sábado, 8 de março de 2008

educação especialmente inclusiva

A Educação que se constrói como “EspecialmenteInclusiva”

Rosa Madeira - Universidade de Aveiro

Neste artigo queremos abordar a Educação Especial e a Escola Inclusiva, como indícios da relação das Sociedades com a Diferença ou Diferenças que, em cada momento da sua história, estas reconhecem e sancionam, positiva ou negativamente.

Esta perspectiva nos parece interessante na medida em que consideramos que as pessoas portadoras de deficiência constituem um dos grupos sociais que a sociedade identifica por diferenças que são constantemente transformadas em critérios de discriminação social que, por sua vez, legitimam o desvio das suas trajetórias da confluência da vida comunitária.

É neste contexto que nos propomos reflectir sobre as implicações das concepções e práticas dos educadores e de outros atores sociais a quem a sociedade delega o poder de sinalizar, descrever, medir e atribuir significado valorativo a características, desempenhos e interpretações das crianças e jovens com deficiência.

Consideramos que a educação tem sido promovida como meio de homogeneizar disposições sociais e níveis de produtividade individual que contribuem para consolidar processos de normalização de funções e papéis sociais a que resistem, por diferentes razões, diversos grupos sociais. Desta perspectiva, podemos considerar que as pessoas portadoras de deficiência fazem parte de um grande grupo que inclui as minorias étnicas, lingüísticas, raciais e/ou religiosas, na condição de imigrantes, de refugiados ou de pobreza.

O que há de comum em todos estes casos é que a diferença de atributos pessoais e o respectivo impacto nas relações sociais é desigualitariamente avaliado pelo grupo dominante, que se identifica e faz-se identificar como padrão de referência. Assim, o problema da relação das sociedades com as diferenças individuais pode também ser analisado criticamente como expressão e reprodução de assimetrias entre os que definem e os que são definidos como “diferentes”.

É considerando a Educação inclusiva como um dever das sociedades que se construíram historicamente sobre a recusa da naturalização da desigualdade entre seres humanos, que se pode problematizar a educação especial que justifica a separação de contextos e de trajetórias de vida das crianças e jovens da mesma Comunidade. Deste ponto de vista, a Escola inclusiva constitui uma alternativa à Educação Especial, que se constrói por referência a padrões de desenvolvimento, de aprendizagem, de comportamento e que reforçam concepções de média, de norma e de desvio.

Neste artigo nos propomos revisitar e contextualizar, social e historicamente, a narrativa da experiência de um grupo de educadores que animou um movimento social local que se tornou conhecido a nível nacional e internacional como alternativa a formas convencionais de educação especial.

Como veremos adiante, este movimento emergiu em Portugal em meados dos anos 70 e teve a sua origem a interacção entre pais, profissionais e outros agentes locais ligados aos sectores de educação, saúde e segurança social que, ao longo do tempo, se foram constituindo como "comunidade de interesses". Foi a partir desta estruturação mínima das suas relações interpessoais que alguns destes elementos da comunidade puderam desenvolver uma filosofia social e adoptar como finalidade comum, o não consentimento e a erradicação da exclusão de qualquer criança da comunidade.

Dentro de limites, variáveis ao longo do tempo, este grupo pôde construir a sua ação à margem dos tipos ideais que estruturavam a educação especial. Para isso, teve que desconstruir os estereótipos de “deficientes”, de "inadaptados", de “reabilitadores” ou “reeducadores” incorporados no seu próprio pensamento, linguagem e práticas, nas quais se reproduziam os princípios de visão e de divisão do mundo social que excluía aqueles para quem reclamavam a inclusão social.

Era esta realidade social objectivada nas situações, mas também interiorizada nas subjectividades construídas pela socialização primária e secundária, que grupo se dispunha a reconhecer para transformar, através da acção-reflexão-acção nas comunidades de interesse que constituía. Era a partir desta outra base social da sua intervenção que puderam investir consistentemente na reinvenção de trajectórias de inserção e de produção de conhecimento social, que era percepcionado como contra-corrente à reprodução da desigualdade e da exclusão inerente à sociedade. Sociedade formada pela hierarquização de laços de pertença, inclusão e identidade comunitária e por princípios universalistas que constituem os Estados-Nação.

Pensamos que a narrativa deste percurso pode tornar mais visíveis e pronunciáveis as relações sociais que se estruturam e definem em diferentes níveis ou escalas de acção social. Pode contribuir para desnaturalizar a desigualdade de oportunidades de inclusão e reconhecimento social, justificada pela categorização de diferentes características, tipos e níveis de desempenho de interpretação da realidade, que classificam para hierarquizam indivíduos e grupos sociais, qualificando ou desqualificando subjectividades segundo a posição.

O caso que aqui discutiremos nos parece também interessante porque põe em evidência a relação da educação com uma sociedade que, tendo saído, através da revolução de Abril de 1974, de um período de cristalização das instituições sociais, teve que passar por sucessivos processos ou fases de estruturação/reestruturação das relações (macro, meso e micro) sociais, ao longo dos últimos 30 anos.

Reconhecendo-se como parte desta história social e desta totalidade dinâmica de relações sociais, o grupo foi-se movendo e foi mobilizando recursos locais e outros atores sociais na criação de espaços e laços sociais novos que tornaram possível a inclusão de alguns grupos, na reconstrução constante do seu próprio conhecimento social e pedagógico e na cuidadosa exploração de margens de liberdade de pensamento e de acção social no interior da comunidade e do Estado.

Ao dar visibilidade aos progressos e retrocessos vividos por estes educadores, que se descobriram apenas relativamente autónomos no interior da Comunidade e do Estado relativamente autónomo face a instâncias internacionais, queremos pôr a hipótese da Escola inclusiva poder ser, dentro de alguns limites, construída como lugar de tomadas de posição que desestabilizem os mecanismos da reprodução social, precipitando assim a reconstrução e a democratização social.

Defendemos que a replicação ou a alteração das dinâmicas e das relações sociais estabelecidas pela exigência de funcionalidade do regime de acumulação capitalista, dependem, em certa medida e em dados momentos cruciais, do compromisso que tanto educadores quanto os pais e demais atores sociais, assumem relativamente às crianças, aos idosos, às pessoas portadoras de deficiência ou em situação de crise e de outras minorias ( étnicas, raciais, sexuais, religiosas). Sendo os Educadores social e politicamente investidos da tarefa de discriminar diferenças ou antes sujeitos “diferentes” que perturbam a “harmonização” de funções sociais, podem recusar ou negociar critérios de classificação social que posicionam os sujeitos como “desiguais”. De certa forma e em certa medida, a manutenção da funcionalidade ( pelo menos parcial) dos sistemas económicos que produzem a exclusão e que não estão comprometidos com a construção da igualdade entre todos os cidadãos, dependerá do modo como os educadores se posicionem diante das circunstâncias dos grupos subordinados ou excluídos.

Foi através desta tomada de consciência e de posição (axiológica e política) que, a nosso ver, este grupo pôde desenvolver um ponto de vista alternativo à possibilidade e direito à inclusão social, como princípio a universalizar pela sua praxis individual e colectiva. A ideia de que seria possível construir um outro lugar de existência comum, em que aqueles que se descobriam como semelhantes poderiam valorizar a singularidade pessoal de todos os outros, parece ser a utopia que deu consistência à multiplicidade de acções desenvolvidas pelo grupo de Águeda.

Foi procurando desocultar para compreender estas contradições sociais entre a retórica da igualdade e o sancionamento das diferenças com efeitos sobre a vida de alguns grupos mais vulneráveis à discriminação negativa, que o grupo pode ir construindo um “outro” caminho feito a caminhar, contra a exclusão e a favor da inclusão, contra a diferenciação desigualitária e a favor da construção da igualdade, contra a classificação das características segundo padrões de norma, media e desvio e a favor reconhecimento das diferenças como expressão de subjectividades, assumindo a diversidade e a interdependência humana como valor e desafio a imaginação social.

Para situar os leitores no contexto a que nos referimos, começaremos por fazer uma breve referência à comunidade em que se inscreve esta experiência e ao processo de construção da igualdade e da diferença a que o grupo teve que responder no campo da educação especial.

Num segundo momento passaremos a narrar e a problematizar o movimento social contra a exclusão das crianças portadoras de deficiência nos contextos educativos da comunidade e na escola, enquanto lugar social situado entre o Estado e a Comunidade.

De seguida, faremos uma incursão sobre como as relações sociais, estruturadas a nível macro social e no exterior da comunidade, participaram para que o movimento pela inclusão em curso tivesse que ser traduzido em outras linguagens para manter-se dentro do âmbito da acção do Estado Providência e ao abrigo das relações locais que reagiam à problematização da desigualdade social como constrangimento do acesso e sucesso educativo das crianças dos grupos subordinados.

Finalmente, retomamos a discussão sobre a Educação Especial e a Escola Inclusiva como pólos de uma tensão social que se expressa nas decisões políticas da Sociedade mais ampla e que deveriam ser apreendidos como limites mas também como desafios à reconstrução social por novos sujeitos colectivos que se possam identificar pela capacidade de atravessar fronteiras entre escalas, saberes, poderes, linguagens e as próprias disposições sociais incorporadas nas suas práticas, para reinventar a sociedade.

