domingo, 25 de janeiro de 2009

O que é o Projecto Coisas do Vizinho?

É um Projecto que tem como principais objectivos, os seguintes: 1. Criar uma Comunidade de troca de bens em 2ª mão, ou como nós preferimos caracterizá-los, socialmente reciclados; 2. Convidar todos os vizinhos que compram e vendem bens em 2ª mão connosco, a ser um grupo de pessoas conscientes do poder que uma Comunidade pode ter para lidar com os seguintes desafios: 2.1. Capacidade de criar redes de solidariedade mais integradas, capazes de resistir e prosperar num contexto de forte abrandamento económico, que provoca nomeadamente, uma redução do poder de compra de muitos dos nossos vizinhos. 2.2. Contribuir para a redução das emissões de carbono, e portanto cuidar do Planeta, quer através da ideia de Reutilização que a loja de 2ª mão representa de facto, quer através do suporte ao Projecto Horta do Vizinho, que promoverá a produção e consumo de produtos agrícolas locais/regionais e tendencialmente biológicos, com consequências na redução dos consumos de energia, e portanto, promovendo a sustentabilidade ambiental. Identifica-se com os objectivos do Projecto Coisas do Vizinho? Coisas do Vizinho o poder da comunidade

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Sementeira nas mini-estufas do Botânico Sábado, dia 31 de Janeiro, às 15h

--- Forwarded message ---------- From: Plataforma Perma-D Date: 2009/1/15 Subject: Sementeira no Botânico To: Botânico_Interessados_com_email Caros interessados, Finalmente chegou a hora para começar o projecto no Botânico. Com a primavera a chegar, a concretização da horta tem prioridade. Por isso, a nossa primeira actividade será: Sementeira nas mini-estufas do Botânico Sábado, dia 31 de Janeiro, às 15h Ponto de encontro: entrada principal do Botânico, em frente das escadas grandes Os feirantes do Mercadinho, o Botânico e a ESAC vão disponibilizar sementes de variedades regionais, ficará uma horta interessantíssima ;-). O que fazer quando queres participar? Mandar um e-mail para indicar a tua participação. O que levar? Caixotes de madeira (veja bem quando andas na rua, perto das lojas de frutas encontram-se na área dos contentores do lixo), rolos de papel higiénico e/ou papel de cozinha, embalagens vazias de iogurte etc., sementes das tuas legumes/ervas preferidas, pequena pá/luvas se não queres sujar as mãos. O que fazer quando não estás disponível neste dia & realmente queres aprender a sementeira? Manda um e-mail com a tua disponibilidade. Vamos tentar arranjar outro momento para uma segunda sementeira. E quando uma vez temos os nossos canteiros estabelecidos, vamos fazer mais sementeiras directamente na terra. O que fazer quando conheces outras pessoas interessadas? Fazer um forward desta mensagem & indicar à pessoa que para participar basta inscrever-se por e-mail ou tlm (ver em baixo) A partir do Sábado, dia 21 de Fevereiro, vamos reunir para planear e concretizar a nossa horta & os projectos da bioconstrução. Mais pormenores a seguir logo. Um abraço permacultural P'la Plataforma Annelieke van der Sluijs PS: Desculpe quando o meu Português não está completamente correcto. Estou a aprender e agradeço retroalimentação para melhorar a minha linguagem;-). -- Plataforma Perma-D Permacultura Portugal plataforma.permacultura@gmail.com tlm.: +351 961 596 758

domingo, 11 de janeiro de 2009

Coimbra – Auditório da Escola Superior de Educação de Coimbra 24 de Janeiro de 2009 (Sábado)

Redes de Trocas, Mercados Solidários, Bancos do Tempo, e Moeda Local …que diferença fazem?

Encontro para discussão de exemplos e perspectivas emergentes e necessidades no sector da Economia Solidária na Região Centro de Portugal

Coimbra – Auditório da Escola Superior de Educação de Coimbra

24 de Janeiro de 2009 (Sábado)

Programa:

9h30 Filme: "O Dinheiro é Dívida" (dobrado em espanhol)

10h30 Intervalo

10h50 Apresentações e discussão

11h30 Intervalo

11h50 Apresentações e discussão

12h30 Encerramento

São bem-vindas apresentações formais (com ou sem multimédia) de exemplos ou experiências locais no domínio da Economia Solidária. (Estas não deverão exceder os 10 minutos.)

Para participar, faça a sua inscrição (obrigatória e gratuita) até dia 17 de Janeiro:

Envie uma mensagem de correio electrónico para o endereço joaovox@gmail.com ou sms para o 969 680 009, indicando o(s) nome(s), e se deseja fazer uma apresentação indique também o tema.

Promotores

Projecto "Terras Altas – Cultura Permanente"

http://permacultura-terras-altas.blogspot.com

Beira Serra Sustentável – Rede Local de Permacultura

http://www.beira-serra-sustentavel.org

Ecoliving Portugal http://www.ecolivingportugal.org

Quinta da Cabeça do Mato

http://quintacabecadomato.blogspot.com

Quinta dos Melros

http://quintadosmelros.blogspot.com

Agricabaz

http://agricabaz.blogspot.com/

Coisas do Vizinho

http://coisasdovizinho.wordpress.com

Food for Brits

http://food4brits.com

Informação Relacionada

Fórum Brasileiro de Economia Solidária

http://www.fbes.org.br

reas - red de redes de economía alternativa y solidária

http://www.economiasolidaria.org

Red Latinoamericana de SocioEconomía Solidária

http://www.redlases.org.ar

Cidades em Transição / Transition Towns

http://www.transitiontowns.org

Filme "Dinheiro é Dívida" Versões em Espanhol

http://video.google.com/videoplay?docid=6390521393868780179&ei=m-IlSf6yBY2A2wKuwKH3Bg&q=dinero+es+deuda

http://video.google.com/videoplay?docid=-233301379524855131&hl=pt-PT

Barter Networks, Solidarity Markets, Time Banks and Local Currency ... what difference do they make?

