quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Poesia de Osvaldo Kiluange Sousa
domingo, 2 de novembro de 2008
Poesia de Osvaldo Kiluange Sousa
sábado, 1 de novembro de 2008
Poesia de Osvaldo Kiluange Sousa
Entrevista do (a) poetelas
- Sobre mim
-
Hoje a poesia clama o isolamento dos bairros
Bairros cidades de realojamento Transformados em guetos de sofrimentos Bairros onde habitam gentes de lusofonia Que gemem entre a escuridão a lentidão da política A poesia clama os gritos de dor e gemidos dos desprezados Bairros que nasceram com a imigração de gentes coloridas Gentes que vieram em busca da razão para viver Confiando na lusofonia prometida
domingo, 26 de outubro de 2008
Pliny’s Natural History and the idea of history of art in classical antiquity.
Thursday, 23 October 2008
Pliny’s Natural History and the idea of history of art in classical antiquity.
By Miguel Ayres de Campos Tovar. Moreover, the path is not a beaten highway of authorship, nor one in which the mind is eager to range: there is not one of us who has made the same venture, nor yet one Greek who has tackled single-handed all departments of the subject Pliny, Natural History, Book Idomingo, 19 de outubro de 2008
Osvaldo poeta, 'detective' e 'manager' da Quinta do Mocho
Seminário Intervenção Comunitária e Participação
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Acerca do programa «a nossa terra quer» e Covas do Monte
Como representante legal do ICE – Instituto das Comunidades Educativas, parceiro do projecto “Covas do Monte Aldeia Viva” de Covas do Monte e a quem tem cabido, aliás, a responsabilidade pelo seu acompanhamento metodológico, dirijo-me a V. Exas. em virtude do que se passou com o concurso “A Minha Terra Quer”.
Levar uma comunidade isolada, em estado próximo da anomia, a começar a acreditar num futuro alternativo ao seu presente é um processo muito lento e complexo. Faz-se, ultrapassando as descrenças através dos pequenos êxitos que se conseguem, mostrando que os pequenos passos que se vão dando no sentido da melhoria das condições de vida podem ser objecto de reconhecimento. A mais pequena frustração às expectativas que eventualmente criam pode ser suficiente para o reinstalar do desânimo, para o criar da noção de que não vale a pena lutar.
Não nos surpreenderam, pois, as muitas reticências que os seus habitantes fizeram à ideia de candidatar a aldeia ao vosso concurso. Assim como não nos surpreendera a pouca crença que tinham na possibilidade de o vencerem e de através disso poderem realizar o seu sonho.
Face a esta realidade o que se passou com o concurso é da maior gravidade. Ao verem anunciada a vitória da sua aldeia, a comunidade entrou em euforia e pode dizer-se começou a acreditar em si. Começou a acreditar que de facto valia a pena “o que vem tentando”.
Verificar, três dias depois, que tudo não passava de um “engano” foi um duro golpe, recaindo numa descrença bem mais vincada do que aquela que possuíam quando o projecto se iniciou.
Este é o estrago e o prejuízo causado pela vossa estação.
Foi um engano, dizem-nos e, como é evidente, sabemos bem que os enganos são possíveis…
Mas não ilibam as responsabilidades. Uma instituição que se quer credível, respeitada, “preferida” aos olhos da opinião pública não pode ficar indiferente perante os estragos que provoque, ainda que involuntariamente. De algum modo tem de encontrar forma de redimir-se, de reconquistar a confiança dos que lesou. Não basta um pedido de desculpas privado, não publico. Tem – teria no caso vertente – de contribuir para “repor o ego” da comunidade de Covas do Monte.
Pode pensar-se que uma aldeia perdida na serra, com 54 habitantes não pesa no prestígio da SIC, mas esse seria um erro de quem não tem nomeadamente em conta a rede de relações que a aldeia em questão já construiu: através de instituições como a nossa, por exemplo, a sua influência chega a diversas universidades, autarquias e associações de desenvolvimento local.
Por tudo isto, pela importância que damos ao recriar da esperança em Covas do Monte, aguardamos, aguarda o ICE, uma reparação condigna e eficaz.