A construção da igualdade e da diferença na Comunidade de que fala a narrativa

A Experiência que aqui apresentamos teve lugar num Município localizado na zona Centro de Portugal., com cerca de 50.000 habitantes. Trata-se de uma região reconhecida pelo desenvolvimento econômico alcançado com a industrialização que, em poucas décadas, transformou agricultores em operários e alguns operários em empresários.

Embora a população mantenha laços afetivos à terra e a valores que estruturam e dão significado ao mundo social rural, o ritmo e a intensidade do processo de industrialização submeteu todos os grupos sociais a um processo de aculturação e de reestruturação da sua vida individual e colectiva segundo valores da Modernidade.

A Revolução de Abril em1974 veio acelerar e orientar estas transformações no sentido da democratização das oportunidades sociais e da desestabilização de hierarquias sociais que eram naturalizadas pelas comunidades. Naquele período, as pequenas e médias empresas multiplicaram-se por iniciativa de muitos operários e ex-agricultores que na época tinham um mínimo de propriedade para investir o capital tecnológico que tinha desenvolvido numa posição subalterna e ao serviço de grandes empresas.

Esta alteração fez com que alguns grupos tivessem melhorado as suas condições de vida e de acesso a outras oportunidades, designadamente a novos rendimentos e direitos sociais. Este processo não abrangeu, no entanto, todas as famílias residentes e muito menos as famílias imigradas de zonas pobres do interior. A estas famílias coube assumir quase exclusivamente as tarefas produtivas que requeriam maior esforço e que, por serem pior retribuídas, foram abandonadas pelos naturais. Esta posição, baseada na distinção negativa entre sujeitos que deixaram de reconhecer-se como semelhantes, fez com que muitas famílias tivessem perdido laços sociais como o centro da comunidade, tornando-se assim reclusas da periferia..

Para diferenciar-se e para consolidar a nova identidade social, definida pela alteração de posições sociais relativas, a classe social emergente começou a definir como “ïnferiores” os grupos subordinados ou os que não podiam garantir o aumento de níveis de produtividade. A estes grupos era atribuída a responsabilidade do não aproveitamento das oportunidades sociais que iam sendo criadas mas que só eram universais na aparência e na retórica.

A estas famílias naturais, que foram discriminadas negativamente para legitimar as novas desigualdades sociais que se estabeleciam localmente, vieram entretanto juntar-se populações do interior e as famílias provenientes dos países africanos descolonizados naquela época. As condições sub-humanas de alojamento e a inexistência de relações de acolhimento dos que eram identificados na comunidade como outros, ou como “os de fora”, contribuiu para a desqualificação de algumas áreas de residência que passaram a concentrar alguns segmentos da população.

As barreiras sociais e de comunicação que foram sendo construídas criaram condições de estigmatização daqueles grupos por aqueles que animavam os novos círculos sociais criados com a melhoria de condições de vida, de contrato social e de reconhecimento de direitos sociais.

Esta dinâmica de reestruração e ressignificação das relações locais, segundo outras lógicas de pertença, identidade e inclusão social, participaram para o empobrecimento relativo de muitas famílias de trabalhadores indiferenciados, cuja imagem de precariedade e dependência passou a contrastar cada vez mais com a imagem de sucesso e “altruísmo” das “outras” famílias.

O próprio isolamento que havia deixado algumas famílias sem redes de protecção social, as distanciou dos espaços onde ia sendo construída a cidadania promovida com a democratização do Estado. Era neste outro lugar que as outras famílias da comunidade começavam a substituir hábitos de solidariedade directa sem receber contrapartidas simbólicas.

Nesta dinâmica, combinava-se a luta de uns grupos por melhorar as suas novas condições de vida individual com a resistência de outros grupos contra a apartação social que o grupo de educadores, pais e outros agentes locais de Águeda, encontraram, indo de lugar em lugar e quase porta a porta, como é o caso de crianças cujas características físicas ou desenvolvimentais pareciam comprometer a integração social também das suas famílias.

Um grande número das crianças, jovens e adultos destas zonas em transformação eram invisíveis na comunidade. As famílias viviam isoladas e na sua maioria tinham rompido com as redes de apoio social tradicionais da comunidade. Na ausência de redes sociais formais elas tinham que atender e por vezes esconder, os seus dependentes com deficiência, vistos como diferentes pela comunidade.

A acção do grupo foi desencadeada pelo contacto directo com situações de total marginalidade em que se encontravam as crianças e jovens portadoras de deficiência e outras que a comunidade sinalizava por diferenças comportamentais. Mobilizado pela preocupação com o impacto da relação negativa das comunidades e das famílias com as diferenças destas crianças, o grupo se organizou contra as condições desumanizadas e desumanizantes geradas pelo grau de restrição e abandono social em que elas vivam, sob a responsabilidade exclusiva de pais, também isolados e estigmatizados pelo meio.

A construção de espaços de inclusão dos excluídos, no interior das Comunidades

Na luta por encontrar respostas para a realidade de que tinha tomado consciência, o grupo obteve uma casa emprestada como sede da sua intervenção, mas rapidamente esta foi transformada num Jardim-de-infância1 que pudesse integrar parte das crianças que estavam reclusas no espaço doméstico ou ainda no espaço da fábrica e/ou do trabalho agrícola de subsistência. Neste novo lugar, criado para as crianças da comunidade, 20% das vagas pertencia a crianças portadoras de deficiência, independentemente do tipo e do grau das suas dificuldades de movimento, de comunicação ou de autonomia em actividades de vida diária, decisão que foi facilitada por já haver alguma experiência acumulada por uma educadora e por dois pais que integravam o grupo base.

Durante quase duas décadas, este Centro de Educação Integrada foi a sede do grupo que animava o Movimento pela inclusão no Município, apesar da inevitável dispersão dos profissionais pelos novos serviços de educação, saúde e apoio social que foram sendo criados para reforçar e diversificar os recursos locais de apoio às crianças, suas famílias e educadores de infância.

Durante duas décadas este serviço reuniu pessoas em torno de ideias, mas sobretudo de problemas sociais concretos de crianças excluídas ou em desvantagem, que resultaram em processos e projectos de ações, que foram sendo formalizadas como serviços de apoio à infância na comunidade. Nestes novos serviços, a inclusão das crianças e de grupos em risco de exclusão social se instituiu como um princípio de toda a acção social.

A partir de Outubro de 1975, um grupo de crianças identificadas como portadoras de autismo, síndrome de Down, surdez profunda, paralisia cerebral e atrasos graves de desenvolvimento, começou a fazer parte dos vários grupos de crianças deste Jardim de Infância. O processo de integração de cada uma e de todas as crianças na confluência da vida do Centro, foi pensado a partir de uma outra lógica ou racionalidade que permitia ver as vantagens dos grupos heterogéneos, como forma de promover relações de interdependência entre crianças com diferentes idades, níveis de desenvolvimento, interesses e recursos de autonomia e de comunicação.

Na perspectiva do grupo e dos profissionais que foram sendo integrados, a finalidade seria prestar a todas as crianças os mesmos cuidados e a mesma atenção educativa de que cada uma necessitasse para lidar com estas novas circunstâncias e regras de convivência entre elas e delas com os adultos. O que importava ao grupo era explorar situações de interação social, de comunicação, de descoberta e de aprendizagem entre crianças diferentes (porque únicas) dentro e fora das salas de actividades, com a participação dos pais, irmãos e de outras pessoas da comunidade envolvente.

O desafio era facilitar e manter a interação entre as crianças, entre os educadores e os pais, ou seja, entre conjuntos de relações interpessoais e entre grupos que se fossem constituindo a partir de interesses comuns. Era nestes grupos que se procurava enriquecer as oportunidades de comunicação e de aprendizagem entre todas as crianças com atenção a cada uma.

As crianças com maiores recursos de participação estavam envolvidas nas mesmas situações em que os seus companheiros com dificuldades de locomoção, comunicação, compreensão e adaptação social, havendo momentos em que as diferenças de modos e níveis de desempenho exigiam muita criatividade dos educadores que tiveram que redefinir com os pais o que se passaria a entender como uma “ boa educação” para todos.

O que teve que ser constantemente revisitado foram os objetivos e os conteúdos das experiências das crianças, com que se ia dando forma e consistência ao currículo e aos diversos contextos criados. O que em nenhum momento era posto em causa era a integração como direito social inalienável de cada criança.

O foco passou a ser a intencionalização das interações sociais com e entre as crianças e dos adultos entre si, porque esta era considerada a actividade principal dos educadores, partilhada com outros adultos envolvidos no processo. A capacidade de comunicação e a imaginação de contextos que pudessem prevenir e tirar proveito das tensões e dos problemas práticos através do o uso dos espaços, do tempo, dos objetos e dos acontecimentos, eram colectivamente transformados em materiais de formação. O próprio papel dos educadores e dos pais foi sendo redefinido em função dos contextos, pretextos, formas e conteúdos de comunicação que emergiam com e entre as crianças e que, devido à novidade e risco da situação criada, requeriam ser escutadas com mais atenção.

O reconhecimento das diferenças, radicado na preocupação com a igualdade de oportunidades, criou um outro sentido para a educação, na sua dimensão comunitária.

Em 1978, muitas das crianças com deficiência eram reconhecidas e investidas como agentes de sensibilização dos seus vizinhos e familiares que começavam a focar o olhar sobre as potencialidades de desenvolvimento que estavam ocultadas pela condição anterior. O levantamento de novas situações e a formulação de problemas concretos decorrentes da integração ou do isolamento de outras crianças desencadeava mais e mais respostas positivas de comunidades.