Meeting for the discussion of emerging examples, perspectives and needs in the Solidarity Economy sector in the Central Region of Portugal

Coimbra - Auditorium of the School of Education of Coimbra

January 24, 2009 (Saturday)

Program:

9:30 Movie: "Money as Debt" (Spanish version)

10:30 Break

10.50 Presentations and discussion

11.30 Break

11.50 Presentations and discussion

12.30 End

Formal presentations about local examples or experiments in the field of Solidarity Economy are welcome. (These should not exceed 10 minutes.)

To participate, please sign up (compulsory and free) until 17th January:

Send an e-mail to: joaovox@gmail.com or text to 969 680 009, indicating the participant (s) name (s), and if you would like to make a presentation indicate the subject / title.

Promoters

Projecto "Terras Altas – Cultura Permanente"

http://permacultura-terras-altas.blogspot.com

Beira Serra Sustentável –Local Permaculture Network

http://www.beira-serra-sustentavel.org

Ecoliving Portugal

http://www.ecolivingportugal.org

Quinta da Cabeça do Mato

http://quintacabecadomato.blogspot.com

Quinta dos Melros

http://quintadosmelros.blogspot.com

Agricabaz

http://agricabaz.blogspot.com/

Coisas do Vizinho

http://coisasdovizinho.wordpress.com

Food for Brits

http://food4brits.com

Related Information

Fórum Brasileiro de Economia Solidária

http://www.fbes.org.br

reas - red de redes de economía alternativa y solidária

http://www.economiasolidaria.org

Red Latinoamericana de SocioEconomía Solidária

http://www.redlases.org.ar

Cidades em Transição / Transition Towns

http://www.transitiontowns.org

Film "Money as Debt" Spanish Versions

http://video.google.com/videoplay?docid=6390521393868780179&ei=m-IlSf6yBY2A2wKuwKH3Bg&q=dinero+es+deuda

http://video.google.com/videoplay?docid=-233301379524855131&hl=pt-PT

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

DN, Quarta, 7 de Janeiro de 2009 : sobre a morte do jovem KUKU

Família garante que o jovem não tinha armas LICÍNIO LIMA
Amadora. Edson Sanches morreu no domingo com um tiro de um polícia Inspecção-Geral da Administração Interna e PJ investigam o caso "Todos dizem que Kuku não tinha armas", garante, em declarações ao DN, Rafaela, amiga do jovem que faleceu no domingo à noite baleado na cabeça por um elemento da PSP. O incidente registou-se após uma perseguição policial em automóvel, perpetrada por agentes da investigação criminal da Amadora, à civil, a qual terminou junto à residência da vítima, na Quinta da Lajes, freguesia da Falagueira, Amadora. O funeral realiza-se no sábado. A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar para apurar se o autor do disparo letal agiu em legítima defesa, devendo abandonar a tese do homicídio por negligência. A Inspecção- -Geral da Administração Interna (IGAI) está também a averiguar se, naquela ocorrência, o agente, que entretanto meteu baixa por questões psicológicas, cumpriu todas as regras de segurança. Kuku, de nome verdadeiro Edson Sanches, tinha 14 anos, mas os seus antecedentes criminas eram já bem "adultos". No cadastro constam quatro detenções por furtos de veículos em 2007, e, o ano passado, três detenções por furtos a estabelecimentos, veículos e um roubo violento na via pública. O outro jovem que com ele seguia e que acabou detido, Michel Mendes, tinha 19 anos e igualmente um vasto currículo criminal - já tinha sido detido em Março por furto no interior de um automóvel, e, em Abril, por furto em residência por escalonamento. Os outros três jovens que também seguiam na viatura perseguida conseguiram fugir. A PSP esclareceu ontem que o agente disparou sobre Edson após ter sido ameaçado com uma arma de 6.35 mm, a qual foi depois encontrada no solo e apreendida pela PJ. A arma do agente foi também apreendida para análise pericial.

Mais um jovem negro e pobre assassinado pela polícia.

JUSTIÇA!