O Director Executivo
Rui d’Espiney
Encontro de Contadores, Lareiras e Sabores
Estória, História...: Encontro de Contadores, Lareiras e Sabores
Maciço da Gralheira
3, 4 e 5 de Outubro de 2008 ''Quem faz o conto é o ouvido''
Italo Calvino
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
domingo, 14 de setembro de 2008
Covas do Monte venceu e depois perdeu
sábado, 13 de setembro de 2008
CARTA ABERTA AOJORNAL DO INCRÍVEL
Exmo Senhor Director do Jornal do Incrível.
Dirijo-me a V. Exª porque os factos que levo ao vosso conhecimento são tão incríveis que me parece que só no vosso jornal ficariam bem enquadrados. Assim, permito-me esperar que mereçam a vossa atenção.
O acontecimento refere-se ao concurso televisivo «a-nossa-terra-quer» promovido pela SIC. São convidados a concorer projectos de âmbito social, cultural ou desportivo. Os projectos pré-seleccionados são avaliados por um júri que escolhe três por distrito. Depois de apresentados em reportagens na SIC, estes projectos serão sujeitos à votação do público através do telefone , para escolher o vencedor,que terá acesso a um financiamento até 30 000 €-
Na 4º feira 3 de Setembro foram apresentados os tres projectos do distrito de Viseu.Um dos três era o denominado «Covas do Monte-Aldeia Viva» que conheço e admiro pela originalidade, dinamismo e militancia dos participantes.
No dia 05/09/08, pelas 21h, após o encerramento das linhas telefónicas destinadas à votação nos projectos do distrito de Viseu do Programa a "Nossa Terra Quer" o site oficial da SIC,
http://sic.aeiou.pt/online/
Três dias depois, no dia 08/09/08 pelas 11h a SIC muda de ideias. Muda o vencedor, que passa a ser Associação Cultural e Recreativa de Cambra .
O que aparece na página WEB não é um pedido de desculpas formal pelo engano . Não é uma explicação do modo como conseguiram «enganar-se» na contagem automática dos votos. Não é, tão pouco, uma explicação clara que permita ao público acreditar que se trata de um «engano» e não de uma trafulhice descarada.
A SIC limita-se a limpar a informação anterior, como se nunca lá tivesse estado! Deixando aqueles que consultaram o site, leram a notícia atempadamente e a divulgaram e festejaram, passar por loucos ou mentirosos! Sem qualquer explicação, sem qualquer aviso ou vestígio de respeito pelo seu público ou pela verdade...
GATO ESCONDIDO COM RABO DE FORA .
Há manchas difíceis de limpar. A SIC quis limpar a primeira notícia enviada, que noticiava a vitória da Associação dos Amigos de Covas do Monte, mas deixou um rasto.
Aqui está a prova.
Este link foi recuperado através da memória cahe do google.
A explicação é a seguinte, conforme publicita o próprio google:
O Google tira uma " foto " de cada página examinada enquanto elas são carregadas e guarda-as na memoria se alguma estiver indisponível. Se Você clicar no link Cached , você verá as páginas como elas estavam da ultima vez que foram carregadas. Esse serviço é bom para se a página estiver indisponível no momento , mas a página vista pode não ser a vesão mais atualizada .
Quando a página armazenada é mostrada ela terá um cabeçalho, que servirá como um lembrete de que esta é uma página armazenada e não a página em si. Os termos que coincidem com sua busca estão destacados na versão armazenada, para que você identifique mais facilmente porque essa página é relevante.
Em conclusão
Esta atitude descuidada da SIC explica-se porque cosidera que Covas do Monte, uma aldeia de pastores nas profundezas da Serra de Arada, com 58 habitantes humanos e 2000 caprinos, não tem capacidade de fazer ouvir a sua voz. Mas acontece que Covas do Monte também é uma aldeia incrível!
Juntei em baixo algumas fotos, que estão publicadas na internet. No meu pequeno blog, Zetovarinho, coloquei alguma informação que recolhi sobre Covas do Monte, essencialmente no blog http://agricultura-covas-do-
Covas do Monte quer Verdade, Transparência, Clareza, Rigor, Justiça.
A luta é desigual.
Mas também David venceu Golias!
Á vossa atenção subscrevo-me respeitosamente -- Maria José Tovar zetovar1@gmail.com
Covas do Monte e o concurso A-Nossa-Terra-Quer no Blog Agricultura-
Terça-feira, 9 de Setembro de 2008
Aqui está a prova.