A invenção do lugar para a diferença na Escola enquanto lugar de normalização

Em 1979 as primeiras crianças começaram a atingir a idade de ingresso na escolaridade obrigatória e algumas escolas públicas da comunidade da sua residência, abriram as suas portas aos grupos de Jardim-de-infância que incluíam as crianças com mais necessidades de atenção individualizada.

As crianças foram recebidas voluntariamente por professoras experientes que aceitaram o desafio de pensar como e o que ensinar na escola, além da leitura, da escrita e do cálculo, tendo em conta que o grupo incluía crianças com disposições e recursos cognitivos e sociais muito diferentes.

Para apoiar estas professoras na sua experiência, alguns elementos do grupo base se organizaram - interdisciplinar e interprofissionalmente - como Grupo de Apoio ao Desenvolvimento da Criança. A partir deste espaço foi desenvolvendo modos próprios de abordagem dos problemas emergentes na comunidade, procurando suporte científico e técnico junto de especialistas de serviços diferenciados, inexistentes na comunidade.

Este grupo constituiu a base da criação de vários momentos e contextos locais de comunicação e tomada de decisão entre profissionais, pais e outros agentes da comunidade; criavam o “lugar” necessário para a reconstrução de respostas antigas para problemas novos, com que as escolas passaram a conviver positivamente a partir do momento em que a integração das crianças portadoras de deficiência tornou mais visível e pronunciável a diversidade de níveis de desenvolvimento, experiências sociais e culturais vividas em diferentes contextos materiais e de socialização, presente nos grupos.

No Grupo de Apoio ao Desenvolvimento da Criança havia uma médica, uma educadora e uma assistente social responsável por estruturar e dinamizar estes espaços/momentos de comunicação, em que participavam professores das turmas e professores de apoio, bem como pais e, em alguns casos, as próprias crianças envolvidas nas situações em causa. A reunião destes elementos, acontecia em resposta a pedidos de ajuda na resolução de problemas emergentes de relacionamento das crianças entre si, ou relativamente às regras, aos conteúdos de ensino/aprendizagem ou com as actividades que, até aquele momento, regulavam as relações e a comunicação no contexto da sala de aula.

A reunião deste grupo era solicitada também em momentos de avaliação/planificação do que ensinar e aprender em salas de aula além da leitura, da escrita e do cálculo. Neste caso, as soluções eram procuradas nas respostas de perguntas tão simples quanto as seguintes:

 que problemas “nos” preocupam?

 o que a criança faz com o que, onde, quando e com quem?

 o que mais a criança pode saber e fazer para participar mais vezes e durante mais tempo, em contextos de interação com um maior número de pessoas, potencialmente significativas para as suas vidas ?

 quem, como, onde e quando pode ensinar o que ela precisa aprender ?

 que recursos existem ou poderiam ser criados para facilitar esta aprendizagem e melhorar as condições de relacionamento entre todas as pessoas implicadas neste processo educativo e na vida da criança ?

A experiência e as memórias deste “trabalho social” local bastante delicado, foi sendo partilhado entre grupos locais e entre estes e outros grupos de professores de fora da comunidade, que estavam a tentar também a integração das crianças que eles consideravam especiais. No final de cada ano o conhecimento social e pedagógico, que era assim reconstruído e enriquecido no face a face, era comunicado em Seminários anuais em que participavam outros profissionais da comunidade, alguns pais e especialistas convidados das áreas da saúde, da educação e formação, da segurança social e/ou intervenção comunitária. Nestes seminários surgiam a cada ano diversas “agendas” de formação e de intervenção local

Em todo este processo houve preocupação de envolver os meios de comunicação social, designadamente na divulgação dos encontros anuais que decorreram entre 1978 e 1986. A projecção social destes encontros de professores em torno da experiência de integração das crianças com deficiência mental em Jardins de Infância e nas Escolas, tornou a Experiência de Águeda conhecida de especialistas de serviços oficiais, de Universidades e, através deles, de peritos da OCDE e UNESCO e de investigadores estrangeiros ( Genéve, Parma, Nebraska ).

A visibilidade pública e externa da Experiência foi, sem dúvida, um dos factores que validou e acreditou localmente as experiências pedagógicas que se construíam contra a discriminação e segregação das crianças e jovens com deficiência da comunidade. Outro factor foi a produção e divulgação continuada de “imagens humanas” da intervenção, devidamente informadas por dados actualizados de avaliação que fundamentavam as decisões e as práticas em curso.

Esta divulgação não visava apenas os profissionais dos serviços de saúde, educação ou de protecção social, mas também outros atores locais sem formação específica, investidos da responsabilidade na promoção de bem estar de toda a população. A intervenção social foi sendo assim traduzida em diversas linguagens conforme as disposições políticas, sociais ou religiosas ou a escala de acção ( lugar, Freguesia, Município, Distrito, País ...) de quem lia e interpretava a experiência narrada, como construção de soluções éticas para problemas práticos de inclusão de todas as crianças e respectivas famílias na comunidade.

Construindo a oficialidade das práticas no interior do Estado Providência

A consolidação de todo este processo não teria sido viável se não tivesse havido a preocupação de o situar numa esfera pública mais ampla do que a Comunidade ou da acção dos profissionais e da própria Bela Vista Centro de Educação Integrada enquanto sede do grupo que animava o movimento. Não teria bastado o cuidado de reflectir sobre as experiências em curso, com os pais e profissionais directamente envolvidos na acção para validar ou acreditar uma experiência pedagógica investida como intervenção para a transformação da realidade social que excluía as crianças que pretendíamos incluir. Isto foi realmente possível entre meados dos anos 70 e 80, no período a seguir à Revolução que reclamava a democratização de toda a sociedade, pela sociedade.

A medida em que os anos 80 avançavam, a responsabilidade emancipatória do Estado nos diversos âmbitos da sua acção, começou a ser formalizada e regulada não só internamente mas também pelo exterior e por instâncias internacionais. Este foi o chamado ”período de normalização” das políticas sociais públicas em Portugal ( cf. Rodrigues,F; 2000)

A experiência de integração na escola pública de crianças portadoras de deficiência, até aí dinamizada na e pela comunidade, exigia agora ser formalizada e sistematizada como política educativa, orientando-se por critérios tendencialmente universais, portanto menos particulares e locais. Esta oficialização da acção do grupo abriu espaço para o diálogo com Serviços do Estado dos quais dependia também o provimento de recursos humanos e financeiros para manter respostas criadas na relação directa com novas situações-problema, cujas soluções tinham sido “inventadas” com os recursos existentes.

Até 1981 o argumento do combate à segregação das crianças e suas famílias tinha sido suficiente para que a Divisão do Ensino Especial do Ministério da Educação tivesse podido vincular quatro professoras à Bela vista, para desenvolver as experiências de integração de crianças com problemas graves de desenvolvimento/comunicação/comportamento no espaço de sala de aula. Neste segundo momento esta acção pedagógica no interior da escola pública, passou a constituir um problema legal que era preciso resolver.

O Estado e a Comunidade precisaram combinar esforços para instalar localmente uma estrutura jurídico administrativa e pedagógica pública que enquadrasse esta acção e outras desencadeadas e apoiadas pela Bela Vista e pelo Grupo de Apoio ao Desenvolvimento da Criança. A criação de uma Equipa (Municipal) de Educação Integrada, veio enquadrar, além do apoio na sala de aula, o apoio domiciliário a crianças com alto risco de consolidarem atrasos de desenvolvimento, sem acesso a Jardins de infância e o apoio itinerante às crianças com deficiências, sensorial e motora, que era prestado por professores especializados que faziam parte da Equipa (Regional) de Educação Especial, cuja acção era facilitada com transporte, salas e algum material da Bela Vista.

O Estado cumpria assim o que era prometido pelo artigo 71º da nova Constituição da República: “realizar uma Política Nacional de prevenção, de reabilitação e de integração dos deficientes, a desenvolver por uma pedagogia que sensibilize a sociedade quanto aos deveres de respeito e de solidariedade para com eles e assumir o encargo da efetiva realização dos seus direitos, sem prejuízo dos direitos e deveres dos pais e tutores”.

Foi neste contexto em que a Comunidade e o Estado assumiam a responsabilidade de garantir a educação como direito das crianças enquanto cidadãs e membros da comunidade, que a política de Educação Especial em Portugal passou a desenvolver-se para além do apoio financeiro, destacamento de professores e acompanhamento técnico pedagógico a alguns Centros de Educação Especial que existiam “residualmente” antes da Revolução.

Nos anos 80, a política de Educação Especial criou algumas Equipas de Educação Especial, com professores especializados que deveriam garantir apoio à integração de crianças com deficiências sensoriais e motoras em grandes áreas geográficas e passou a integrar muitas acções promovidas por pais e por profissionais generalistas comprometidos com a mudança social. Um pouco por todo o país surgiam grupos que, em nome da luta contra a segregação social ou a favor da educação especial, criavam respostas sócio-educativas para as crianças discriminadas por diferenças de desenvolvimento e/ou comportamento. Entre estas respostas estavam o Movimento/Experiência de Águeda, as Cooperativas de Educação e Reabilitação de Crianças Inadaptadas,(CERCI’s) e os Centros de Paralisia Cerebral. Pouco a pouco, estas respostas foram integradas oficialmente numa rede ou conjunto de serviços que deveriam responder, em nome do Estado, pela integração daquela população.

