Regulada por regras ancestrais, o poder está

assente nos mais idosos e na família, no patriarca, o

que retira capacidade de intervenção aos jovens e a

todos os que de alguma forma, ali, pretendem intervir.

Perante estes factos ou nos resignamos e desistimos

ou nos aproximamos e procuramos as brechas onde

poderá haver uma possibilidade de construir algo.

Optámos pela segunda.

Ao fim de algum tempo e de muita escuta

descortinámos nas memórias daquela gente gostos

que poderiam ter futuro, interessando outras gentes de

outros contextos. Havia que criar situações que

aproximassem as pessoas e possibilitassem a empatia

necessária ao convívio.

Assim fizemos. Propusemos uma série de actividades

que possibilitassem a reconstrução da memória dos

locais e onde os visitantes são parte activa. Revisita-se o

passado, reconstrói-se património e reencontra-se-lhe um

sentido. São exemplos disso a reconstrução do lagar e

dos muros das ribeiras, o pastoreio das cabras, ou as

actividades agrícolas tradicionais…

Esta metodologia tem permitido o surgimento de uma

rede social, cada vez mais alargada, de apoio à

transformação da aldeia. Os envolvidos são os motores

do envolvimento de outros. E foi esta mesma rede que

ao chegar aos meios de comunicação social teve o

mérito de dar visibilidade à pequena aldeia de Covas

do Monte – as televisões dedicaram-lhe reportagens e

saíram notícias em jornais…

Com a visibilidade veio a curiosidade e o interesse:

estudantes universitários que escolheram a aldeia para

o local de estágio, caravanistas que se entregam ao

trabalho comunitário, apaixonados da natureza que

organizam a sua passagem de ano em Covas do

Monte.

O futuro de Covas do Monte continua, sem duvida, em

aberto e não o podemos antecipar… Mas de alguma

forma já estamos a participar nele!

Vítor Andrade

INTERACÇÕES E TRABALHO EM REDE

DE/NO NORDESTE ALENTEJANO

A região do Nordeste Alentejano, no trabalho que

desenvolve a partir de projectos sócio educativos, de

animação e desenvolvimento comunitário, definiu

quatro eixos que pretendem sustentar a sua

intervenção nos próximos meses, de modo a

consolidar a intervenção em diferentes territórios,

aprofundar as dinâmicas locais e contribuir para a

criação de redes de trabalho colectivo na região e com

outras regiões onde o ICE também intervém.

Assim, definiu como eixos estruturantes do trabalho as

seguintes actividades:

1. Realizações de encontros entre “regiões”, como

são exemplos:

- A experimentação de uma “Rota da pedra” em Sintra

com um grupo de visitantes da região de Campo Maior,

realizada em Janeiro. Encontram-se em fase de

estruturação outras duas que envolvem vários técnicos

e entidades de Sintra, como são exemplo: a Câmara

Municipal, a Junta de Freguesia de Montelavar, o

Agrupamentos de Escolas de Montelavar, empresas,

Escola Profissional, artesãos da pedra e Centro

Internacional de Escultura.

- Um outro campo de intervenção existe entre

professores e entre crianças, de Vouzela e Alpalhão,

mobilizados conjuntamente numa proposta em génese

para a musealização de um espaço a partir da

experiência realizada em Alpalhão. Pretende-se,

também, a implicação de outras agentes locais,

nomeadamente autárquicos e de equipamentos sócioculturais,

a partir de uma sessão em Vouzela

monitorizado pela museóloga da Câmara Municipal de

Nisa.

- A participação em mais “forúns do movimento

associativo da Baixa da Banheira” para a consolidação

de um projecto integrado que se encontra numa fase

de discussão muito participada, organizada em grupos

de trabalho multidisciplinares e multi-institucionais.

5

- A participação do Centro Internacional de

Escultura de Sintra e outros parceiros desta

região na Bienal da Pedra de Alpalhão/Nisa.

- A intenção de dar continuidade a um trabalho de

cooperação com a Região do Nordeste

Transmontano, recorrendo a visitas entre

técnicos e na troca de experiências em oficinas

de reflexão e estruturação da intervenção.

2. Realização de encontros entre técnicos em oficinas

de trabalho nos diferentes territórios.

3. Aprofundamentos das parcerias e do trabalho de

disseminação a partir de outras actividades como o

Roteiro dos Fontanários, o Roteiro das Igrejas, a

Dinamização de Serviços de Proximidades e o

Roteiro Ambiental, projectos que se desenvolvem

na região.

4. No acompanhamento e mediação das dinâmicas

em desenvolvimento nos territórios das diferentes

parcerias que sustentam várias redes de trabalho

local e entre locais.

Amândio Valente

QUINTA DA EDUCAÇÃO E AMBIENTE: A CAMINHO

DA AUTOSUSTENTABILIDADE

Uma das maiores fragilidades do ICE, é sem dúvida, a

pouca aposta que faz na viabilidade dos projectos que

anima. A capacidade de resistência de que dão

mostras, a maturidade e qualidade das reflexões que

produzem, o entusiasmo que pauta as suas iniciativas

reflectem, como facilmente se aceitará, o

reconhecimento da parte de quem neles participa,

reflectem o interesse que suscitam em quem os vive,

isto é reflectem a sua “visibilidade” para dentro… Mas

a visibilidade “para fora”, repita-se, não é cultivada.Ora

o facto é que a visibilidade externa de um projecto é

meio caminho andado para a sua legitimação e, com

esta, a conquista das condições de sustentabilidade.