Mais um jovem negro e pobre assassinado pela polícia. A plataforma Gueto não pode deixar de denunciar mais uma execução sumária, com pena de morte, dum jovem negro por parte da polícia, e um julgamento injusto feito no tribunal dos media, que condenou o nosso irmão e absolveu mais um assassino. Uma perseguição policial do passado domingo, 4 de Janeiro às 21h, ditou a morte de Kuku, com apenas 14 anos. Segundo a versão "oficial" de fontes policiais os agentes identificaram o carro furtado, onde seguiam 4 jovens, no bairro de Santa Filomena. Por não terem respeitado a ordem para parar, a polícia iniciou uma perseguição que só acabou no bairro da Quinta da Lage quando os jovens abandonaram o carro e continuaram a fuga a pé. Depois de terem disparado tiros para o ar, a polícia alega que Kuku, que foi o último a sair da viatura, apontou uma arma de calibre 6.35 a um agente, tendo este, em legítima defesa, disparado um tiro que o feriu mortalmente na cabeça. Outro irmão foi ainda atingido com uma bala na perna. Ainda na sua versão oficial a polícia declara que o agente não atirou para a matar. Quem não quer matar não aponta uma arma à cabeça, portanto a intenção do agente era matar ou teria apontado a outra parte do corpo. Na manhã seguinte os media iniciaram a sua propaganda, usando apenas as fontes policiais, para sujar a imagem do jovem e legitimar a acção do polícia, alegando que se tratava de um jovem referenciado por crimes violentos. Com esta propaganda os media conseguiram transmitir a ideia de se tratar dum jovem violento que era uma ameaça para os agentes, e para a sociedade, bem como glorificar a polícia por mais uma "missão cumprida": assassinar um negro. Como se não bastasse a idade de Kuku, 14 anos, para que este não pudesse ser considerado um criminoso violento, o mesmo foi referenciado como tal apenas por furtos, dos quais não resultou nenhuma condenação. Ainda que tal tivesse acontecido, em nenhum dos casos houve uso de violência. Tendo em conta aquilo os media têm propagandeado nos últimos meses como "criminalidade violenta" só prova que esta usa e abusa de tais critérios sem nenhum rigor para operar a sua propaganda racista e continuar a fomentar o medo dos imigrantes seus descendentes na opinião publica. Segundo os jovens envolvidos na fuga, o carro em que seguiam já tinha sido furtado anteriormente, tendo estes, sabendo que estava abandonado, aproveitado o facto para nele se dirigirem ao bairro de Santa Filomena onde iam ver um jogo de futebol. Os mesmos disseram ainda que Kuku não trazia nenhuma arma consigo. Tal como os restantes ocupantes do carro, vários amigos que estiveram com Kuku naquele dia, negam tê-lo visto com qualquer arma, e acrescentam ainda que nunca viram Kuku armado quer com faca, quer com pistola, e duvidam bastante que ele fosse capaz de apontar uma arma a outra pessoa e muito menos a um agente "Kuku era um puto.. ainda que tivesse uma arma, jamais a apontaria a um bófia". Eles descrevem-no como "calado, tranquilo, talvez até um pouco tímido". Estes afirmam ainda que Kuku estava marcado desde um episódio em que, logo após acordar, e tendo dormido em casa, foi abordado pela polícia na sua porta, alegadamente por ter sido visto a conduzir um carro roubado nessa madrugada. Indignado negou qualquer relacionamento com o que quer que fosse que tivesse ocorrido naquela madrugada e ao ser agredido e arrastado pelo chão Kuku resistiu à detenção apelando aos seus direitos. A sua resistência originou ainda mais agressividade da polícia. Kuku tentou resistir e só a intervenção da mãe e outros familiares demoveu os agentes de quaisquer que fossem as suas intenções. Kuku foi julgado e executado pela polícia à semelhança de Angoi, Tony, Tete, Corvo, PTB, etc. Nos últimos meses vários irmãos foram perseguidos e agredidos nas ruas, nas carrinhas e dentro das esquadras. Este não foi um acidente, nem um acto isolado, foi o desfecho que já esperávamos. Destes assassinatos e agressões nunca resultou uma única condenação. Pelo contrário a polícia têm sido aplaudida pelo Ministro da Administração Interna e pela opinião pública manipulada, pela propaganda racista dos media. Resta uma conclusão: face a esta impunidade a polícia tem "luz verde" para matar jovens negros em Portugal. Já não acreditávamos que fosse feita qualquer justiça nos tribunais mas agora sabemos mais que isso. Num país que nem aplica a pena de morte, até um "criminoso violento" teria direito a um julgamento antes de ser executada qualquer pena. Mas para nós negros, a pena de morte está em vigor e a "justiça" não é lenta, é veloz feita na hora pela polícia. O nosso julgamento é feito todos os dias na imprensa matinal e no noticiário das oito. Apelamos à mobilização de tod@s os irm@s contra a violência policial, a propaganda racista e contra a opressão autoritária. Se a impunidade, o conformismo e o silêncio continuarem os assassinatos continuarão também. Apelamos também ao apoio à realização dum funeral digno para Kuku na compra do Cd dos Mentis Afro, duma T-shirt do Kuku, ou através de donativo para o NIB 0010 0000 27703050 0022 0. Para mais info escrevam para o mail indicado em baixo. Plataforma Gueto. Sem Justiça não haverá Paz. Plataforma.gueto@gmail.com

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domingo, 4 de janeiro de 2009

poema de Miguel Torga

DESFECHO

"Não tenho mais palavras.

Gastei-as a negar-te...
(Só a negar-te eu pude combater
O terror de te ver
Em toda a parte.)
Fosse qual fosse o chão da minha caminhada,
Era certa a meu lado
A divina presença impertinente
Do teu vulto calado
E paciente... E lutei, como luta um solitário
Quando alguém lher perturba a sua solidão.
Fechado num ouriço de recusas,
Soltei a voz, arma que tu não usas,
Sempre silencioso na agressão.
Mas o tempo moeu na sua mó
O joio amargo do que te dizia...
Agora somos dois obstinados,
Mudos e malogrados,
Que apenas vão a par na teimosia."