A tomada de consciência coletiva da diversidade de respostas emergentes, reconhecidas no campo das políticas educativas designadas como “Educação Especial”, teve dois momentos fortes: o Congresso de Educação Especial, em Lisboa em 1979 e o Ano Internacional da Pessoa com Deficiência.

O reconhecimento mútuo de propostas diferentes e por vezes antagónicas para esta problemática social, abriu espaço para um debate alargado de ideias sobre a integração, entendida por uns como meio e por outros como objectivo de práticas de educação especial apoiados em sistemas de categorização de “incapacidades” e/ou “inadaptações”, entendidas como barreiras à integração social.

Este debate aberto de ideias sobre as diversas formas de promover o direito à educação das crianças e jovens com deficiência foi bastante facilitado pela acção de alguns Atores-Chave na análise de necessidades e provisão do atendimento a crianças e jovens portadores de deficiência. De entre estes destacamos a Chefe de Divisão do Ensino Especial e o Director do Centro de Desenvolvimento da Criança do Hospital Pediátrico de Coimbra que representavam para os pais e profissionais a criação pelo Estado de oportunidades educativas e o acesso ao diagnóstico, encaminhamento e apoio às crianças e famílias nas Comunidades.

O papel de ambos foi fundamental para alimentar o diálogo entre actores locais que estavam igualmente comprometidos na reinvenção de espaços de inclusão das crianças, excluídas como “diferentes” no interior das suas comunidades. A grande proximidade que cada um mantinha com os atores que dinamizaram cada tipo de resposta local, permitiu que o enquadramento jurídico-administrativo e a dotação de recursos humanos, logísticos e financeiros não pusesse em causa nenhuma das acções em curso, assegurando antes a organização local de respostas diferentes que deveriam ser pensadas em conjunto, em grupos ou equipas locais constituídas como co-responsáveis por desenvolverem recursos e redes de suporte comunitário às famílias e escolas.

A tradução da mudança social na língua e cultura da Educação Especial oficializada

Para compreender como, em Portugal, a Educação Especial foi sendo construída como Educação Integrada até poder reclamar a Escola Inclusiva, nos parece fundamental considerar que na sua raiz está o drama e o empenho de pais que foram capazes de sensibilizar e comprometer profissionais da sua comunidade na “causa” dos seus filhos privados do direito à educação, protecção e inserção social. Não se pode ignorar também que estes mesmos profissionais eram, na sua maioria, generalistas mas também militantes na mudança das condições de vida das populações e como tal estavam predispostos a considerar perspectivas de acção alternativa àquelas em que e para que foram formados no regime político deposto.

Por outro lado, parece importante considerar também que, principalmente os especialistas que estiveram envolvidos desde o início na mobilização dos pais e das comunidades locais, partilhavam com os seus parceiros generalistas o pressuposto de que “o que” estava em causa, nos casos que analisavam, não eram apenas barreiras - físicas, afectivas, cognitivas - colocadas pela deficiência. O ambiente social que se vivia naquele momento dava muita visibilidade e voz à questão da igualdade de direitos sociais. A questão das barreiras não era entendida como construção unilateral mas como construção histórica e social da desigualdade e da separação entre indivíduos e grupos sociais.

Deste ponto de vista, as barreiras eram vistas como problema não apenas individual mas social, que incluía o modo como as famílias, as escolas e as comunidades se relacionavam com as pessoas portadoras de deficiência. O olhar e o discurso que mediava o diálogo dos especialistas com os pais e com outros agentes da comunidade, era influenciado no sentido de relativizar o que seria o alvo da sua atenção e actuação - a anormalidade de características ou funções ou o desvio de padrões convencionados de desenvolvimento, funcionamento, etc.. Como o neuropediatra que atrás referimos como actor-chave destas mudanças:

Nessa altura os técnicos eram menos, havia poucos e nós suprimíamos um pouco todo protocolo. A maior parte das crianças que observávamos precisavam era de apoio educacional. Passada a fase de diagnóstico, precisavam era de intervenção educativa de modo que o papel do técnico diferenciado era na fase do diagnóstico, depois a intervenção era local. Os planos individuais eram realizados pelos pais em casa; eram feitos em caderninhos que os pais levavam para casa para registar o que a criança fazia e que levavam algumas indicações para o que fazer para atingir a etapa seguinte. Não era pelo técnico, era pelos pais, eles os traziam escritos e as dúvidas apareciam. Com isto minimizávamos a deficiência, o problema e dávamos poder. Valorizar o que é bom, era uma filosofia social. Nós tínhamos que estar disponíveis para os pais poderem estar a vontade e haver a possibilidade de fazerem a sua proposta. Havia respeito pelas famílias e pelas Comunidades.

No pós 25 de Abril, havia um certo poder local; havia Comunidades que estavam a organizar-se e a responder às suas necessidades e preocupações e uma dessas era a criança deficiente…As pessoas estavam mais livres, muito mais conscientes do seu valor pessoal e da sua capacidade…construíam escolas, fizeram estradas, centros de dia e essas coisas tinham, na verdade um cunho diferente. Não se estava a espera do Estado e o próprio Estado achava que as pessoas tinham capacidade de fazer. As soluções eram encontradas localmente” ( Luís Borges; 2001)

Era na confluência deste processo de mudança social que se encontravam também os analistas e decisores de políticas sociais e educativas, e neste caso, da Educação Especial. Era este conjunto de atores e de relações sociais que, embora desigualmente posicionados no interior do Estado e relativamente às comunidades, partilhavam entre si a aspiração de prestar serviços no quadro de um projecto de sociedade que prometia a emancipação colectiva, contra a regulação hierárquica de práticas e discursos que se desejavam novos e reconhecíveis como políticas públicas.

Em 1981 afirmava-se a partir do centro de decisão das políticas de educação especial que em Portugal :

existem elementos (de ordem sociológica e cultural) muito positivos que interessa a todo custo preservar…(designadamente) as imensas possibilidades de integração familiar e social que são dadas a tantas crianças e jovens com deficiência, especialmente nos meios rurais e em alguns bairros urbanos, em que a vida Comunitária e a entreajuda constituem realidades quotidianas …e em que escolas e professoras com ajuda pedagógica, ou sem ela, aceitam integram alunos com deficiência …coma intensa participação dos pais na organização das estruturas educativas para os seus filhos” ( Bernard da Costa; 1981).

A seguir aos dois primeiros anos dos anos 80, período que como atrás referimos é reconhecido como fase da normalização, todo este processo de reconstrução social baseada na tomada de consciência dos direitos das pessoas portadoras de deficiência, dos profissionais da base e das comunidades passou a ser traduzido em outras linguagens, que serviam outros modelos de educação e de integração deste grupo social.

Para assumir-se como parceiro de diálogo internacional, Portugal recorreu a peritos de instâncias internacionais como observadores externos num momento em que a Educação Especial estava na agenda de países centrais, como os Estados Unidos e a Inglaterra, com a publicação da PL 94-142 em 1977 e a Educational Act em 1981.

Embora Gulliford (1988) considere que as mudanças no campo da educação especial fossem resultado da acumulação de conhecimentos sobre práticas de diferenciação de métodos de ensino e de aprendizagem segundo diferentes tipos de deficiência, da descoberta da natureza das deficiências, das estratégias de ensino, do currículo e da implicação dos educadores de ensino especial em acções destinadas a crianças de idade pré-escolar e de jovens em idade pós escolar, outros autores analisam estas mudanças como resultado de tensões e contradições sociais que tornaram problemático o encaminhamento das crianças e jovens para meios restritivos.

Os argumentos que põem a tónica na mudança de filosofia social, referem que foram os estudos do comportamento e da aprendizagem que puseram em causa o investimento social que se restringia a manter as condições adaptativas de sujeitos que poderiam valorizar atingir um funcionamento social autónomo ( Smith e Weisworth;1975). Outros chamam a atenção para os aspectos emocionais, políticos e humanos do “handicapismo” ou seja, a disposição de rotulagem e classificação das pessoas por categorias de deficiência sem qualquer ligação com interesses científicos, educacionais ou administrativos (Heward e Orlansky;1984). Lembram estes autores que já em 1972, afirmava que “ a educação especial muitas vezes foi um processo de exclusão mascarado em processo de recuperação de crianças que causavam dificuldades ao sistema educativo e que eram encaminhadas para uma cadeia de serviços de ensino especial onde permaneciam o resto das suas vidas”.

Embora Portugal reconheça muitas das suas razões e motivos de mudança nesta discussão sobre os efeitos da categorização e encaminhamento das crianças, o certo é que as raízes e trajectória históricas, as condições materiais e o contexto social que configurava este debate eram bastante diferentes.

a Educação Especial não chegou, entre nós, a ser afetada por determinados problemas que se puseram ou podem encontrar em países mais desenvolvidos e que consistem no exagerado tecnicismo com que a criança com deficiência foi encarada, levando a uma excessiva discriminação por categorias e a interferência de inúmeros profissionais no seu processo educativo..” ( Bernard da Costa; 1981)

Um elemento importante a considerar é que naqueles países, o problema da educação em regime de integração ou segregação, era debatido em torno do currículo e aos meios de acesso ao mesmo. Em Portugal este debate sobre o “que” educativo era muito precoce se não mesmo ausente ainda, porque os educadores tinham sido socializados no interior de um sistema educativo altamente centralizado, em que a reprodução social e ideológica era assegurada exactamente através da uniformização do currículo oficial e da regulação da sua aplicação local.