A Quinta da Educação e Ambiente da Lagoa de Santo

André não foge a esta regra: apesar da sua

experiência ter sido levada a fóruns, apesar de

algumas das suas iniciativas – caso dos Sábados no

Monte – serem publicitadas, apesar de surgir como um

espaço de visita obrigatório da ampla rede de projectos

do ICE, continua “parcimoniosamente” reconhecido.

É por isso que ganham, de facto, particular significado,

os apoios que recebeu nos últimos meses

(financiamento de um programa da Gulbenkian e

afectação de subsídios pela Companhia das Águas de

Santo André e Repsol) e que facultaram à Quinta de

Educação a sustentabilidade no presente ano lectivo –

ao permitirem o pagamento do vencimento de uma

técnica e das despesas de funcionamento.

A chave deste sucesso (que o é), não estando na

visibilidade alcançada pela Quinta está, inegavelmente,

no atractivo que representa para quem a visita, no

papel assumido pelas crianças que a animam, nos

exemplos que dá, de envolvimento comunitário, na

natureza da educação ambiental que proporciona, no

impacto que possui nas práticas de sala de aulas e na

sua mudança, na circunstância de se impor como um

pólo de desenvolvimento alternativo, qualificador do

lugar.

A verdade é que a visibilidade que ganhou “para

dentro” e “para o lado” (junto das empresas e

instituições locais) já se mostrou suficiente para

garantir a sua continuidade, mesmo sem professores

destacados (ou requisitados) e em tempos de parcos

de recursos financeiros da parte do ICE.

Isabel Pereira

O fervilhar social que marca os bairros periféricos, os poderes que neles se abrigam, os “pedacinhos de futuro”

que aí se encontram, numa palavra, as potencialidades que no fundo lhe dão centralidade nas relações que

estabelecem com a estrutura societária geral que (formalmente) os enquadra, são o ponto de partida da

intervenção que neles vem sendo conduzida pelo ICE e que os projectos que a seguir se narram, ilustram.

Em todos esses exemplos, os actores locais implicados surgem como sujeitos num processo que, emancipandoos,

requalificam toda a realidade contextual em que se inscrevem.

AS CRIANÇAS E A QUALIFICAÇÃO DA

COMUNIDADE DE SANTA FILOMENA

Habitado por uma população maioritariamente de

origem africana (em particular cabo-verdiana) e

também de origem portuguesa, Santa Filomena

ombreia com a Cova da Moura, o Bairro Seis de Maio e

o Bairro da Damaia na estigmatização de que é objecto,

nomeadamente por parte dos meios de comunicação e

dos técnicos que nela intervêm. Como os demais,

ressente-se da agressividade em que, por regra, as

suas gentes são tratadas pelas forças policiais e da

incapacidade/ dificuldade das várias instituições

presentes, nomeadamente as escolas, em lidar com as

diferenças culturais e os problemas sociais com que se

deparam. Tráfico de drogas, violentas intervenções

Por uma Centralidade

do Mundo Periférico Urbano

6

policiais, prostituição, precariedade de emprego, e um

constante clima de tensão e de violência, fazem parte

do quotidiano desta comunidade.

É neste duro quotidiano que encontramos as crianças,

às quais nos atrevemos a chamar os “guardiões da

comunidade”.

Desde pequenos que somos alertados pelos nossos

pais que " nunca devemos abrir a porta a estranhos,

conversar e muito menos sair com eles". Na

comunidade de Santa Filomena, o mesmo aviso

também é valido, mas tem a sua particularidade. Aqui

são as próprias crianças que nos abrem a porta, dãonos

as boas-vindas e mostram-nos os cantos da casa.

Desde o momento em que entramos, até quando

saímos, somos inundados por um rol de questões,

Como te chamas? Donde vens? Estás à procura de

quem? O que vens aqui fazer? Para onde vais?

Para muitas destas crianças é como se o

desconhecido fosse um jornal ambulante, que traz

notícias do mundo de lá, ou as noticias para um futuro

ali dentro.

É nesta constante procura por algo novo, que o nosso

trabalho começa – do Projecto LAÇO desenvolvido

pelo ICE com o apoio da Gulbenkian - mas quando

muitas destas crianças já viram ou já viveram mais do

que aquilo que um adulto possa imaginar, a nossa

tarefa torna-se um pouco mais difícil.

Na comunidade de Santa Filomena, o nosso trabalho

começa na rua, o espaço comum de toda a população.

Aqui conhecemos os amigos e os familiares, o caminho

para casa e os lugares preferidos para brincar.

Em todo este processo estão presentes as crianças e

são elas individualmente que nos apresentam as

pessoas mais velhas e as mais importantes, são elas

que nos contam as histórias de cada família, fazemnos

entrar no quotidiano de cada família, no quotidiano

da comunidade. Durante estas apresentações,

desabafam os seus medos e sonhos e contam-nos os

seus planos para o futuro.

Depois da rua, dos espaços preferidos, dos amigos e

dalguns familiares, chegamos a casa e à família (pais).

Depois de algumas conversas, rapidamente nos

apercebemos das suas principais preocupações, dos

seus sonhos e planos para o futuro dos filhos.

É precisamente nestes sonhos e projectos para o

futuro, que a qualificação da comunidade de Santa

Filomena tem início.

Se para os pais e avós a resposta para uma

qualificação está na Escola, para as crianças esta

resposta encontra-se na oferta de um conjunto de

actividades realizadas dentro da comunidade e que

valorizam a sua identidade e forma de estar.