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

UM LIVRO DE POESIA

"Murmúrios ventos", poesia de Jorge Casimiro À venda na Loja do AgriCabaz em Coimbra

também com o mar se escreve com o mar que trazemos nos olhos com o mar que nos corre no corpo com o mar que nos desagua na pele Jorge Casimiro

sábado, 27 de dezembro de 2008

Do livro "Sinto Muito" de Nuno Lobo Antunes

Doutor: É de olhares.É de olhares que eu preciso.Tudo o que o médico diz sem olhar é bula sem medicamento. Papel fininho, dividido em oito partes, com instruções de montagem. Não... é de olhares que eu preciso. De um certo olhar. Preciso Doutor, que o azul dos seus olhos me faça companhia, que é do céu e do mar me traga a paz... não, minto, a planície onde se estenda tranquila a criança que trago nos meus braços. Percebo que desse lado da secretária, com os seus instrumentos e o seu saber, crie a distância que o preserve da dor, e que derrame sobre o meu filho prognósticos sem esperança., abanos de cabeça onde chocalha a impotência. Pare! nos seus olhos receba-o e a mim, que somos um só. Doutor, o senhor é homem... não compreende... mulher e filho têm o mesmo caule, a mesma raiz. Não se iluda Doutor, somos o mesmo, matéria ou espírito, somos o mesmo. Toque-lhe e a mim me toca, beije-o e a mim me beija, acaricie-o e a mim festeja. O meu filho, Doutor, não se esqueça, o Meu filho. Por favor, olhe-me o no seu olhar prometa-me. Não, minto, jure pela saúde dos seus, que o saberei proteger, que viverá para sempre, criança sem mágoas junto a mim, que o meu peito é redondo como o céu, a minha pele sem ruído como o mar. Jure que terá o conforto que o meu ventre lhe prometeu. Mais, muito mais: que o seu ventre lhe jurou. Sim, porque dentro de mim existia um oceano, e a parede do meu útero era um universo sem estrelas, noite perfeita, que as estrelas, às vezes, não deixam dormir. Doutor, ele cresceu dentro de mim. Não anuncie desgraças, privações, troças, desamores. O meu corpo é um casulo, dele só nascem borboletas. De asas brancas, claro, como as dos anjos. Não, não há pernas tortas, nem movimentos sem graça. Apenas crianças eternas, em eterna paz no meu seio, no meu ventre, nos meus braços.Não se esqueça, Doutor, peço-lhe! É de um olhar que eu preciso. Cale-se, não fale, não anuncie tempestades, furacões, não me afunde em tristeza sem retorno. Conhece o poço, doutor? Já se debruçou? Conhece o fundo negro onde se reflecte a minha cara? Onde o eco da minha voz, ao repetir-se se apaga,como o tom dos sem vida. Tire-me daí, Doutor. Faça cumprir a promessa de criança sem mácula. O meu ventre foi papel e lápis, o meu amor a inspiração de artista, a minha juventude a certeza de que, se houvesse nuvens, todas seriam brancas, diáfanas como vestidos de noiva. Perceba, Doutor, eu sou a Terra, e de quem mim nasça, canta no coro da igreja, loura e sem pecado, louvores ao criador que, de tão perfeito, em gestos precisos, sem hesitações, desenha às crianças futuros sem trevas. É de um olhar que eu preciso, Doutor. Um olhar como tela de cinema que projecte a minha esperança, a certeza de um mundo que não se afasta do jardim, que na minha barriga guardei, pequenino e certo, mas tão completo, que dia e noite nunca lá ouvi chorar. Quem veio de país tão misterioso (as pessoas não sabem, mas a minha barriga é aquele país distante onde vivem príncipes sem medo, e princesas de cintura fina e virgindade guardada) , decerto crescerá sem mazelas que um beijo não console, sem rodas vivas que o meu olhar não ampare, sem que se interrompa a minha promessa eterna de mulher. Não, de mãe, que ser mulher, é apenas uma desculpa, sim, uma desculpa para ser mãe. O senhor não sabe, não conhece... Não, Doutor, não olhe assim para mim, não anuncie dores, mortes, imperfeições. Alguma vez sentiu, dentro de si, a vida que justifica a vida. Não, agora a sério... Doutor, que sabe o senhor da vida, se nunca, dentro de si, ela cresceu? Doutor, não se engane! feche os livros, ria da ciência, confesse ignorância, não zombe do milagre. Há dentro de mim muito mais do que pode compreender. Desculpe, sim.. é homem... Ponha para lá o mau agouro, afaste de mim o seu olha gélido com o azul de pólos árcticos, donde sopra o frio, vento e nada e diga-me, Doutor, se alguma vez dos seus olhos nasceram rosas? Da sua barriga se abriram folhas, cresceram pétalas, espantos e encantos? Risos sequer? Mãos de criança? Diga, Doutor, já alguém se alimentou do seu seio, e, farto, adormeceu? Alguma vez dos seus olhos nasceu o Sol? Doutor, se dentro de si nada que se pareça com um jardim alguma vez brotou, se dentro de si nem risos nem choros, nem olhos nem mãos, nem esperança nem dor, nem nada do que nesta vida merece ser celebrado, alguma vez brotou - tire a gravata, Doutor, e por uma vez, peço-lhe, cale os seus olhos.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

OLHA O B LOG DA JÚUU!!!!

http://www.julia-barata.blogspot.com/

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Jorge Pedreira equipara os professores a ratos

Jorge Pedreira equipara os professores a ratos numa reunião de professores socialistas!