Este link foi recuperado através da memória cahe do google. http://66.102.9.104/search?q=cache:7vtOSIYnSl0J:sic.aeiou.pt/online/sites%2Bsic/sicporportugal/novidades/ntqviseu.htm+Associa%C3%A7%C3%A3o+Amigos+de+Covas+do+Monte+vence+%22A+Nossa+Terra+Quer%22&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=1&gl=ptCovas do Monte (segundo o projecto criar raizes)
Aldeias Serranas
A aldeia, pertencente à freguesia de Covas do Rio, fica encravada num vale da
Serra de São Macário a uma altitude de 450 m. À sua volta fica uma imensa
montanha de xisto, manchada de verde das giestas e do mato, aqui e ali salpicada
por algumas manchas de pinheiro e alguns, poucos, eucaliptos. Olhando no
prolongamento do vale são visíveis os campos férteis e verdejantes. Ali perto, o
Portal do Inferno espreita...
Apenas nos anos oitenta do século passado se abriu a estrada e o alcatrão chegou
mais tarde. Dali não segue para mais lado nenhum. Mas por estrada florestal
pode-se desfrutar de um belo passeio até Covas do Rio, passando por Serraco.
É constituída na sua maioria por construções de xisto, incluindo o telhado que
é feito por placas desta mesma rocha (lousa). Dispostas por ruas sinuosas, por
norma, as casas têm um piso térreo onde se abrigam os animais e as alfaias
agrícolas e um primeiro andar para habitação.
Aqui vivem 58 pessoas que têm na pastorícia a sua principal fonte de rendimento.
As cerca de 2100 cabras sobem, diariamente, num espectáculo inusitado e
surpreendente, as várias encostas, e, para as guardar, os habitantes organizaram
“parceiradas” em que se revezam, à vez e de forma comunitária, na guarda do
gado (progreiro).
No prolongamento do vale ficam situadas as “Terras do Pão”. São terrenos férteis
e com abundância de água que escorre da serra por alguns ribeiros que no estio é
utilizada e distribuída pelos campos através de um regadio tradicional. É também
essa água que dá força para fazer andar as mós, nos seculares moinhos de água,
onde se procede à moagem dos cereais para se fazer a broa.
Existiam na aldeia, antigamente, três lagares de azeite, dos quais um, o
comunitário, encontra-se neste momento em recuperação.
O Restaurante da Associação dos Amigos de Covas do Monte, resultante da
recuperação de uma antiga escola primária, merece uma visita atenta,
podendo deliciar-se com algumas das especialidades regionais, como os rojões
ou o cabrito e a vitela assada.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
reclamação feita à http://www.erc.pt acerca da mudança de vencedor do concurso «A NOSSA TERRA QUER»
domingo, 7 de setembro de 2008
Associação Os Amigos de Covas do Monte vence!
05.09.2008
A Associação Os Amigos de Covas do Monte foi a grande vencedora no distrito de Viseu, deixando os dois restantes projectos a grande distância.
Os resultados da votação do público foram os seguintes:
Associação Os Amigos de Fragosela - 6,4%
Associação Cultural e Recreativa de Cambra - 7,8
Associação Os Amigos de Covas do Monte - 85,8%
Resumo do projecto vencedor:
Projecto de intervenção comunitária para recuperar espaços significativos para a sustentabilidade da aldeia. Pretendem contrariar o aceleramento do despovoamento das povoações interiores com iniciativas que aumentem a auto-estima e capacidade de empreendorismo dos habitantes. Pretendem potenciar e valorizar os elementos de ruralidade como factores atractividade para a aldeia e promover a mesma no exterior, recuperar espaços significativos (piscina natural na levada do moinho, moinho de água, e lagar de azeite) atribuindo-lhes novas funcionalidades na procura da sustentabilidade da aldeia. São potenciais elementos turísticos, sociais, culturais e lúdicos que facilitam o encontro das gerações dos habitantes da aldeia e do exterior.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
quinta-feira, 17 de julho de 2008
A Infanticida Maria Farrar Bertold Brecht - A Infanticida Maria Farrar