É precisamente nestes sonhos e projectos para o

futuro, e propostas de actividades, que a qualificação

da comunidade de Santa Filomena tem inicio.

Sónia Borges

ESCOLA ABERTA EM CARNIDE

No âmbito do Projecto “Iguais num Rural Diferente” (da

Iniciativa Comunitária EQUAL), têm-se realizado várias

experiências na freguesia de Carnide, visando

implementar uma metodologia de Escola Aberta em

duas das escolas nela existentes.

Situam-se essas experiências no decurso da Acção 3 do

referido projecto, que tem como objectivo disseminar os

resultados e produtos da Acção 2 (centrada na

experimentação de novos métodos e modelos de

trabalho), que decorreu no concelho de Vouzela, visando

a igualdade de oportunidades para as mães operárias e

para os seus filhos desse território.

Com o objectivo referido de disseminar o modelo

daEscola Aberta, experimentado e validado em

Vouzela, a PROACT – Unidade de Investigação e

Apoio Técnico ao Desenvolvimento Local, à

Valorização do Ambiente e à Luta contra a Exclusão

Social, com sede em Lisboa e com experiência de

trabalho comunitário na freguesia de Carnide (bairros

da Horta Nova e do Padre Cruz), desde 1997, assumiu

a responsabilidade de enquadrar e coordenar a sua

aplicação a duas escolas do 1º ciclo: a EB1 nº 134

(Prista Monteiro) da Horta Nova e a EB1 nº 187 do

Bairro Padre Cruz.

Até agora, desenvolveram-se essencialmente duas

linhas de actividades: a participação de pessoas e

grupos da comunidade nas actividades escolares e a

participação das crianças em actividades comunitárias,

em ambos os casos centradas nalgumas turmaspiloto.

No primeiro caso, refira-se em particular a ida, em várias

ocasiões, à Escola de pessoas da Associação de

Reformados, Pensionistas e Idosos de Carnide (ARPIC)

contar estórias do seu tempo, como forma de

participação nas aulas sobre a vida na comunidade

envolvente e de reforço da solidariedade entre gerações.

No segundo caso, tem-se preparado (e vai-se

concretizar em breve) a participação de uma turma em

actividades de leitura em casa das pessoas mais

velhas que vivem sós, com vista a exercitar as

competências de leitura, a contribuir para a

amenização da solidão e do isolamento social dessas

pessoas e a reforçar também o sentimento de pertença

escolar à comunidade.

Para além disso, aproveitando a dinâmica de trabalho

comunitário que existe nos dois bairros (ambos com

Grupos Comunitários a funcionar desde 1993), na

mesma lógica de “Escola Aberta”, tem-se partilhado,

nas correspondentes reuniões comunitárias, a

evolução e a gestão das actividades escolares,

tornando as escolas mais articuladas e integradas nas

comunidades a que pertencem. Como consequência

desta gestão partilhada e aberta, as Associações de

Pais de ambas as escolas reforçaram o seu

protagonismo e presença na comunidade e, nos

Conselhos Gerais Transitórios de ambos os

Agrupamentos Escolares, estão representantes dos

dois Grupos Comunitários, para além das já referidas

7

Associações de Pais e das autarquias locais (câmara

municipal e junta de freguesia).

Neste processo, o ICE tem desempenhado o papel de

consultor e inspirador da PROACT e do trabalho junto

das escolas, estando presente na primeira reunião

conjunta de sensibilização e lançamento das

actividades, bem como disponível para partilhar todas

as fases, interrogações e dificuldades do trabalho,

apoiando na procura dos melhores caminhos e

soluções.

Rogério Roque Amaro

MOVIMENTO ASSOCIATIVO

UMA FONTE DE PODER NA BAIXA DA BANHEIRA

No âmbito do Projecto Integrado da Baixa da Banheira

e como forma de induzir o empowerment à sua

Comunidade, através das associações aí existentes,

realizou-se no dia 22 de Novembro de 2008 o Fórum

do Movimento Associativo.

Este fórum surgiu na sequência das várias reuniões

que os parceiros - grupo dinamizador do projecto de

que faz parte o ICE - têm vindo a realizar e onde se

concluiu que entre outras acções, como forma de criar

dinâmica e interacção entre associações, comunidade

educativa e comunidade em geral, era necessário a

existência dum espaço de problematização de

questões onde associações diversas (Lazer,

Recreativas, Desportivas, IPSS, ONGs…), e

instituições locais (Câmara Municipal, Junta de

Freguesia, Centro de Saúde, Agrupamentos de

Escola…) reflectissem, em conjunto, as realidades do

local.

Com a participação de cerca de vinte Associações, das

vinte e oito existentes na Freguesia da Baixa da

Banheira, este espaço propôs-se reflectir: “O Papel das

Associações na sua Relação com: a Escola, a

Famílias, os Associados e os Jovens.

Através de um diálogo enriquecedor, questionou-se:

�� O fechamento da escola à comunidade… motivos

e motivações.

�� A “militarização” das crianças, na escola, sujeitas

a um horário escolar idêntico ou mesmo superior

ao de um trabalhador.

�� A duplicação de actividades entre as Actividades

Extra-Curriculares e as Associações.

�� A família actual e a família dos anos 30/40… (a

dificuldade de conciliação entre a vida familiar e

profissional actual). O “divórcio”, apesar dos

esforços, ainda existente entre associações e

associados.