Explicando porque não pode ceder o ministério às exigências dos professores: «Quando se dá uma bolacha a um rato ele a seguir quer um copo de leite!» Um relato na primeira pessoa. António Galrinho Nos últimos dias recebi SMSs de diversos colegas alertando para a presença do Jorge Pedreira, secretário de estado da educação, numa palestra a realizar em Setúbal, no dia 16 de Novembro às 17h. A palestra era subordinado ao tema "Política de Educação", foi promovida pela distrital do PS mas era aberto a não-militantes. Eu lá apareci, pensando que ia encontrar vários colegas da nossa escola, mas fui o único. No auditório da Estalagem do Sado, estávamos oitenta pessoas, o que corresponde a cerca de metade dos lugares. Esperava ver lá mais gente. Quase todos os presentes eram militantes do PS e percebi mais tarde, pelas intervenções, que cerca de metade dos presentes eram, também, professores. Eu, que sou apartidário e feroz crítico de quase tudo o que seja políticos e seus comportamentos, e nada habituado a estas lides, ali fiquei sentado ao lado de um colega de outra escola, na última fila. Na mesa estava o secretário de estado, ladeado pelo ex-deputado, actual presidente da distrital do PS (e também pintor) Vítor Ramalho, e por um indivíduo que nunca falou e que desconheço. Na plateia reconheci de imediato o Humberto Daniel, ex-presidente da junta de freguesia de S. Sebastião, e o Paulo Pedroso, deputado do PS. A palestra foi um misto de operação de charme e de apalpar o pulso aos militantes sobre o assunto em causa. O secretário de estado falou durante 50m, ininterruptamente e sem recurso a qualquer tópico escrito. Trazia, natural e obviamente, a lição mais do que sabida. Disse essencialmente disparates, mentiras e até ofendeu os professores. Aquelas coisas que estamos fartos de ouvir: os professores trabalham poucas horas, nunca foram avaliados, não querem ser avaliados, os sindicatos assinaram e agora não cumprem com o que assinaram, os professores eram uns privilegiados porque progrediam automaticamente nas carreiras, o excessivo abandono escolar, a falta de hierarquias, o premiar do mérito, etc., etc., etc. Depois houve inscrições para expor opiniões. 27 pessoas se inscreveram, entre as quais eu, que falei mais ou menos a meio. Pensei que a generalidade dos militantes aproveitasse a ocasião para tecer elogios às virtudes do ECD e do seu modelo de avaliação, mas não foi isso que aconteceu. Começou por falar o militante Chocolate Contradanças (é esse o seu nome) que foi professor e se disse desgostoso por ver o estado de desmotivação em que a sua mulher está, ela ainda professora, e referiu que o PS iria perder a maioria absoluta devido a esta ME; foi aplaudido. O Humberto Daniel teve uma intervenção bombástica ao começar por dizer que "por muito menos o Correia e Campos foi para a rua"; foi aplaudido. Outros militantes se seguiram. O Paulo Pedroso teceu críticas ferozes, também preocupado com os resultados eleitorais. Disse "a Escola está agora pior" e, referindo-se a uma passagem do discurso do secretário de estado em que este dizia que os últimos dez anos foram uma barafunda (não me lembro se a palavra foi esta ou outra idêntica) nas escolas, Pedroso lembrou que "o PS esteve 7 desses 10 anos no governo"; foi muito aplaudido. Seguiram-se outras intervenções, de professores, alguns membros de conselhos executivos, ex-professores e militantes do PS, cada uma apontando aspectos diferentes das fraquezas deste modelo de avaliação, raramente se apontando virtudes. Chegou a minha vez e quis partir mais alguma loiça, pois estava revoltado sobretudo com uma frase dita pelo secretário de estado e que não havia sido ainda comentada por ninguém. No final do seu discurso ele havia dito, referindo-se às negociações com os sindicatos, que não estava na disposição de ceder nem de renegociar. Coroou o seu raciocínio com o provérbio chinês "Quando se dá uma bolacha a um rato, a seguir ele quer um copo de leite." Assim, sem tirar nem pôr! Depois de me apresentar, esclareci que sabia o que era uma metáfora mas que não podia ficar indiferente à contextualização dada àquele provérbio, onde os professores eram comparados aos ratos, e salientei: - Um professor pode até aceitar uma bolacha e pode até beber um copo de leite, mas também sabe desmontar uma ratoeira;Tensão na sala, com muitos olhos em cima de mim, de pé, com o microfone na mão. Mas não fraquejei e achei que devia ser ainda mais contundente. Depois de referir as fraquezas deste modelo, a má-fé e as reais intenções que estão por trás dele disse: - Isto é uma palhaçada! Continuei dizendo que o ME está sempre a passar à opinião pública que os professores trabalham poucas horas e que têm muito tempo de férias. Lembrei que: - Em relação às horas, não sei como chegam a essa conclusão, pois eu nunca trabalho menos de 40h por semana, e é frequente trabalhar bem mais. Quanto às férias e às paragens, como nos podem atirar isso à cara se nos limitamos a cumprir o calendário estipulado pelo ministério? Até parece que os professores andam a roubar alguma coisa a alguém. Sabia que estava a pisar terrenos argilosos, mas arrisquei de novo: - Isto é uma palhaçada! Às tantas o Vítor Ramalho interveio e disse que não podia admitir esta linguagem, que se tratava de um encontro de militantes do PS onde as pessoas se respeitavam. Eu, que vejo na generalidade dos políticos pessoas que são tudo menos sérias, estive-me nas tintas para os seus pruridos. Perguntei-lhe se os não-militantes não podiam intervir. Ele disse que sim. Perguntei-lhe se me deixava continuar e concluir a minha opinião. Disse de novo que sim, e eu continuei. Para concluir lembrei-me de uma série de ataques que o secretário de estado fez aos professores e às suas formações. A esses ataques respondi: - Todos os professores têm formação média, superior ou equiparada, alguns têm mestrado, outros têm doutoramento. Fizeram profissionalização dentro dos moldes estipulados superiormente. Fazem acções de formação e actualização com regularidade. Como nos podem atirar também isso à cara? Lembro que mais de 90% dos professores têm habilitações académicas superiores às do primeiro-ministro. - Aí é que foram elas! Não se podia falar mal do ai-jesus de todos eles, ali. Pateadas da mesa e de muitos dos presentes na plateia. Ainda perguntei, por duas vezes: - Estou a dizer alguma mentira? Ninguém me disse que não. Sentei-me; ninguém bateu palmas. Ouvi atentamente as intervenções seguintes. Um psicólogo referiu que a ministra tem, à partida, qualquer coisa contra os professores, e que isso é notório nas suas intervenções. O último a falar foi um colega que referiu conhecer como funcionam as coisas noutros países da Europa, onde esteve várias vezes em trabalho, e de não saber de nenhum onde os professores sejam divididos em duas carreiras. Questionava ele a que país, afinal, tinha ido o ME inspirar-se. Para terminar, foi dada a palavra ao secretário de estado, que voltou a falar das virtudes deste modelo de avaliação e da importância de o levar à prática. Foi um discurso circular, onde muito pouco se reflectiram as preocupações colocadas pela plateia. Foi assim a minha aventura de quatro horas numa palestra promovida pelo partido que suporta o governo que está a destruir o ensino público no nosso país. António Galrinho Publicado por JoaoTilly em novembro 20, 2008 07:37 AM