Maria Farrar, nascida em abril, sem sinais particulares, menor de idade, orfã, raquítica, ao que parece matou um menino da maneira que se segue, sentindo-se sem culpa. Afirma que grávida de dois meses no porão da casa de uma dona tentou abortar com duas injeções dolorosas, diz ela, mas sem resultado. E bebeu pimenta em pó com álcool, mas o efeito foi apenas de purgante. Mas vós, por favor, não deveis vos indignar. Toda criatura precisa da ajuda dos outros. Seu ventre inchara, agora a olhos vistos e ela própria, criança, ainda crescia. E lhe veio a tal tonteira no mei do ofício das matinas e suou também de angústia aos pés do altar. Mas conservou em segredo o estado em que se achava até que as dores do parto lhe chegaram. Então, tinha acontecido também a ela, assim feiosa, cair em tentação. Mas vós, por favor, não vos indigneis. Toda criatura precisa da ajuda dos outros. Naquele dia, disse, logo pela manhã, ao lavar as escadas sentiu uma pontada como se fossem alfinetadas na barriga. Mas ainda consegue ocultar sua moléstia e o dia inteirinho, estendendo paninhos, Buscava solução. Depois lhe vem à mente que tem que dar à luz e logo sente um aperto no coração. Chegou em casa tarde. Mas vós, por favor, não vos indigneis. Toda criatura precisa da ajuda dos outros. Chamaram-na enquanto ainda dormia. Tinha caído neve e havia que varrê-la, às onze terminou. Um dia bem comprido. Sòmente à noite pode parir em paz. E deu à luz, pelo que disse, a um filho mas ela não era como as outras mães. Mas vós, por favor, não vos indigneis. Toda criatura precisa da ajuda dos outros. Com as últimas forças, ela disse, prosseguindo, dado que no seu quarto o frio era mortal, se arrastou até a privada, e ali, quando não mais se lembra, pariu como pôde quase ao amanhecer. Narra que a esta altura estava transtornadíssima, e meio endurecida e que o garoto, o segurava a custo pois que nevava dentro da latrina. Entre o quarto e a privada o menino prorrompeu em pratos e isso a perturbou de tal maneira, ela disse, que se pôs a socá-lo às cegas, tanto, sem cessar, até o fim da noite. E de manhã o escondeu então no lavatório. Mas vós, por favor, não deveis vos indignar, toda criatura precisa da ajuda dos outros. Maria Farrar, nascida em abril, morta no cárcere de Moissen, menina-mãe condenada, quer mostrar a todos o quanto somos frágeis. Vós que parís em leito confortável e chamais bendido vosso ventre inchado, não deveis execrar os fracos e desamparados. Por obséquio, pois, não vos indigneis.
Toda criatura precisa da ajuda dos outrosdomingo, 6 de julho de 2008
O INSUSTENTÀVEL PESO DO DISPARATE
-
Escrito por Acácio Gouveia, em 03-07-2008 08:28
" … com uma casa tão cheia de parvoíces, não queria abrir a boca para juntar mais alguma." Graham Joyce – "Os factos da vida"
Leu a carta, manuscrita com letra legível e razoável português, com a bochecha apoiada no punho direito, fechado, e o cotovelo apoiado na secretária. Dirigida ao director do Centro de Saúde, a familiar dum idoso acamado e muito dependente (presumia-se sem favor, que sujeito a demasiado sofrimento) solicitava um médico para este doente que há anos perdera o seu médico de família. Em baixo a anotação manuscrita e "à consideração do Dr.…", assinada pelo director (*). Em jeito de súplica, pensou para si.
Pousou a carta, libertou a mão direita da função de pilar da cabeça e, em pronação, esticou os dedos sobre os vários impressos que jaziam nesse lado da secretária e foi-os espalhando com movimento lento: Lei n.º 49/2007 de 31 de Agosto de 2007- Normas para a detenção, criação e treino de animais perigosos ou potencialmente perigosos. Artigo 3.º, nº2 — Para a obtenção da licença referida no número anterior o detentor tem de ser maior de idade e deve entregar na junta de freguesia respectiva, alínea c) Atestado de capacidade física e psíquica para detenção de cães perigosos ou potencialmente perigosos, em termos a regulamentar pelo Governo (*) – "uma imbecilidade" suspirou. Fincou o cotovelo esquerdo no tampo, apontou o antebraço na vertical, esticou os segundo e terceiros dedos ao longo da face, o polegar em ângulo recto foi-se acomodar sob o queixo e os dois restantes, semi-flectidos, ficaram-se pelo mento. Decreto-Lei nº 542/79 DR Nº 300 I 31-12-1979 Estatuto dos Jardins-de-Infância Art. 22ª, nº4, alínea d) Declaração médica referindo que a criança não sofre de doença infecto-contagiosa e que a criança é ou não portadora de qualquer deficiência (*) – legitimado pela recente contestação da própria Sociedade Portuguesa de Pediatria qualificou-a com severidade: uma idiotice obsoleta. Atestado Médico para as funções de Sapador Florestal nos termos do artigo 2º do D.L. n.º 38/2006, de 20 de Fevereiro, a ser passado pelo médico de família. Obrigatoriamente, depreende-se. Pelo menos houvera o bom senso de incluir alguns parâmetros de avaliação, considerou. E os pré-requisitos para o ensino superior – uma chachada.