�� A importância do movimento associativo, mas a

pouca visibilidade deste junto da comunidade…

�� A importância dos jovens, mas o

desconhecimento que ainda existe sobre os seus

interesses e motivações.

Entre as muitas associações que foram questionando e

problematizando encontravam-se as associações de

Escuteiros e o Clube de Futebol “Os Barulhentos” que

se fizeram representar pelos seus jovens, vincando

estes a importância de “ dar voz aos jovens”,

sublinhando-se que dar voz, não é um monólogo, antes

um diálogo, (é preciso ouvir, mas também, responder,

partilhar e construir; é necessário que os jovens sintam

que são parte activa dum processo construído

conjuntamente).

Das reflexões produzidas foram-se formulando

estratégias e conclusões de que se relevam:

�� A importância da concertação de esforços

articulados para continuar com uma rede de

trabalho: (o interesse em que o grupo

dinamizador continue a funcionar, alargando-se).

�� A utilidade duma Plataforma que se reúna

regularmente, para pensar a Baixa da Banheira:

(O interesse na continuidade da existência de

Fóruns que reflictam o Movimento Associativo).

�� A necessidade de despoletar um processo

formativo envolvendo técnicos e dirigentes

associativos tendo em vista a qualificação das

associações nomeadamente no domínio das TIC

�� O interesse em investir na aproximação das

associações à comunidade apostando-se

inclusivamente na construção de parcerias entre

as Associações e as Escolas.

Os primeiros efeitos já se fizeram sentir – para além

das acções desenvolvidas, começaram os contactos

das associações junto das escolas na intenção de

conjuntamente dinamizar e melhorar a qualidade de

vida da comunidade educativa, principalmente as

crianças mais carenciadas.

Entre outras estão já previstas duas actividades, a

primeira para a interrupção lectiva da Páscoa e outra

durante as férias de verão, oferecendo às crianças com

menos recursos, a possibilidade de fazerem umas

férias diferentes enriquecidas com actividades

desportivas das associações, deixando aos pais algum

tempo livre e a certeza que os seus filhos estão a ser

acompanhados.

O Projecto Integrado da Baixa da Banheira contempla

várias vertentes que vão da animação comunitária, de

que são exemplo os tempos de encontro entre

crianças, jovens e idosos, à concepção de qualificação

de famílias desestruturadas… Mas não deixa, de facto

de construir um traço de especificidade e originalidade

o papel que nele desempenha o movimento

associativo, chamado a trabalhar em rede –

recuperando uma prática vivenciada no pós 25 de

Abril.

Maria Joaquina Costa/Ana Teresa Fernandes

8

UMA PROPOSTA DE INTERVENÇÃO NOS

BAIRROS PERIFÉRICOS DE SETÚBAL

Fazendo fronteira com a Bela Vista, já para além dos

limites da cidade de Setúbal, encontra-se o Bairro da

Manteigada onde vivem cerca de 115 famílias, mais de

metade de etnia africana ou cigana.Atravessado por

diferentes questões de natureza social – elevada taxa

de desemprego, tensões nas relações de vizinhança,

idosos em situação de grande isolamento, forte

incidência de analfabetismo – 34% dos adultos),

Manteigada para além da acção - limitada no tempo -

de duas estagiárias profissionais, afectas à Junta de

Freguesia de São Sebastião, tem sido deixada mais ou

menos ao abandono.

Desafiado por este facto e induzido pelo contacto que

teve com o bairro - num trabalho que realizou com

crianças - projectou o ICE a organização de uma

intervenção orientada para o acompanhamento de

famílias, o apoio a idosos e a promoção dos jovens

(e crianças) a braços com problemáticas criticas como

a toxicodependência e o abandono escolar.

Enformará esta intervenção, a constituição de um

CAFAP, Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento

Parental – que se submeterá à Segurança Social –cuja

acção se estenderá, progressivamente, aos restantes

bairros periféricos da Freguesia de S. Sebastião em

Setúbal assumindo, no entanto, em cada um destes,

contornos específicos que respondam à singularidade

que os caracteriza.

A aposta na emancipação das pessoas abrangidas,

através da sua participação na construção de soluções

e na produção de iniciativas, será o traço distintivo que

definirá a intervenção tanto na Manteigada como nos

restantes bairros da cidade.

Esta proposta está a ser construída com técnicos do

DISOC da Câmara Municipal de Setúbal.

Rui d’Espiney

A acção do ICE não se restringe aos Meios Rural e Periférico Urbano. Outras causas – como a saúde

comunitária ou a deficiência, – outros desafios e outras iniciativas em que surgimos como parceiros estão na raiz

de projectos / processos que vêm fazendo também o seu caminho

As dinâmicas que a seguir se relatam, são disso um exemplo.

PROFESSORES ADEREM AO PROJECTO “ O

PRAZER DE LER “ E PAIS TAMBÉM…

O Projecto do ICE “ O Prazer de Ler ” surge com a

finalidade de induzir competências e hábitos de leitura

em crianças, jovens, adultos e idosos, procurando que

o interesse pela leitura e escrita surjam de forma

natural, tendo em conta as diferenças inerentes à

idade, aos contextos sociais e à noção de que o gosto

pela leitura não se impõe – cultiva-se. O

Educador/Professor surge como animador, tendo como

suporte um projecto educativo de leitura e escrita

especifico, sendo sempre apoiado, pela equipa de

acompanhamento do projecto “ O Prazer de Ler”, na

planificação das actividades, na formulação de

estratégias de promoção da leitura e escrita e na

reflexão em equipa com os vários elementos ligados à

promoção das actividades preconizadas.