A orientação pedagógica que propunha a elaboração e contratualização de Planos e Programas Educativos individuais, estruturados por áreas desenvolvimentais e de competências avaliadas individualmente, parecia tão difícil de implementar como a organização das práticas e dos recursos educativos segundo o modelo conceptual desenvolvido no Warnock Report. Os recursos disponibilizados para o ensino especial não permitiam responder ao número crescente de alunos encaminhados para o ensino especial, por dificuldades de aprendizagem ou de comportamento.

Naquele mesmo período, em outros pontos do sistema educativo a manutenção das taxas de repetência e abandono escolar justificava a afirmação de que “a Escola portuguesa se dirige ao aluno médio idealizado, ignorando deliberadamente os antecedentes, hostilizando se não mesmo punindo as crianças diferentes”( Rau;1981).

Enquanto que num ponto do sistema educativo se discutia a legitimidade dos processos de encaminhamento das crianças para meios que manteriam as crianças separadas da comunidade e com acesso mais ou menos condicionado à confluência da vida comunitária, no outro discutia-se como manter as crianças na escola, cumprindo a obrigação pública de democratização das oportunidades sociais através da educação a todas as crianças.

Esta tensão contraditória foi vivida pelo grupo base do Movimento de Águeda que participou activamente na discussão sobre as implicações do “rótulo” na integração social das crianças como problema moral prático. Defrontava-se também com a situação de marginalidade de algumas crianças que eram mantidas fora escola, até que o atestado de deficiência pudesse requalificá-la como aluno com necessidades educativas especiais.

Em muitos momentos, os profissionais se sentiram pressionados e constrangidos pela exigência de utilização de linguagens, procedimentos e instrumentos pedagógicos e administrativos que obedeciam a um modelo externo que, para mais, dificultava o diálogo com os pais e com outros parceiros habituais da comunidade.

Para manter a dinâmica integrada e integradora de actores e acções que respondiam aos problemas das crianças, das suas famílias e das escolas, o grupo base teve que resolver muitas contradições resultantes da sua inserção no subsistema de educação especial, enquanto parte de um sistema educativo que se ia definindo por pareceres e políticas internacionais.

A Construção de espaços de reconhecimento entre grupos subordinados

Em 1985 o grupo confrontou-se com a necessidade de suportar algumas contradições com a sua própria filosofia de intervenção para poder responder a mais de 200 crianças que, estavam sinalizadas para apoio da Educação Especial. As dificuldades de ensino da maioria destas crianças eram atribuídas a possíveis disfunções psicológicas das mesmas. O que era pedido ao grupo do movimento era que traduzisse como problema individual o que reflectia a dificuldade que os professores sentiam em manter todas as crianças implicadas em aprendizagens que deveriam ocorrer ao mesmo ritmo e com os mesmos conteúdos e que se impunham pela exigência de cumprimento estrito de regras por todo o grupo e por todos os grupos da escola. Caso contraries, estas crianças, que pertenciam maioritariamente a famílias que ocupavam as piores posições sociais na comunidade e que tinham menores condições de vida e de acesso às oportunidades que a escola se propunha a oferecer a todos, seriam privadas do direito à educação pelo grupo havia lutado na década anterior.

Em 1986, um estudo desenvolvido pelo grupo sobre as causas da mortalidade infantil em Águeda, denunciava o isolamento e o abandono em que viviam as famílias destas crianças, que sustentavam as taxas de mortalidade, de morbilidade infantil e de risco social a descoberto dos serviços da Comunidade.

Assim, entre 1982 e 1989 o grupo arriscou construir uma relação diferente com as cerca de 500 crianças que viviam situações difíceis e prolongadas de insucesso e absentismo escolar. Para evitar atestar como deficiências o que eram dificuldades dos professores e da escola e necessidades de atenção e de ensino das crianças, os educadores mais implicados com o movimento começaram a trabalhar com estas crianças fora do tempo da escola.

Estes educadores usavam o seu tempo e recursos de intervenção para reunir e descobrir com estas crianças, como ajudar outras que ficavam sozinhas a trabalhar e a cuidar dos irmãos mais novos em casa ou na rua. A ideia de criação de grupos de amigos e de soluções para as barreiras que os impediam de aprender na escola o que queriam saber para participar na comunidade, foi sendo comunicada, criança a criança, através do diálogo ocasional com as que eram reconhecidas na escola, por dificuldades em fazer amigos ou em aprender.

Os educadores da Equipa de Educação Especial passaram a marcar encontros e a desenvolver actividades cada vez mais sistemáticas, mas procurando apreender o que para elas era mais significativo do ponto de vista dos grupos que se iam constituindo a cada semana. Ocupando lugares descobertos por elas ou com elas, nas suas comunidades, os educadores foram ajustando as suas estratégias às condições de casas velhas abandonadas, de coretos das festas e também de átrios das escolas, de salas de espera dos centros de saúde ou de salões das Juntas de Freguesia.

A actividade de muitos destes grupos consistia na preparação conjunta de refeições para as crianças que ficavam sozinhas com os irmãos menores, na organização de festas e encontros com outros grupos. Alguns aproveitavam o material de desperdício das fábricas onde os pais trabalhavam e transformavam este material em recursos para a angariação de fundos para fazer melhorias na sala onde reuniam ou ainda para concretizar algumas actividades. A dinâmica e a inserção destes grupos na confluência da vida comunitária, criou condições para o envolvimento dos pais e de outros actores locais que não faziam parte dos notáveis do lugar.

Mais uma vez foi importante a visibilidade deste trabalho, construída por estudos universitários e por seminários e encontros locais.. Criou-se, assim, uma outra base social que abriu espaço para o reconhecimento social local dos grupos e para a negociação de recursos e de possibilidades de enquadramento jurídico, administrativo e social da acção que se ia consolidando como trabalho social. Em 1993 estes grupos deram origem a nove novas associações que passaram a garantir atendimento à infância, com prioridade a crianças e famílias em desvantagem e às zonas mais desfavorecidas do Concelho. Os educadores destas instituições estão hoje organizados numa rede que inclui muitos outros Centros sociais infantis e profissionais de serviços de Saúde preocupados com assegurar a atenção e apoio a todas as crianças do Município.

Quando analisamos o percurso e a narrativa da intervenção do Grupo de Águeda, podemos apreender o quanto foi importante a oficialização da sua acção pela criação da Equipa de Educação Especial. No entanto, esta inserção teve custos. À medida em que se integraram como agentes do sistema educativo, que nos anos 80 entrou no período de normalização, a sua acção se foi tornando permeável a discursos que sugeriam práticas que, por sua vez , requeriam um modo de pensamento e também recursos que o Estado Providência não podia prover em Portugal.

A recusa de situar as causas das dificuldades escolares adentro de crianças, tornou-se um problema difícil de resolver entre subsistemas que dividiam entre si a responsabilidade pela educação de crianças portadoras de deficiência, crianças portadoras de necessidades educativas especiais e de “todas as crianças”. Por outro lado, a própria linguagem e os procedimentos de que dependia a possibilidade de mobilização de cada tipo de serviço ou dos recursos de apoio sócio-educativo, tornavam ainda mais visíveis e pronunciáveis as “diferenças” das crianças que a comunidade, as escolas e por vezes as próprias famílias, rejeitavam e sancionavam negativamente, como obstáculos a integração. À medida em que os programas educativos individuais passaram a ser construídos segundo a lógica de uniformização de procedimentos e de critérios de avaliação, o Grupo foi sendo confrontado com uma série de contradições por si resolvidas e foi mantendo a consciência de que corria alguns riscos.

O que a narrativa do Grupo de Águeda nos dá conta é de que, estando embora consciente dos riscos inerentes à criação de espaços de inclusão para os grupos que a comunidade designa como excluídos para os integrar como seus, esta foi a solução encontrada para fazer face ao efeito de muitas outras relações que se definiam em outros espaços estruturais relativamente dependentes do sistema económico e das relações inter-Estados.

Num momento em que a retórica social se socorre do conceito de Escola Inclusiva para ocultar a desigualdade estrutural que se traduz em desigualdades de oportunidades entre crianças na escola e em que se encaminham as crianças para serviços sociais e educativos periféricos ao sistema educativo, enquanto se investe na “excelência acadêmica” ou no ensino de competências que visam a concorrência no mundo laboral, importa tomar aqui as palavras de uma pessoa cuja trajectória incorpora toda a luta entre progressos e retrocessos no modo como a sociedade portuguesa investe a educação das pessoas portadoras de deficiência:

o que não é possível é aceitar uma educação inclusiva que não contemple as características fundamentais que a caracterizam: a escola para todos; que não rejeite nenhuma criança da sua área de intervenção; que não se assuma como primeiro passo para a inclusão social; que não olhe a diversidade de barreiras que se podem opor à participação na aprendizagem e sobre as formas de as poder superar; sem o enquadramento de todas as crianças num grupo heterogéneo e, em simultâneo, um atendimento à especificidade de cada uma; sem o reconhecimento de que o centro da intervenção pedagógica se situa na escola e nas estratégias de sala de aula e que não é possível relegar alunos para outros sectores tal como o sector social” ( Bernard da Costa; 2004).