A mão mudou de lugar e foi esfregar a testa. Havia mais, muitos mais. Os olhos desviaram-se, como que atraídos pela estante dos livros, onde a lombada mais apelativa se evidenciou: "A Brincadeira" – Milan Kundera. A mão contornou a cabeça de frente para trás, quase despenteando os escassos cabelos e regressou à face para se imobilizar em frente à boca, os dedos todos juntos. Os médicos de família não abundam (virtualmente ninguém o nega), contudo a tutela não tem pejo em multiplicar o trabalho burocrático, misturando documentos de importância indubitável com simples patetices, numa orgia caótica própria dum filme dos irmãos Marx. Depois a sociedade civil secunda, com uma alegria frenética, este delírio do Estado: qualquer bicho careta se arroga o direito de exigir uma declaração médica por dá cá aquela palha. Atestados para taxistas, escuteiros, seguranças, etc., etc. ...
Da aparelhagem de som emergia a voz do coro dos anciãos de Catuli Carmina de Carl Orff: "O res ridícula! Immensa stultitia" (**).
As mãos encontraram-se, as polpas dos dedos tocaram-se e juntaram-se palma com palma, em posição de prece frente ao rosto. Os polegares quedaram-se sob o queixo e os indicadores subiram até ao nariz, cuja ponta elevaram discretamente. Os olhos prenderam-se por instantes na lombada seguinte: "A nave dos loucos" de Katherine Anne Porter. Efectivamente, em tempo de escassez de mão-de-obra, seria de esperar que concentrassem o labor dos médicos em tarefas de alto valor acrescentado (tratar doentes, por exemplo), nunca em procedimentos secundários ou de utilidade nula. Mas a rainha de copas insiste em inventar jogos fúteis.
Meditava sobre os papéis jazentes na secretária quando se apercebeu do paradoxo sinistro. Por um lado pediam-lhe (quase imploravam) que tomasse conta duma doente acamada. Por outro, impunham-lhe a emissão de declarações, a maioria delas idiotas.
Neste SNS, os papeluchos toscos tornaram-se mais importantes que as pessoas sem médico de família.
Ocorreu-lhe "A Náusea" de Sartre. Perderam a noção das prioridades e do decoro, concluiu.
Retirou os óculos com a mão esquerda e depois o antebraço trouxe-a até à secretária onde repousou. O indicador e polegar da direita, em pinça, apertaram levemente os lados do nariz ao nível dos olhos que se fecharam, com vigor, enrodilhando as pálpebras. A Sra. Ministra havia respondido com alguma ambiguidade ao protesto da FNAM sobre as transcrições – verdadeiro acto de racket burocrático. Revelou então o pendor para com o lóbi hospitalocêntrico. Se não, atente-se nesta pérola inserta na Circular Informativa nº 2 da ACSS: "a referência (?) para os centros de saúde deve ter lugar nos casos de haver benefício, em termos de comodidade, para o utente". Comodidade para o doente? Comodidade é evitar-lhe uma ida desnecessária ao centro de saúde apenas para trocar um papel por outro e, claro está, cambiar os pagadores da factura.
Vagueou o olhar até se fincar num artigo de jornal que dava conta da preocupação da Sra. Ministra com a saída de médicos do SNS, mas augurando ao mesmo tempo o seu regresso.
Dos altifalantes, em tom imperativo o coro de Catuli proferia: "Audite ac videte!" (***) e ele matutou, com a liberalidade de linguagem própria de quem guarda os pensamentos adentro dos limites da abóbada craniana: "bem podes esperar sentada! Só se ensandecerem! O SNS faz lembrar um filme de Jean-Luc Godart ou do Fellini. E fitas destas só na tela".