A partir da noção de que o prazer de ler se constrói em

interacção e, em particular, num quadro de relações

intergeracionais propõe-se um leque de iniciativas que

tenham por espaço estruturador a sala de aula – onde

a criança se confronta com a necessidade de

COMUNICAR, de aprender e aperfeiçoar a leitura e

escrita – mas que prossigam para além dela,

nomeadamente, em contexto familiar, que levem à

descoberta do livro, estimulando o prazer de se

exprimir e de criar.

O entusiasmo e a participação dos professores têm

sido muito significativos.

Nas reuniões que se realizaram com os pais foi possível

estabelecer trabalho colaborativo entre as famílias e as

escolas, chegando mesmo a calendarizar-se um plano de

trabalho reflectido em conjunto com os pais.

O Projecto envolve professores de Sintra, Portalegre,

Setúbal, Moita e Nordeste Alentejano e contempla uma

vertente formativa organizada pelo Centro de

Formação “Comunidades Educativas” do CPDF.

Ana Cristina Oliveira

PAIS. UMA FONTE DE PODER DO

PROJECTO DE INTERVENÇÃO PRECOCE DE

SANTIAGO DO CACEM

O conhecimento actual e as práticas confirmam a

urgência e a importância da intervenção precoce.

Encontram-se razões de ordem biológica, fisiológica,

afectiva, de solidariedade, de oportunidade, de direitos,

de deveres e até económicos.

Para os profissionais é o envolvimento, a relação com

os meninos e as famílias, o desafio de fazer a

diferença no desenvolvimento e na vida de pessoas

que se encontram em dificuldades e que precisam de

apoio.

Outras Dinâmicas

9

Para os pais, na maioria das situações, é o amor

incondicional, é o desconhecido, o imprevisto, os

diagnósticos, as terapias. Há as expectativas, os desejos,

as disponibilidades e as acessibilidades.

Foi em resposta a esta percepção que o ICE organizou o

Projecto “Antes que Seja Tarde” que, no seguimento de

um acordo celebrado com a Segurança Social, a Saúde e

a Educação, iniciou a sua actividade junto de várias

crianças (+ de 80) com necessidades de intervenção

precoce do concelho de Santiago do Cacém.

Propôs-se faze-lo, acompanhando-as no seu espaço

doméstico, constituindo a nível de cada freguesia, redes de

suporte, despistando situações criticas, procurando colmatar

as deficiências, em função das necessidades especificas.

Um obstáculo se levantou, no entanto, a partir de certa

altura. Quase intransponível Concretamente, dos pelo

menos 4 educadores que a intervenção carecia e que a

Educação se comprometera, protocolarmente, a afectar,

só um (e por acaso não educador) foi colocado a tempo

inteiro, a partir de Setembro e mais um segundo, em

Janeiro mas com condicionantes… E não foi concedido o

Psicólogo também previsto pelo mesmo acordo. (De

notar que a média no Alentejo, de Programas de

Intervenção Precoce é de 9 crianças por educadora e

que a equipa já contou com 1 psicólogo mas com verbas

que o ICE desencantou mas que já não possui).

Os apelos sucessivos feitos para se corrigir esta situação

mostraram-se vãos e a reduzida equipa do projecto -

viabilizada pelo ICE, a Segurança Social e a Saúde –

sentiu-se impotente para continuar a prestar o serviço de

qualidade que dela se esperava.

Reunidos a 3 de Fevereiro para avaliar a situação, os

pais disseram de sua justiça. Como afirmou uma mãe

“o meu filho não volta a ter 6 anos… É agora que ele

precisa de acompanhamento… Tem de ser encontrada

uma solução e já”. E como bem o afirmaram todos:

“não pararemos até a situação estar resolvida”.

Esta indignação dos pais e a sua determinação em

conseguir soluções – a que se associaram em força o

Município e as Juntas de Freguesias abrangidas pelo

projecto – marcou a diferença: Uma terceira educadora

foi já colocada e atenuaram-se as condições da

segunda anteriormente colocada.

Com a vontade dos pais, não duvidamos que outros

passos serão dados

Teresa Galrão

“ENTRELAÇAR”, UM PROJECTO

DE PROMOÇÃO DA SAUDE

Num número já significativo de bairros periféricos, em especial na região da Grande Lisboa, vem o ICE levando a cabo uma intervenção diversificada tendo em vista a sua

requalificação.

A progressiva percepção que se foi ganhando da importância que terá para essa qualificação uma acção orientada para a promoção da saúde - domínio que, de uma forma generalizada, se vem revelando particularmente critico, marcado que são esses bairros por um deficit de

despistagens de doenças de várias natureza, pela ausência de hábitos de higiene e de alimentação saudável, por situações de maternidade precoce, pela inexistência ou débil

existência de prevenção, enfim, pela não presença de uma cultura de saúde – levou o ICE a conceber um projecto através do qual se propôs trabalhar esta dimensão nos vários

bairros onde intervém. Pressupõe este projecto, nomeadamente:

A noção de que a promoção da saúde em territórios periferizados constitui uma dimensão estratégica do desenvolvimento, passível de induzir uma nova relação da comunidade com o futuro;

A noção de que está em causa, antes de mais, a promoção da saúde e não propriamente o combate à doença, pese embora a importância que será dada à despistagem e

encaminhamento de doentes. Apoiada na saúde, na busca das condições da saúde plena e não na centração da doença, as comunidades tendem a entrar numa nova relação

com a vida.