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Não desperdiçar as oportunidades da crise, artigo de Leonardo Boff

Earth Charter Iniciative

Earth Charter Iniciative www.cartadaterra.org

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Não desperdiçar as oportunidades da crise, artigo de Leonardo Boff

Face ao cataclismo econômico-financeiro mundial se desenham dois cenários: um de crise e outro de tragédia. Tragédia seria se toda a arquitetura econômica mundial desabasse e nos empurasse para um caos total com milhões de vítimas por violência, fome e guerra. Não seria impossível, pois o capitalismo, geralmente, supera as situações caóticas mediante a guerra. Ganha ao destruir e ganha ao reconstruir. Somente que hoje esta solução não parece viável pois uma guerra tecnológica liquidaria com a espécie humana; só cabem guerras regionais sem uso de armas de destruição em massa. Outro cenário seria de crise. Para ela, não acaba o mundo econômico, mas este tipo de mundo, o neoliberal. O caos pode ser criativo, dando origem a outra ordem diferente e melhor. A crise teria, portanto, uma função purificadora, abrindo espaço para uma outra oportunidade de produção e de consumo. Não precisamos recorrer ao idiograma chinês de crise para saber de sua significação como risco e oportunidade. Basta recordar o sânscrito matriz das línguas ocidentais. Em sânscrito, crise vem de kir ou kri que significa purificar e limpar. De kri vem também crítica que é um processo pelo qual nos damos conta dos pressupostos, dos contextos, do alcance e dos limites seja do pensamento, seja de qualquer fenômeno. De kri se deriva outrossim crisol, elemento químico com o qual se limpa ouro das gangas e, por fim, acrisolar que quer dizer depurar e decantar. Então, a crise representa a oportunidade de um processo critico, de depuração do cerne: só o verdadeiro fica, o acidental cai sem sustentabilidade. Ao redor e a partir deste cerne se constrói uma outra ordem que representa a superação da crise. Os ciclos de crise do capitalismo são notórios. Como nunca se fazem cortes estruturais que inaugurem uma nova ordem econômica mas sempre se recorre a ajustes que preservam a lógica exploradora de base, ele nunca supera propriamente a crise. Alivia seus efeitos danosos, revitaliza a produção para novamente entrar em crise e assim prolongar o recorrente ciclo de crises. A atual crise poderia ser uma grande oportunidade para a invenção de um outro paradigma de produção e de consumo. Mais que regulações novas, fazem-se urgentes alternativas. A solução da crise econômica-financeira passa pelo encaminhamento da crise ecológica geral e do aquecimento global. Se estas variáveis não forem consideradas, as soluções económicas, dentro de pouco tempo, não terão sustentabilidade e a crise voltará com mais virulência. As empresas nas bolsas de Londres e de Wall Street tiveram perdas de mais de um trilhão e meio de dólares, perdas do capital humano. Enquanto isso, segundo dados do Greenpeace, o capital natural tem perdas anuais da ordem de 2 a 4, trilhões de dólares, provocadas pela degradação geral dos ecossistemas, desflorestamento, desertificação e escassez de água. A primeira produziu pânico, a segunda sequer foi notada. Mas desta vez não dá para continuar com o business as usual. O pior que nos pode acontecer é não aproveitar a oportunidade advinda da crise generalizada do tipo de economia neoliberal para projetar uma alternativa de produção que combine a preservação do capital natural com o capital humano. Há que se passar de um paradigma de produção industrial devastador para um de sustentação de toda a vida. Esta alternativa é imprescindível, como o mostrou corajosamene François Houtart, sociólgo belga e grande amigo do Brasil, numa conferência diante da Assembleia da ONU em 30 de outubro do corrrente ano: se não buscarmos uma alternativa ao atual paradigma econômico em quinze anos 20% a 30% das espécies vivas poderão desaparecer e nos meados do século haverá cerca de 150 a 200 milhões de refugiados climáticos. Agora a crise em vez de oportunidade vira risco aterrador. A crise atual nos oferece a oportunidade, talvez uma das últimas, para encontrarmos um modo de vida sustentável para os humanos e para toda a comunidade de vida. Sem isso poderemos ir ao encontro da escuridão.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Poesia de Osvaldo Kiluange Sousa