O que este grupo encontrou, através da exploração das margens de liberdade e de autonomia procuradas no entendimento das contradições assumidas, partilhadas e enfrentadas na relação com múltiplos atores sociais, posicionados em diferentes escalas de ação social da Comunidade e do Estado, foi a possibilidade de transformar, crítica e efectivamente, os recursos que eram providos para a Educação Especial, em contextos sociais animados por subjectividades individuais e colectivas que tornaram a Educação Especialmente Inclusiva. Inclusiva das inúmeras diferenças que enriquecem a possibilidade de nos construirmos como Comunidade humana, contra o risco de mercadorização da vida!

Referências biográficas

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Entrevista a Luís Melo Borges de Castro realizada por Maria José Tovar; 2001

Carta de Ana Maria Bernard da Costa, em resposta a entrevista à Secretária de “Estado da Educação ao Jornal de Letras ; 2003.

1 Bela Vista era o nome deste Jardim-de-infância, que foi sendo desenvolvido como Centro de Educação Integrada, um pouco na continuidade da integração de algumas crianças com atrasos graves iniciada num pequeno espaço para a infância numa das localidades do Município.

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Marcha gigante vê na escola o "último reduto da liberdade"
09.03.2008, Paulo Moura
Vieram de todo o país e de todas as gerações. Foi a maior manifestação de sempre de professores: 100 mil, segundo a organização e a Polícia
O Marquês de Pombal é uma estrela a crescer. As avenidas afluentes despejam caudais de professores, da Grande Lisboa, da Região Centro, do Norte, do Sul. Às golfadas, como se uns grupos fossem empurrando os outros pela avenida abaixo. Antes de começar a marcha, "vamos fazer cinco minutos de silêncio", dizem ao megafone. Nem todos obedecem logo e a voz do megafone faz "Chiiiu!" Conta os cinco minutos e recomeça: "Agora todos a gritar: Ministra para a rua/Está na hora /Está na hora/De a ministra ir embora!" Poucos respondem. Avançam para a praça, posicionam-se em frente à Avenida da Liberdade, mas parece que não sabem manifestar-se. Não estão habituados, não conhecem as regras, as técnicas, os rituais. "A luta continua! Ministra para a rua!", tenta o do megafone. Sem muito êxito. Há quem balbucie, há quem olhe em redor, há quem, claramente, não consiga dizer aquilo. O do megafone: "Nem hienas nem chacais, gente assim já é demais!" Pior. Os professores marcham mas não gritam. O motor não arranca. "Emprego, sim. Desemprego, não." Um grupo canta: "Ai ai ai ai, não gosto desta mulher, quero vê-la longe de mim, não façam o que ela quer." Agora sim. A festa começa. "Estamos a chegar ao Rossio e ainda vem gente no Marquês", gritam ao megafone. Palmas. A avenida está cheia. A indignação deles Dulce Abreu, 49 anos, educadora de infância em Aveiro, vai a tocar tambor, vestida de toupeira "como na canção do Zeca Afonso". "Esta é a maior ofensiva de todos os tempos contra a escola pública", diz ela. "Há uma postura de autoritarismo, um atentado à democracia. É uma viragem sem precedentes." Os seus colegas levam uma faixa: "ASAE encerra Ministério da Educação. Motivos: contaminação mortal da escola pública. Ameaça à saúde mental dos professores..." As avalanches do Porto entram na avenida. E os de Braga. Gritam: "Viemos do Norte para ditar a tua sorte." Outros seguram um cartaz: "48 anos de fascismo, 80 de lutas sindicais, aturar esta ministra, arre que é demais." Gracinda Castanheira, professora de Português há 34 anos, da EB 2/3 de Nogueira, Braga: "Está em causa o paradigma da educação. Os parâmetros para a avaliação não podem ser só números, estatísticas." Outra professora de Braga, que guarda o anonimato: "Cada vez mais, sinto que estou a trabalhar para o analfabetismo." Sílvia Lopes, 35 anos, e Olívia Benencase, 28, nunca tinham vindo a uma manifestação. "Temos esperança de que isto provoque algum impacto na opinião pública. E, em consequência, na ministra." Isabel Gomes, 53 anos, professora de Português em Tandim: "Senti necessidade de manifestar a minha indignação. Mas não acredito que isto tenha consequências. A ministra é irredutível." A professora anónima de Braga volta à carga: "Nós não aguentamos a situação!" Começa a exaltar-se: "Eu não aguento mais!" A causa deles O megafone: "É hora! É hora! De a ministra ir embora!" Um dos animadores está exausto. A sua voz já rouca no microfone, depois de muitas e veementes palavras de ordem: "Colegas, também para descansar um bocadinho, mas para mostrar a nossa indignação, um minuto de profundo silêncio." Ninguém obedece. Hoje é o dia de os professores se portarem mal. "É má! É má! É má e continua! A malta cá do Norte quer a ministra na rua!" Anabela e André vêm do Algarve. Têm 37 e 32 anos, são professores de Português e de Educação Física em São Brás de Alportel e Faro. "A democracia nas escolas acabou", diz Anabela Conceição. André Ramos admite: "Já pensámos mudar de profissão." Mas Anabela diz a verdade: "Não o fazemos porque isto é a nossa causa." André explica: "Nos últimos dois anos, só se faz trabalho burocrático." Anabela quer falar do que sente: "Isto é o que nos resta do 25 de Abril." Quando entrou para a faculdade, não sabia que profissão viria a ter. Mas as opções não era muitas. O seu percurso acabou por ser igual ao de tantos outros. Ser professor é quase um destino natural: fazer um curso superior, entrar no ensino. É um projecto, um estilo de vida. Um projecto de sucesso, porque também é um ideal. O que eles são Anabela e André são ambos professores há 10 anos, ganham 1250 euros cada um. Vieram os três do Algarve pela mesma razão que despertou os colegas de todo o país: "Os professores movem-se por causas." Os três, porque Anabela está grávida. Conhecêmo-los. Ninguém pode dizer que nunca se cruzou com um professor. Os habituées das esplanadas do Rossio olham-nos com alguma complacência. Não são metalúrgicos, não são mineiros, nem camponeses. Não são os explorados, os oprimidos: são os professores. Não mudaram muito desde o tempo em que foram os nossos professores. São reconhecíveis por todos, porque vêm de todo o país e vêm em três gerações: a de jeans e blusão, a de pulôver com camisa por baixo, a de barbas, casaco pingão e cachimbo. Não diferem muito dos clichés que temos deles e por isso simbolizam a educação que tivemos - ou não tivemos. Simbolizam o que somos. Todos os professores falam da avaliação, que não se pode fazer desta maneira, "porque as escolas não são empresas". Falam da "burocracia", da linguagem "simplista, dos números, das estatísticas". Dizem que "assim não se pode ensinar". Riem-se dos "tecnocratas da educação". Declaram, como se fosse uma evidência: "Uma escola não é uma empresa." E: "O ensino não é um produto. Os seres humanos não são produtos." Como se o país já fosse uma empresa e nós já fôssemos produtos, por fora. Mas, por dentro, humanos e livres. E os professores fossem a vanguarda dessa liberdade interior. Os habitués do Nicola olham-nos com alguma estranheza. Algum temor. Isto não é uma manifestação de operários, mas, se na sociedade moderna o conhecimento é o novo capital, estes são o novo operariado. O proletariado do espírito. No Terreiro do Paço, Mário Nogueira, da Fenprof, anuncia uma semana de luto e novas manifestações até que a ministra recue. Outra sindicalista vem lembrar a manifestação de Maio de 1974, aqui no Terreiro do Paço. "Nunca, desde essa época, houve um atentado tão grande contra a democracia", diz um professor. Outro diz: "A educação é o último reduto da liberdade." Outro tem um papel nas costas: "Deixem-me ensinar." Uma enorme faixa da escola Alberto Iria, de Olhão, diz: "Educar é amar."
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terça-feira, 4 de março de 2008

AgriCabaz: Inscrições "Agricultura Familiar em Covas do Monte (S. Pedro do Sul)

AgriCabaz: Inscrições "Agricultura Familiar em Covas do Monte (S. Pedro do Sul): "Segunda-feira, 3 de Março de 2008 Inscrições 'Agricultura Familiar em Covas do Monte (S. Pedro do Sul) Inscrições 'Agricultura Familiar em Covas do Monte (S. Pedro do Sul) No âmbito do Projecto 'Criar Raízes', da Câmara Municipal de São Pedro do Sul, está em curso a realização de um estágio curricular no Instituto das Comunidades Educativas, da licenciatura em Animação Socioeducativa - Escola Superior de Educação de Coimbra, que tem por objectivos estabelecer ligações entre consumidores e pequenos produtores agrícolas, e promover a agricultura familiar, valorizando a sua dimensão cultural e componente educativa. Para isso vamos proporcionar encontros a ter lugar na aldeia de Covas do Monte. Durante estes encontros, que decorrerão entre Março e Junho, os interessados terão a oportunidade de realizar com os agricultores de Covas do Monte actividades agrícolas que incluem semear, cuidar, irrigar e colher. Inscrições (limitadas) através do e-mail joaovox@gmail.com Este trabalho realiza-se em parceria com o AgriCabaz e a CoopRaízes. Na internet: Projecto 'Criar Raízes' http://www.criaraizes-spedrosul.com Imagens de actividades do 'Criar Raízes' http://picasaweb.google.com/subirase"

Álbuns da web do Picasa - joaovox - Covas do Mont...