De entre as várias actividades previstas sobressaem pela vertente de animação comunitária que contêm:

As conversas em roda ou "De Roda Com", sessões sobre várias temáticas (de saúde e prevenção de riscos), com a participação de especialistas, para jovens, pais, idosos.

O Nós Contigo, grupos de auto-ajuda de destinatários do acompanhamento, abertos à população, com sessões dirigidas às mães (em particular as adolescentes), idosos e

outros familiares.

A partilha de Sabores com Saúde, convívios onde se explorará uma estratégia de nutricionismo adequado, com recurso a eventual almoço de fim de ano organizado com

normas saudáveis.

O Roteiro de Mezinhas, que consiste no levantamento de formas de medicina alternativa e/ou de práticas caseiras de tratamento. Um leque diversificado de parceiros - que vão de autarquias às escolas de enfermagem, passando por associações locais - estruturados em rede a nível de cada território, deverá assegurar as sinergias que um projecto desta natureza

pressupõe.

Tendo em vista a sua viabilização material vem procurando o ICE alcançar o apoio de algumas fundações com programas na área da saúde.

Rui d’Espiney

UMA DINÂMICA QUE SE RECRIA

NAS CALDAS DA RAINHA

Há quinze anos, ou talvez mais, que os professores e

educadores das Caldas da Rainha se acham implicados em

dinâmicas induzidas pelo ICE…

Primeiro foi o ECO, que pôs a comunidade na escola e que

veio a dar origem a um Centro de Recursos cuja acção se

estendeu à maioria das escolas do Concelho, animando

trocas, produzindo materiais, organizando encontros de

crianças e professores.

10

Quase que em simultâneo com a emergência deste

Centro, toda a zona rural, impulsionada pelas escolas

da freguesia de Alvorninha, se organizou num amplo

movimento que se manteve até à verticalização dos

agrupamentos e ao inicio do processo de

encerramento de escolas.

Estas várias dinâmicas vieram a confluir num núcleo do

Projecto Do Longe Fazer Perto, alargado a escolas de

outros concelhos, e que se propõe, este ano, orientar a

sua intervenção em duas direcções.

Por um lado, impulsionar aquilo que designou por

“Ciranda Educativa” e que consistirá numa reflexão

sobre as práticas de cada sala de aula, colocadas

rotativamente na “berlinda”, tendo em vista responder

criativamente aos desafios que hoje se erguem às

escolas e ao ensino – processo complementado por

uma vertente formativa acreditada pelo Centro de

Formação “Comunidades Educativas” do CPDF.

Por outro organizar encontros temáticos – por nós

denominados “Conversas ao Pôr-do-Sol”, abertos à

participação das famílias e da comunidade e realizados

ao cair do dia nas várias escolas envolvidas

Significativo o facto de toda esta dinâmica vir sendo

assegurada em regime de voluntariado, mas com uma

militância e uma entrega que só se explica pela

identificação que muitos dos professores têm com a

abordagem e os pressupostos do ICE.

Rui d’Espiney

DO LONGE FAZER PERTO 16 ANOS DEPOIS

Organizado em 1993 pela saudosa Lurdes Bichão, Do Longe

Fazer Perto é o exemplo de vitalidade que nem as condições

adversas vividas pelas escolas tem conseguido quebrar.

Começou por ser uma dinâmica de intercomunicação por

contacto virtual e presencial entre escolas de vários pontos

do país, mas sob o impulso do Projecto Bolina,

desenvolvido no âmbito do Programa EQUAL, transformouse

numa rede de comunidades colaborativas tendo por

domínio as práticas pedagógicas e por fonte alimentadora a

relação com a comunidade.

Verdadeiras CoPs entraram assim em funcionamento em

Oliveira do Hospital, Coimbra, Caldas da Rainha e Setúbal

num processo, que este ano, veio a alargar-se à Moita, a

Portalegre e a Sintra.

Apostando numa prática diversificada, cruzou-se com outras

do ICE (ver texto sobre o trabalho nas Caldas da Rainha)

surgindo hoje entrelaçado com o Projecto “O Prazer de Ler”

desenvolvido com o Plano Nacional de Leitura.

A dinâmica desenvolvida no decurso do projecto conduziu a

acções diversas, entre elas, a necessidade de formação

junto dos professores que integram o projecto.

No ano de 2007/08 frequentaram o módulo de formação

organizado em seu apoio cerca de 100 professores. No

corrente ano o seu número deverá ultrapassar os 150.

Maria Joaquina Costa

RECORDANDO LURDES BICHÃO

Sócia fundadora do ICE, coordenadora durante longos anos

do Projecto Do Longe Fazer Perto, que continuava a apoiar

apesar de reformada, Lurdes Bichão será sempre

recordada… como amiga, pelo seu espírito solidário e a

combatividade de que deu mostras até ao final da sua vida.

A velha máxima de que não há pessoas insubstituíveis não

cobre o seu caso. Ficamos, sem dúvida, todos mais pobres.

A toda a família, a Comissão Directiva do ICE dirige os seus

votos de pesar profundo.

ASSEMBLEIA GERAL DO ICE

ELEGE ÓRGÃOS SOCIAIS

Realizou-se, no dia 3 de Dezembro, uma Assembleia-geral

do ICE onde, nomeadamente, se procedeu à eleição dos

órgãos sociais para o quadriénio 2009-2012. Com uma

única excepção, na mesa da Assembleia-geral, foram

reconfirmados todos os membros em exercício.