Lusofonia que Grita
Que gritos são esses que oiço em redor de Lisboa
São gritos e gemidos de gentes que fazem a multiculturalidade
Gentes da periferia de Lisboa que ficaram só entre eles
Sim convivem numa lusofonia diferente
A lusofonia dos bairros que clamam pela política de integração
Enquanto isso não deixam de ser parte da lusofonia de expressão
Porque são aplaudidos quando convém a bem do sistema
Essa é a lusofonia lembrada no comício da cachupa
Esquecida nos debates da lei

domingo, 2 de novembro de 2008

Poesia de Osvaldo Kiluange Sousa

A Dor da Profecia e o Amor da Poesia
Eu sou como o profeta que clama no ermo
Os meus gritos de aflição não fazem audição para o sistema
Gritos de dor da imigração sentido sem valor da integração
Sou como o profeta que clama no ermo
As minhas profecias encheram a nação de esperança
Mas a seleção levou toda a atenção
E hoje só me restou a poesia para fazer a profecia
Enquanto rimo com a ajuda de todo o primo
Porque a lusofonia é o lema que não chegou ao bairro
Osvaldo Poeta PARA QUEM FALA DOS BAIRROS osvaldo-escritor@hotmail.com

sábado, 1 de novembro de 2008

Poesia de Osvaldo Kiluange Sousa

Entrevista do (a) poetelas

Sobre mim

Hoje a poesia clama o isolamento dos bairros

Bairros cidades de realojamento
Transformados em guetos de sofrimentos
Bairros onde habitam gentes de lusofonia
Que gemem entre a escuridão a lentidão da política
A poesia clama os gritos de dor e gemidos dos desprezados Bairros que nasceram com a imigração de gentes coloridas
Gentes que vieram em busca da razão para viver
Confiando na lusofonia prometida

domingo, 26 de outubro de 2008

Pliny’s Natural History and the idea of history of art in classical antiquity.

Thursday, 23 October 2008

Pliny’s Natural History and the idea of history of art in classical antiquity.

By Miguel Ayres de Campos Tovar. Moreover, the path is not a beaten highway of authorship, nor one in which the mind is eager to range: there is not one of us who has made the same venture, nor yet one Greek who has tackled single-handed all departments of the subject Pliny, Natural History, Book I

domingo, 19 de outubro de 2008

Osvaldo poeta, 'detective' e 'manager' da Quinta do Mocho

Osvaldo poeta, 'detective' e 'manager' da Quinta do Mocho Basta pôr o pé na rua. Há sempre alguém, na Urbanização da Quinta do Mocho, em Sacavém, que chama por Osvaldo de Sousa. É a tia Bia a perguntar pela mãe dele, o Braima a convidá-lo para ir a Lisboa, as miúdas a combinar a hora do ensaio de dança. Desta vez foi a Daniela e está de sobrolho carregado porque é que, na longa lista de agradecimentos do seu primeiro livro, não se encontra o nome dela? "É só um rascunho. Falta ainda acrescentar muitas pessoas", gagueja ele. Acabado de encadernar, os poemas de Osvaldo correram de mão em mão. O bom seria ver a obra à venda nas livrarias, suspira Osvaldo. Mas, para já, os seus versos são um sucesso no bairro. A poesia é apenas um dos motivos para o angolano ser tão popular na Quinta do Mocho. Razões não faltam. É rapaz para conseguir uma sala para as Divas do Mocho ensaiarem uns passos de dança; fazer com que os professores percam o medo e visitem a urbanização; descobrir o paradeiro de familiares desaparecidos; pôr o bairro em peso a varrer o lixo das ruas.Osvaldo esclarece que fez tudo com a ajuda dos amigos, mas não foi por acaso que o elegeram presidente da Associação de Jovens de Intervenção Multicultural (AJIM). Ainda não tem e não sabe se algum dia terá local fixo para trabalhar. Isso não o impede de organizar, juntamente com os outros amigos, sessões de hip hop, de capoeira ou de apoio escolar aos alunos do bairro. E, se na altura do aperto, toda a gente se lembra dele, é porque não é homem para desistir à primeira. Já fez um pouco de cada coisa - desde mediador cultural, na Escola Bartolomeu Dias, até serviços administrativos no Centro de Saúde de Moscavide. Mas a história de um miúdo que perdeu o rasto do pai é uma das muitas vitórias que gosta de lembrar. Sem família nem documentos, o santomense estaria condenado à clandestinidade. Osvaldo agarrou o caso, com a persistência de um detective. Com um nome escrito num pedaço de papel, percorreu os bairros das redondezas. Nem sinal do homem. Partiu rumo a outras terras Camarate, Catujal ou São João. Falou com meio mundo, mas a sorte não mudou. Apanhou boleia na estrada e chegou ao outro lado do rio. Na Charneca de Caparica conseguiu um número de telemóvel que correspondia ao nome que trazia escrito num papel no fundo do bolso. Fez uma tentativa e, do outro lado da linha, ouviu a voz do desaparecido. "O senhor até já estava legalizado e assim foi mais fácil regularizar a situação do seu filho", recorda.Haverá mais episódios para contar acerca deste miúdo que chegou à Quinta do Mocho há 15 anos para viver numa barraca com a mãe. Mas Osvaldo prefere concentrar as suas energias na missão seguinte. Um destes dias vai vestir a pele de manager e descobrir uma editora para gravar um CD com os artistas do bairro "Há tantos talentos escondidos que seria uma pena ficarem no anonimato", explica. Kery, o rapper, Indira, a dançarina-cantora e Braima, o rapaz que recuperou os ritmos tradicionais africanos esfregam as mãos de contente. Não é para menos. "Quando aquele rapaz põe uma ideia na cabeça, só descansa depois de conseguir o que quer", contam os amigos do bairro.