Álbuns da web do Picasa - joaovox - Covas do Mont...

domingo, 2 de março de 2008

MOVIMENTO DE ÁGUEDA

Breve Caracterização

(extratos do livro da Lígia Calapez)

Contexto em breve síntese

Águeda é um concelho cuja localização e tecido empresarial (constituído em grande medida por pequenas e médias empresas que desenvolvem actividade em áreas como metalurgia, cerâmica e têxteis) proporcionou o crescimento de uma camada economicamente favorecida, de par de uma mão-de-obra globalmente não especializada, facultando, por outro lado, que, até um passado recente, problemas sociais particularmente graves como o desemprego, não fossem generalizados.

O processo de industrialização do concelho (mantendo-se embora, em simultâneo, quadros de vida social próprios dos meios rurais) teve início na segunda metade do século passado registando um forte incremento após a Revolução de Abril de 1974, com a multiplicação de pequenas e médias empresas e a melhoria de condições de vida de muitas famílias residentes.

Esta realidade evoluiu num quadro de claras fracturas sociais, em que muitas famílias residentes ou migradas de zonas pobres do interior e migrantes de etnia africana – que assumem tarefas produtivas mais duras e mal pagas – vivem condições de pobreza e mesmo sub-humanas marcadas, nomeadamente, pelo não cumprimento de deveres e direitos sociais nas relações e contractos de trabalho.

Nos últimos anos, o quadro de desenvolvimento sócio-económico regista uma rápida mudança. No início de 2003 os níveis de desemprego eram calculados em 3,1% Um valor ainda bastante inferior à taxa de desemprego no país - cerca de 7% - mas que representa a quase duplicação desta percentagem entre 2001 e Março de 2003.

A condicionar e a agravar esta situação, encontram-se os baixos níveis de escolarização, reflectindo nomeadamente pouco investimento pessoal e social na formação. Tal como acontecia na década de 91, o nível de instrução predominante continua a ser o primeiro ciclo.

Cruzam-se assim diversas lógicas de exclusão.

As circunstâncias em que teve lugar o incremento da produção industrial propiciou que entre as classes favorecidas se desenvolvesse uma ideologia legitimadora de situações de privilégio social e politico, apresentadas como situações exemplares de ascensão social por mérito próprio.

Por outro lado, a aposta numa mão-de-obra indiferenciada, numa primeira fase inserida num quadro de desemprego apenas residual, conduziu a uma desvalorização da própria necessidade de formação, nomeadamente profissional. Dando lugar - com reflexos particularmente graves entre os jovens - a uma significativa margem da população que passa da frustração na escola para a frustração no mundo do trabalho. A falta de projectos de vida desvaloriza-a aos seus próprios olhos e aos olhos da comunidade em que vivem.

Se, a partir de meados dos anos 70, os valores que animavam a vida social do Concelho estavam abertos à problemática dos Direitos humanos das pessoas com deficiência (facilmente assumido como grupo com desvantagens sociais), a partir dos anos 80, este mesmo investimento relativo a outros grupos sociais da nossa comunidade foi vivido como conflito e foi deslegitimado pelos grupos sociais que detinham o poder de decisão regulação da vida social local.

Para esta situação contribuíram, tanto a divulgação dos resultados de um estudo sobre as causas sociais da mortalidade infantil em Águeda, entre 1986 e 1987, quanto a criação de estruturas sócio-educativas informais, em que as crianças das famílias pobres e marginalizadas de várias localidades do Concelho se constituíam como grupos comunitários. Os problemas sociais ganham visibilidade e voz.

A procura de sentido para a mudança no encontro com Gentle Teaching, Rosa Madeira

O processo que constitui a história do Movimento, é de uma contínua redescoberta e recriação.

Através das sucessivas respostas que foi identificando e construindo para fazer face às realidades que pretendia transformar e aos obstáculos com que se foi confrontando, o Movimento de Águeda vai dando origem a uma teia de iniciativas autónomas e interligadas, formais e informais, feitas de espaços e tempos (permanentes e pontuais) de acção e de reflexão.

Neste percurso foi-se descobrindo que o processo de construção/ luta por novos contextos de não-discriminação, igualdade e inclusão social representava um investimento permanente, não apenas na “solução” para as pessoas a quem se dirigia a sua acção, mas na aprendizagem pessoal e grupal de uma nova forma de “ser gente com gente na frente” e de resistência crítica face aos saberes e poderes sobre os quais assentam as estruturas e dinâmicas sociais (re)produtoras de discriminação e exclusão.

Construído passo a passo, ao sabor da interacção com a realidade, alargando redes no espaço e no tempo, o Movimento de Águeda afirma-se com base num nó sólido de valores, em que luta contra a exclusão rima com dignidade e solidariedade.

Fazendo uma leitura global do percurso do Movimento de Águeda:

  • Criação do Jardim de Infância da Bela Vista – apostando na integração da criança com deficiência num espaço educativo normal

  • Criação do Centro de Saúde

  • Criação de um vasto conjunto de instituições – com creche, jardim de infância e ATL, na sequência do trabalho desenvolvido pelos Grupos Comunitários

  • Constituição de Associações – pela necessidade de perpetuar no tempo iniciativas que partiram da informalidade. São exemplos: a Associação de Solidariedade Social Banco de Leite em 1990 e a Associação de Animação Artística Contador de Sonhos em 1999

  • Criação de organismos/serviços estruturas que se mantiveram/mantém ligadas e na dependência de uma ou várias instituições. São exemplos: Bela Vista, como sub-núcleo da associação de paralisia cerebral; Consulta de Puericultura; Centro de Criatividade da Bela Vista (posteriormente ATL); Serviço Social da Bela Vista; Equipa de Ensino Especial Integrado de Águeda; Consulta de Saúde Infantil; Consulta de Saúde Materna e Planeamento Familiar; Equipa Multiprofissional de Águeda; Creche Familiar; Ludoteca na EB1, nº 2 de Águeda; Intervenção Precoce; Mini-Equipas Multiprofissionais de Aguada de Cima, Borralha, Trofa e Valongo

  • Estruturas semi-formais e informais, que traduzem processos fluidos e funcionam como experiências. Exemplos: Grupo de Apoio ao Desenvolvimento da Criança; Programa de Apoio Domiciliário a Crianças com Problemas e de Risco Social; Grupos Comunitários; Banco de Leite; Campanha Pai Natal; Grupo de Animação Teatral de Águeda (GATA); os múltiplos projectos implementados pelo Movimento

  • A visibilidade das acções e iniciativas do movimento – nomeadamente através de colóquios, palestras, seminários, a própria rede ligando instituições e gente da comunidade - contribuiu para a sensibilização de um crescente número de pessoas para os ideais do Movimento e gerou um efeito multiplicador, reflectindo-se mesmo – como experiência piloto - ao nível de tomadas de posição politicas

  • O leque de efeitos aqui aflorado traduziu-se essencialmente na melhoria de condições de vida de um vasto conjunto de crianças/jovens e famílias.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Associações de Doentes

Devem existir poucas doenças que não tenham a sua associação! A lista que consta das página Médicos de Portugal fornece contactos de um grande número de associações-ùtil para quem procura conhecer direitos, recursos, ou simplesmente conhecer outros afectados por problemas semelhantes

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Ponte de Lima Junta médica dá alta a funcionária pública com limitações físicas 04.11.2007 -

ÚLTIMA HORA - PÚBLICO.PT: " 15h29 Lusa Uma funcionária pública que estava de baixa há três anos devido a uma operação cirúrgica mal sucedida, que a deixou fisicamente limitada, foi notificada pela Caixa Geral de Aposentações para se apresentar, segunda-feira, ao serviço. “É uma situação inadmissível, revoltante, injusta e, acima de tudo, desumana”, disse hoje, à Lusa, Ana Maria Brandão, de 43 anos, funcionária administrativa na Junta de Freguesia de Vitorino de Piães. Depois de uma operação mal sucedida a uma hérnia discal, em 1998, Ana Maria é hoje obrigada a usar um colar cervical dia e noite, uma braçadeira no braço direito e uma cinta lombar. “A minha dependência de terceiros é total, mas amanhã, às 9h00, lá estarei, na sede da Junta de Freguesia, para pegar ao serviço”, diz, acrescentando que não consegue escrever, “nem virar uma página”, abrir uma porta, pegar numa pasta, andar mais de 20 metros sem ajuda, ou ir à casa de banho sozinha. Em Fevereiro de 2006, Ana Maria foi a uma junta médica da ADSE, que a terá considerado incapacitada para o trabalho. “M"