Ficaram assim compostos os diversos órgãos:

Mesa da Assembleia-geral: Rui Canário (Presidente),

Cristina Figueira (V. Presidente) e Clara Mata (Secretária).

Comissão Directiva: José Alberto Correia (presidente), Rui

d’Espiney (Director Executivo), Horácio Reigado

(Tesoureiro), Gracieta Baião e Ângela Luzia (vogais).

Conselho Fiscal: Carmo Serrote (Presidente), Rosa

Moinhos (Secretária), Mirna Montenegro (vogal).

ICE PRESENTE EM SEMINARIO

REALIZADOS NO ESTRANGEIRO

● Em Dezembro de 2008, foram desafiadas Olga Mariano e

Mirna Montenegro a participar num colóquio europeu sobre a

problemática das comunidades ciganas na Europa,

organizado por IUFM e CASNAV de Besançon, Desta vez, -

outros foram os encontros em que as duas participaram no

passado - além do colóquio de 3 dias, prolongou-se a estadia

por mais três dias, ocupados em visitas às “Classes

d’Accueils des Enfants du Voyage” (classes trampolins nas

escolas do 1º ciclo e dos 2º/3º ciclos) e às “Écoles du Voyage”

(camiões escola) que seguem as crianças nos seus “Aires de

Stationnement” (parques nómadas).

Notícias Soltas

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● Realizaram-se em Saint-Médard-en-Jalles, nos

arredores de Bordéus, França, nos dias 14 e 15 de

Novembro passado, as primeiras “Journées des Parents

en Gironde”, sob o lema “Prenons le temps entre

parents”. Estas jornadas foram uma iniciativa da Réseau

d’Écoute, d’Appui et d’Accompagnement des Parents

local (Réapp33), entidade que integra a rede nacional

criada pelo Estado Francês, em 1999.

De acordo com a organização, este encontro, que contou

com a participação de cerca de 300 pessoas, constituiuse

como um espaço de troca entre pais e entre estes e

profissionais que intervêm no domínio da família,

debatendo, entre outras, questões relacionadas com a

evolução da família, com o desenvolvimento das

crianças, com a adolescência e o abandono escolar.

Joaquim Marques participou nestas jornadas em

representação do ICE, tendo apresentado a comunicação

“Comunidades Educativas – processos de construção

co-participada a nível local”

● O ICE far-se-á representar no Encontro Internacional

sobre Desenvolvimento Local que terá lugar em São

Tomé, no próximo mês de Abril, assumindo a

responsabilidade por uma das conferências previstas.

ICE PARCEIRO DE UM

MESTRADO EM EDUCAÇÃO NÃO FORMAL

Conceptualizado por Rui Canário, a partir da

Faculdade de Psicologia e Educação da Universidade de

Lisboa, vai realizar-se um mestrado no Distrito de Setúbal

tendo por grande tema a Educação não Formal.

O mestrado em questão, que conta com a parceria do

ICE, envolverá os municípios de Almada, Palmela e

Setúbal, destina-se, nomeadamente, a professores e

técnicos de autarquias e associações e terá entre os seus

formadores, associados do ICE. Simbolicamente,

procurou-se para o seu funcionamento contextos

marcados pela informalidade. Concretamente, Museus

Locais e Bibliotecas.

MAIS CIDADANIA – A SUL

O ICE propôs-se ir ao sul do sul, mais propriamente ao

Distrito de Caué, região de Angolares, zona rural e

isolada de São Tomé e Príncipe com o Projecto Notícias

do Sul – Educação para o Desenvolvimento, com o

objectivo de criar pontes entre esta e a região do litoral

alentejano, onde tem inúmeros projectos implementados.

Propondo acções simples, que se pretendem

continuadas pelas dinâmicas locais que necessariamente

se criam, é com a colaboração da população e técnicos

locais de ambas as regiões que o ICE irá trabalhar, com

os meios e as necessidades que vão surgindo no terreno,

ampliando-se visões, olhares, e os horizontes de todos

os envolvidos.

O intercâmbio entre escolas – crianças, professores,

pais, alargado a par e passo a toda a comunidade

envolvente, desperta a consciência de meninos e

adultos, de cá e de lá, para a riqueza que provém das

relações interculturais. Actividades como a

correspondência escolar entre crianças dos dois

países; a escrita de uma história conjunta com “o

estafeta da escrita”; a animação do projecto através do

documentário e da fotografia, acções que são também

produtos de divulgação bem como meios de

sensibilização para realidades díspares, enformam a

aposta que o ICE pôs na mesa.

UM PROJECTO DE SUCESSO

EM AGUADA DE BAIXO

Sintomático do sucesso atingido pelo Projecto “Famílias um

presente um futuro” é sem duvida a desenvoltura da

comunicação proferida num encontro proferida pelo GICAS,

Grupo de Intervenção Social a Partir da Saúde, por duas

senhoras do grupo de mulheres com que se vem

trabalhando em três freguesias do concelho de Águeda.

Por seu lado, uma oficina pedagógica orientada pelo ICE

e dedicado ao papel da informalidade na promoção da

mudança e destinada a técnicas de instituições

implicadas no acompanhamento destas famílias espelhou

a profundidade da reflexão atingida por este projecto.

À margem do desenvolvimento do projecto vêm

funcionando um grupo de geometria variável que, numa

postura de verdadeira comunidade de práticas, tem

investido na construção de um pensamento estratégico

no domínio da intervenção social.