As mãos desistiram das deambulações crânio-faciais e encaminharam-se para os apoios da cadeira, onde se firmaram para o ajudar a levantar. Ainda olhou de soslaio para uma reprodução das "Tentações de Santo Antão" de Bosh, mas resolveu sair do escritório.
Acácio Gouveia
quarta-feira, 2 de julho de 2008
FORUMzinho Social Mundial
O FUTURO DO PLANETA
A realização do Fórum Social Mundial nos trouxe a possibilidade de novas formas de pensar o mundo e as relações humanas, trocar idéias e conhecimentos, conviver respeitosamente com diferenças culturais e ideológicas na busca de um mundo com igualdade de direitos, desenvolvimento sustentável e responsabilidade social compartilhada, cristalizando a idéia de que pessoas e entidades no mundo inteiro acreditam que um outro mundo é possível.
Assim, considerando que os herdeiros dessa nova realidade que nos propomos a construir são as crianças de hoje e que, cada vez mais, somos chamados a participar da construção da sociedade em que vivemos, é necessário que as crianças sejam chamadas a dizerem o que pensam e o que sentem em relação à comunidade de vida, ou seja, sejam chamadas também a participar da construção do mundo que queremos.
Partindo dessa idéia de inclusão, propomos o I FórumZINHO Social Mundial como um espaço educativo alternativo para dar visibilidade às ações e práticas que têm como cenário escolas e comunidades.
Em 2002 tivemos o I FórumZINHO Social Mundial, paralelo às atividades do II Fórum Social Mundial, que teve a participação de mais de 2500 crianças inscritas nos 5 dias do evento, transformando o Colégio Estadual Júlio de Castilhos numa festa universal onde classe social, idioma, etnia, credo, nacionalidade não fizeram a menor diferença e não foram obstáculos ao entendimento para as crianças que conviveram harmoniosamente nas oficinas, mostras, espetáculos e shows oferecidos pelos educadores, oficineiros, monitores e artistas, todos voluntários, trabalhando juntos na construção de um outro mundo que - já mostramos - é possível.
Entendendo que esse trabalho não pode se perder e deve ter continuidade, estamos já preparando o II FórumZINHO Social Mundial.
A partir daí vem a proposta que segue.
OBJETIVO
Proporcionar o encontro de crianças de diferentes partes do mundo, para que juntas possam conviver, aprender e ensinar, compartilhar oficinas, mostras, shows, exposições, vivências que têm como eixo-condutor os princípios éticos e inclusivos da Carta da Terra (Respeito e cuidado à comunidade de vida; Integridade ecológica; Justiça social e econômica; Democracia, não violência e paz), proporcionando troca de experiências e fortalecimento da consciência crítica a partir desse encontro, retornando a seus lares enriquecidas por essa experiência e capazes de partilhar os conhecimentos e sentimentos vividos.
Permitir que as crianças participem efetivamente da construção de um outro mundo possível, numa forma de organização que lhes é própria, sem linhas de pensamento, divisões étnicas, econômicas e geográficas ou movimentos organizados de luta. Crianças unidas na pura e simples troca de experiências, com possibilidade de manifestarem suas idéias por si mesmas.
Mais que uma extensão ou atração especial do Fórum Social Mundial, o FórumZINHO deve, por definição, servir como expressão de esperança e um chamado a contribuir com a formação de uma sociedade global com um novo sentido de interdependência e de responsabilidade compartilhada pelo bem-estar da família humana e do planeta em geral.