Seminário Intervenção Comunitária e Participação

Localização: Centro Profissional do Sector Alimentar - Pontinha - Lisboa Data: 30 de Outubro de 2008 O Grupo de Intervenção Comunitária a partir da Saúde (GICAS) organiza, no dia 30 de Outubro de 2008, o Seminário Intervenção Comunitária e Participação, na Pontinha, em Lisboa.
O Seminário destina-se a equipas multidisciplinares de intervenção comunitária ou pessoas com interesse por est área. Visa a partilha de experiências de envolvimento de técnicos e populações em projectos desenvolvidos no terreno, bem como reforçar laços entre associações e projectos de intervenção comunitária e reflectir em conjunto sobre a actividade desenvolvida e perspectivas futuras. Programa9:00h Abertura do Secretariado 9:15h Intervenção de abertura dos trabalhosRogério Roque Amaro (PROACT / ISCTE) 9:30h 1ª MESA: Jovens e AdolescentesModeradora Adelaide VerdeProvocador *Violência em sala de aula - Hortense Gouveia (C SCascais)PROJAS — João Diegues (C S Palmela)Estar de Esperança — Sónia Ventura (APF) 10:30h Debate 10:45h Pausa 11:00h 2ª MESA: Adultos, pessoas mais velhas, famíliasModeradora Susana AndradeProvocador Henrique Joaquim (C. S. P. Campo Grande /UCP)Horta Nova (Carnide) - GAIMComunidade Bº 6 de Maio — Helena VicenteAguada de Baixo — Dalila Costa 12:15H Debate 12:30H ALMOÇO 14:00H 3ª MESA: Minorias Étnicas / InterculturalidadeModeradora Catarina PortilheiroProvocador Tânia Gaspar (ISPA)Desenvolvimento de Competências - Marta Rafôto (C SPontinha)Moinho da Juventude — Lieve Meersschaert (a confirmar) 15:00h Debate 15:15h Pausa 15:30h 4ª MESA: Meio rural vs Meio urbanoModeradora Lígia CalapezProvocadora Maria José Tovar (C. S. Águeda)Covas do Monte - Victor AndradeBaixa da Banheira ICE - Joaquina CostaAJIM (Quinta do Mocho) — Osvaldo Kiluange Sousa 16:30h Debate 16:45h — 18h Intervenção de encerramentoAntónio Cardoso FerreiraTeatro do Oprimido — José João Rodrigues (a confirmar) Mais informações:TM: 96 464 08 33E-mail: gicas2008@gmail.com Portal da Saúde Validação: CSS XHTML Acessibilidade: AA log

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Acerca do programa «a nossa terra quer» e Covas do Monte

Carta à SIC Exmos. Senhores,

Como representante legal do ICE – Instituto das Comunidades Educativas, parceiro do projecto “Covas do Monte Aldeia Viva” de Covas do Monte e a quem tem cabido, aliás, a responsabilidade pelo seu acompanhamento metodológico, dirijo-me a V. Exas. em virtude do que se passou com o concurso “A Minha Terra Quer”.

Levar uma comunidade isolada, em estado próximo da anomia, a começar a acreditar num futuro alternativo ao seu presente é um processo muito lento e complexo. Faz-se, ultrapassando as descrenças através dos pequenos êxitos que se conseguem, mostrando que os pequenos passos que se vão dando no sentido da melhoria das condições de vida podem ser objecto de reconhecimento. A mais pequena frustração às expectativas que eventualmente criam pode ser suficiente para o reinstalar do desânimo, para o criar da noção de que não vale a pena lutar.

Não nos surpreenderam, pois, as muitas reticências que os seus habitantes fizeram à ideia de candidatar a aldeia ao vosso concurso. Assim como não nos surpreendera a pouca crença que tinham na possibilidade de o vencerem e de através disso poderem realizar o seu sonho.

Face a esta realidade o que se passou com o concurso é da maior gravidade. Ao verem anunciada a vitória da sua aldeia, a comunidade entrou em euforia e pode dizer-se começou a acreditar em si. Começou a acreditar que de facto valia a pena “o que vem tentando”.

Verificar, três dias depois, que tudo não passava de um “engano” foi um duro golpe, recaindo numa descrença bem mais vincada do que aquela que possuíam quando o projecto se iniciou.

Este é o estrago e o prejuízo causado pela vossa estação.

Foi um engano, dizem-nos e, como é evidente, sabemos bem que os enganos são possíveis…

Mas não ilibam as responsabilidades. Uma instituição que se quer credível, respeitada, “preferida” aos olhos da opinião pública não pode ficar indiferente perante os estragos que provoque, ainda que involuntariamente. De algum modo tem de encontrar forma de redimir-se, de reconquistar a confiança dos que lesou. Não basta um pedido de desculpas privado, não publico. Tem – teria no caso vertente – de contribuir para “repor o ego” da comunidade de Covas do Monte.

Pode pensar-se que uma aldeia perdida na serra, com 54 habitantes não pesa no prestígio da SIC, mas esse seria um erro de quem não tem nomeadamente em conta a rede de relações que a aldeia em questão já construiu: através de instituições como a nossa, por exemplo, a sua influência chega a diversas universidades, autarquias e associações de desenvolvimento local.

Por tudo isto, pela importância que damos ao recriar da esperança em Covas do Monte, aguardamos, aguarda o ICE, uma reparação condigna e eficaz.

O Director Executivo

Rui d’Espiney

Encontro de Contadores, Lareiras e Sabores

Estória, História...: Encontro de Contadores,
Lareiras e Sabores

Maciço da Gralheira
3, 4 e 5 de Outubro de 2008
''Quem faz o conto é o ouvido''
                               Italo Calvino

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