ICE CELEBRA ACORDO COM O PNL

Tendo em vista a viabilização do Projecto “O Prazer de

Ler”, organizado e promovido pelo ICE, foi celebrado

um acordo com o Plano Nacional de Leitura que

deverá ser renovado e ampliado no ano em curso.

O apoio do PNL veio facilitar, nomeadamente, os

contactos com escritores de literatura infantil que o

Projecto “O Prazer de Ler” pretende levar junto das

escolas envolvidas.

FRUTOS DO PROGRAMA EQUAL

Os financiamentos de que vêm beneficiando várias

iniciativas em curso no país – designadamente do

Programa EQUAL – vão chegar ao seu termo.

Dois/três anos – tempo de duração desse

financiamento - é, sem dúvida, pouco tempo para se

produzirem mudanças estruturais em comunidades

atingidas pela periferização e, acima de tudo para se

assegurar a auto sustentabilidade dos processos em

curso. A experiência mostra que tais mudanças exigem

uma intervenção a longo termo.

12

O facto de se ter pensado a intervenção, no âmbito do

EQUAL, em contextos onde o ICE já acompanhava

dinâmicas permitiu, no entanto, que estes se

consolidassem, dando lugar a processos enraizados

que prometem sobreviver no tempo: efectiva é hoje a

rede de projectos que funciona no Nordeste Alentejano

construída no âmbito do Projecto - “Potencializar

recursos, valorizar e qualificar pessoas e

organizações”; perenes são hoje as Comunidades de

Prática constituídas em Coimbra, Oliveira do Hospital,

Setúbal e Caldas da Rainha sob o impulso do Projecto

Bolina; a um passo da institucionalização se encontram

o Museu da Vinha e do Vinho de Colares e a Rota

da Pedra, impulsionados pelo Projecto TEIAS;

materializados se acham a Escola Comunitária de

Carvalhal Vermilhas e o CADI, criados sob o impulso

do Projectos “Iguais num Rural Diferente”.

Como é evidente, acompanhar estes projectos,

continua a ser necessário. Se está, na maioria dos

casos, assegurada a sobrevivência, não está de todo

garantido o processo de recriação permanente que o

seu desenvolvimento requer. E por isso, esforços estão

a ser feitos para se obterem novos apoios.

… Mas os alicerces estão lançados. O fim dos

financiamentos já não significará o fim das respectivas

dinâmicas.

ADLR: UM EXEMPLO VIVO DE PARCERIA

ESTRATEGICA

Uma iniciativa do Projecto Escolas Rurais de São

Pedro do Sul, há talvez 5 anos, levou-nos a entrar em

contacto com a ADRL – Associação de

Desenvolvimento da Região de Lafões.

Foi suficiente para nos apercebermos da proximidade

de perspectivas que tínhamos – uma proximidade que

nos levou, naturalmente, a aceitar o convite para

participarmos num projecto que a ADRL se propunha

organizar e candidatar ao EQUAL, o Projecto “Iguais

num Rural Diferente”.

Com este, a nossa parceria tornou-se estratégica,

entrando num nível de cumplicidade, de entendimento

que pensamos, exemplar: troca de recursos,

determinação de organização conjunta de novos

projectos e novas candidaturas, participação em

momentos de reflexão interna das duas associações,

empenhamento na viabilização mutua…

A possibilidade de conceptualizar cursos de animadores

comunitários a funcionarem em vários territórios onde

intervimos, com a ADRL como entidade formadora, (que,

é) a aprovar a sua acreditação e o ICE a “emprestar” as

competências no domínio das metodologias, deverá

coroar esta caminhada de colaboração.

PROJECTO “UM MILÉNIO DE TODOS”

O ICE aceitou fazer parte do projecto “Um Milénio de

Todos”, projecto que surgiu por iniciativa da CM de

Setúbal, convidando várias associações locais a

integrá-lo e cujo grande objectivo é criar acções junto

da população (do concelho), que

informem/sensibilizem para a existência e necessidade

do nosso Governo cumprir o compromisso assumido

por Portugal, em conjunto com outros 187 países, de

pugnar pela concretização dos chamados 8 ODM –

Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Entre outras acções, está prevista a realização de um

conjunto de Oficinas Temáticas, cuja reflexão incidirá

sobre cada um destes 8 ODMs: Com uma

calendarização marcada entre Março e Novembro

próximo, dar-se-á início às primeiras duas Oficinas já

em Março.

Para além de participar nestas oficinas – assumindo

mesmo a organização da que se dedicará à temática

da educação - o ICE está empenhado na

potencialização de outros projectos que dinamiza na

cidade, como é o caso do “Do Longe Fazer Perto”,

para a exploração das problemáticas que enformam os

vários ODMs.

GULBENKIAM FINANCIA PROJECTO DE

AMBIENTE DESENVOLVIDO NA QUINTA DA

EDUCAÇÃO DA LAGOA DE SANTO ANDRÉ

O ICE viu aprovada a candidatura a um pequeno

financiamento, na área do ambiente, destinado a

apoiar a intervenção em curso na QEA – Quinta da

Educação e Ambiente da Lagoa de Santo André, em

Santiago do Cacém.

Entre as possibilidades abertas por este financiamento,

destaca-se a que aponta para a edição de uma

publicação reunindo as vivências e experiências

acumuladas pelas escolas e crianças que

protagonizam o projecto QEA.

Instituto das Comunidades Educativas

Rua Nossa Senhora da Arrábida, nº3-5, r/c

2900 -142 Setúbal

Tel.: 265542430/8 // Fax: 265542439

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