LIGAÇÔES
- AGRICULTURA FAMILIAR EM COVAS DO MONTE
- Agricultura Tradicional em Covas do Monte
- entrekulturas
- Google News
- http://agricabaz.blogspot.com/
- http://agricultura-familiar-tradicional.blogspot.com/
- http://bioterra.blogspot.com
- http://lhttp://www.belavista.pt/
- http://www.gentleteaching.com/
- http://www.iceweb.org/folhainformativa.html
- http://www.jea.angoladigital.net/projectos/semana_verde.htm
- http://www.thelookingscribe.blogspot.com/
- INCAPAZ
- INCAPAZ
- INCAPAZ
- INCAPAZ
- the looking scribe
- água pública
Etiquetas
- “Aids e amp; Mobility Young Social Entrepreneur 2010 (1)
- "Fernando Nobre" (1)
- "Gritos contra a indiferença" (11)
- "Gritos contra a indiferença" "Bertold Brecht" "A Infanticida Maria Farrar" (1)
- "Hospital de Dona Estefânia" (1)
- "juntas médicas" (5)
- "juntas médicas" baixas fraudulentas (1)
- "Sancho Tovar" (1)
- 16 de Novembro (1)
- 1930 (1)
- 25 de abril (1)
- 5% do Imposto Liquidado (1)
- 8 de março (1)
- a nossa terra quer (3)
- Acácio-Gouveia (1)
- acert (2)
- agricabaz (1)
- agricultura tradicional (7)
- Águeda (8)
- aldeia (3)
- ambiente (4)
- anciania (1)
- Andorinhão-preto (1)
- António Cardoso Ferreira (1)
- António Galrinho (1)
- Associativismo (14)
- Associativismo Informal (6)
- baixas fraudulentas (6)
- baixas fraudulentas "juntas médicas" (1)
- bela vista (2)
- biblioteca (1)
- caminhando juntos (1)
- carmo bica (1)
- Celeste Parada (1)
- censi (2)
- Centro ocial Infantil de Aguada de Baixo (1)
- chão sobral (1)
- coimbra (2)
- coisas do vizinho. blogs (1)
- coisas da cidade (1)
- comunidade prática (1)
- congresso (4)
- Consignação de 0 (1)
- convicções (4)
- Covas do Monte (14)
- crianças (2)
- criar raizes (4)
- crise (1)
- d'orfeu (1)
- deficiencia (1)
- deficiência visual (1)
- democracia participativa (15)
- desfecho (1)
- deus (1)
- Diário de Notícias (1)
- direitos (1)
- do longe fazer perto (1)
- Dynka Amorim (1)
- ecoformação (1)
- educação ambiental (3)
- Educar é amar (7)
- effetivness initiative (1)
- Encontro de Contadores (1)
- Encontros e Desencontros com Rui D'Espiney (1)
- entrekulturas (4)
- escolas encerradas (1)
- escolas rurais (5)
- etnográvica (1)
- eventos (4)
- Forum Social Mundial (1)
- forunzinho (1)
- Gazeta da Beira (2)
- GICAS (1)
- GRIPE A;blogosfera; mgfamiliar (1)
- histórias de gente comum (6)
- HOSPITAL PEDIÁTRICO (1)
- ICE (19)
- Instituto das comunidades educativas (31)
- interequipas (2)
- Intervenção Comunitária (8)
- investigação-acção (1)
- invisuais (1)
- joão pedro gonçalaves (1)
- Jorge Pedreira (1)
- JORGE-CASIMIRO (1)
- kuku (1)
- Lareiras e Sabores (1)
- Leonardo Boff (1)
- Lígia Calapez (3)
- Luiz Fernando Veríssimo (1)
- lusofonia; (1)
- m (1)
- mãe (1)
- MANIFESTA (2)
- manifestação (3)
- manuel tovar (1)
- Mário Simões Dias (8)
- McGee (2)
- metodologia (1)
- meu vale (1)
- miguel torga (1)
- Miguel Torres (1)
- Movimento de Águeda (6)
- movimento social (1)
- Nuno Lobo Antunes (1)
- O Elmo de Mambrino (1)
- oportunidade (1)
- oportunidades da crise (1)
- Osvaldo Kiluange Sousa (5)
- osvaldo-escritor (3)
- ouguela (1)
- participação (5)
- Patagónia (1)
- pensador (1)
- poesia (3)
- poesia; (6)
- poesia; Oscar Wilde; amigos; Loucos e Santos (1)
- poesia;eiras largas (1)
- Política de Educação (3)
- Portugal tradicional (1)
- presentismo (2)
- prioridades (1)
- professores (6)
- Quercus (1)
- quinta-do-mocho (2)
- rosa madeira (1)
- Rui d'Espiney (17)
- rural (1)
- saúde (4)
- Serviços de Saúde (3)
- SIC (3)
- Simões Dias (6)
- sinto muito (1)
- sócrates ditador (3)
- subir-a- serra (6)
- tondela (1)
- vinculação (1)
- violino (3)
- Vitor Andrade (14)
- vivemos juntos (1)
- workshop (3)
COVAS DO MONTE
A mais incrível das aldeias!