sábado, 13 de outubro de 2007

O Elmo de Mambrino

José Ricardo Costa Eu tenho esta fotografia guardada há anos e ainda hoje não consigo deixar de olhar para ela. Não esteja à espera que eu venha aqui com ironias mesquinhas sobre o facto de aquele jovem maoista e revolucionário de ar pensativo, ser hoje um liberal e presidente da Comissão Europeia. Acontece que eu olho, olho, olho e não consigo deixar de olhar. O que é que me fascina nesta fotografia? Não é o prazer de imaginar um Durão Barroso anterior a Durão Barroso, vociferando contra a burguesia em nome da ditadura do proletariado. Muito antes de conhecer Heraclito, vi Rui Jordão a jogar no Sporting e Laranjeira a jogar no Benfica. Aprendi, desde então, que o caminho que se sobe é o mesmo que se desce. O que me fascina é a convicção com que Durão Barroso estará a pensar no que estará a pensar. Poder ver o rosto de alguém que está absolutamente convicto do que está a pensar, sabendo-se que, hoje, está absolutamente convicto de que estava absolutamente enganado no que estava a pensar. É um pouco como ver a imagem de Diana de Gales a sair pela porta giratória do hotel, minutos antes de morrer. Ver o rosto de alguém que sabemos que vai morrer sem saber que vai morrer. Eu acho os mecanismos da convicção, espantosos. Para mim, a obra que melhor fala sobre a convicção chama-se D. Quixote de La Mancha. Foi escrita por Cervantes mas poderia ser escrita, fossem eles romancistas, por Platão, Montaigne, Descartes, Espinosa, Hume ou Nietzsche. Tudo ali cheira a ilusão, a aparência, a falsidade, a mentira. Mas ilusão, aparência, falsidade e mentira, vividas com a maior das convicções. D. Quixote olha para uma taberna e vê um castelo. Olha para uns pobres coitados e pensa que são fidalgos. Olha para um barbeiro com a sua tigela de metal na cabeça e julga tratar-se do mítico elmo de Mambrino. São mil e tal páginas cheias de ilusões. Até aqui nada de anormal. D. Quixote é louco e os loucos são mesmo assim. Só que, ao mesmo tempo, D. Quixote está absolutamente convicto do que vê. E como prova ele tal convicção? Assim: " Tudo o que contei o vi com os meus próprios olhos e o toquei com estas minhas mãos". Ora aqui está! Perguntassem a Durão Barroso, praguejando contra a democracia parlamentar, se estava convicto das suas ideias, que responderia ele? Que eram tão evidentes como se as visse com os seus próprios olhos e as tocasse com as suas próprias mãos. É neste sentido que faz falta o saudável cepticismo dos filósofos. Gente que nem sempre vê o que os outros pensam que vêem, nem toca com as mãos o que outros pensam que tocam. E que vê com os seus olhos o que os outros nem sempre vêem e toca com as mãos o que os outros nem sempre tocam. E não penso apenas nos alucinados Quixotes e Durões Barrosos deste mundo. Há alguém de quem nos esquecemos muito mas cuja "loucura" Cervantes passa o tempo a lembrar: Sancho Pança. D. Quixote é louco com as suas convicções. Mas Sancho Pança está convicto da convicção de D. Quixote. D. Quixote é louco mas Sancho Pança vive na sombra da loucura do amo. D. Quixote, o louco, promete a Sancho torná-lo governador. Sancho vive na esperança de ser tornado governador por D. Quixote. No final da obra, após um longo sono, Quixote acorda curado: "Já não sou D. Quixote de La Mancha, mas Alonso Quixano". E nega convictamente tudo aquilo em que convictamente acreditou. Eu nunca morri por isso não sei bem o que se pensa quando se morre. Mas se calhar é como aconteceu a Quixote. Olha-se para trás e tudo em que acreditámos parece ilusório. E perdemos todas as convicções. Talvez, nesse momento, todos os elmos que vimos ao longo da vida se transformem em simples tigelas de barbeiro. jr_costa@clix.pt

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Família culpa médico por morte de parente

Família culpa médico por morte de parente Historial de problemas cardíacos Nuno Miguel Ropio "Omeu marido foi obrigado pelo médico da junta médica a trabalhar até morrer. Tanto que se queixou, no último mês de vida, da injustiça que lhe fizeram". As palavras emocionadas de Maria Deolinda Ferreira apenas são interrompidas pela revolta do filho e restantes familiares que, na pequena sala da habitação em Foros de Salvaterra (Salvaterra de Magos), a ajudam a ultrapassar a dor causada pelo falecimento do marido Manuel Ferreira, aos 60 anos. A família enlutada apresentou, há dias, uma queixa à Direcção - -Geral de Saúde (DGS) contra J.S.M., o médico responsável pela junta médica a que o sexagenário foi submetido a 13 de Abril, nas instalações da Casa do Povo em Foros, e que recusou a continuação da baixa ou a passagem à reforma de Manuel Ferreira. "Mulher, hoje é dia 13 de Abril, dia do meu azar. O médico cavou a minha sepultura", foram as palavras de Manuel Ferreira nessa data, relembra a viúva. Condutor de autocarros de aluguer de passageiros, a vítima debatia-se há sete anos com graves problemas cardíacos, como atestam os diversos exames clínicos e diversas baixas sucessivas (ver caixa). Após vários meses de repouso, o homem regressou contrariado ao trabalho no dia 17 de Abril. "No dia 13 foi à junta médica e o dr. J.S.M. disse-lhe que estava em condições de voltar ao trabalho", explica Carlos Ferreira. O sexagenário renovou a carta de condução e voltou a conduzir. "Umas vezes não tinha força para regressar a casa e puxar o volante, outras ficava com o autocarro parado e mandava o filho ir buscá-lo. Já andava a tomar comprimidos de hora a hora em vez de três por dia", relembra Maria Deolinda. A viúva garante que, a 23 de Maio, o marido voltou a ter problemas cardíacos. "Às 14 horas pediu para lhe levar mais comprimidos porque não aguentava com dores mas que tinha de trabalhar. Não havia ninguém para o substituir". E Manuel Ferreira continuou ao serviço até que veio a falecer, em 25 de Maio. "Fui logo ter com o médico. Mandou-me aguardar até atender 70 pessoas em quatro horas. Perguntei-lhe, depois, por que tinha mandado o meu pai trabalhar. Respondeu-me que a culpa é do sistema', relembra o filho. Que sistema? "Disse-me que nas reuniões com as chefias pedem aos médicos que diminuam ao máximo dar reformas ou a continuação de baixas", acrescenta. O médico alvo das acusações recusou prestar qualquer esclarecimento sobre as acusações da família Ferreira. Ao JN, via Sub- -Região da Segurança Social de Santarém - que contratou para as suas juntas médicas o clínico, que apenas pratica medicina no trabalho -, J.S.M. declinou explicar quais os critérios utilizados na avaliação de Manuel Ferreira. O historial clínico do sexagenário ficou marcado, principalmente, por problemas cardíacos. Em 2000, teve um primeiro enfarte, ficando internado no Hospital dos Covões, em Coimbra. "Nessa altura, quando veio de Coimbra, ele esteve de baixa quase nove meses. "Mas dois anos depois voltou a sofrer outro enfarte", salienta o filho, Carlos Ferreira. Manuel Ferreira foi ainda submetido a vários desentupimentos das artérias, a última a 16 de Agosto do ano passado. "Voltou a ter um enfarte nessa altura em 2006 e o médico no Hospital de Santa Marta disse-lhe que nunca mais poderia fazer desentupimentos e que se calhar era altura de se reformar", refere Maria Deolinda. Vigilância da floresta reforçada com cavalos Falta de respostas impede Roseta de completar plano PCP quer equipas de intervenção Vento forte descontrolou fogo que ameaçou pessoas e casas Gente Gira

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Folheto organizado por Teresa Almeida (C.S.Águeda)







- “Pega-me ao colo sempre que queiras. Não é possível estragares-me com mimos.”


- “Quando choro é porque preciso de alguma coisa. Não choro para te irritar”.


- “Se já fizeste tudo o que podias para que eu me calasse e eu continuo a chorar, pega-me simplesmente e conforta-me.”


- “Sorri para mim, ri-te, canta, embala-me, dança comigo ou fala-me suavemente. É assim que o nosso amor vai crescendo”.





Bibliografia: Direcção Geral de Saúde, Kid’s Health for parents, Public Health Agency of Canada.


Como comunicar com o meu bebé?


A comunicação de 1- 3 meses





























Promoção da Saúde Mental na Gravidez e 1ª Infância

C

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entro de Saúde de Águeda

C


omo comunicar com o meu filho até aos 3 meses ?



Estes 1ºs meses são um tempo de grande excitação para os pais. Nesta altura, o bebé já reconhece a mãe e o pai, já ri e chora espontaneamente. A sua personalidade já começa a evidenciar-se, estando cada vez mais atento a tudo o que se passa à sua volta, tornando-se assim um membro activo da família.



Como é que o meu bebé comunica?


O choro, durante largos meses, vai continuar a ser o seu meio privilegiado de comunicação. Através dele, vai dar-lhe a entender se precisa de alguma coisa; poderá também chorar quando está a ser “bombardeado” por demasiados estímulos visuais e auditivos, o que o pode deixar confundido em relação ao mundo que o rodeia. Por vezes, também pode chorar sem nenhuma razão aparente. Tente não ficar muito ansiosa(o), se for este o caso, e não conseguir acalmá-lo.

O seu bebé, ao reconhecer o som da sua voz, poderá ficar

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mais calmo, sorrir, ou ficar excitado mexendo vivamente


As interacções que estabelecer, desde cedo, com o seu bebé vão permitir que ele cresça com um sentimento de segurança, confiança na relação com os outros e com curiosidade e desejo de explorar o mundo que o rodeia.





Devo ficar preocupada(o)?


Deverá falar com o seu médico se lhe parecer que o seu bebé chora durante demasiado tempo ou se o seu choro lhe parece esquisito. Ele poderá tranquilizá-la ou então encontrar alguma razão para que tal esteja a acontecer. A maior parte das vezes não se passa nada de errado e, ao ter a certeza que está tudo bem com o seu filho, isso pode ajudá-la a relaxar e a permanecer calma quando o bebé estiver inquieto.


A nível da comunicação, há algumas etapas que o seu bebé provavelmente irá atingir durante este período. Nesta idade, normalmente os bebés são capazes de:

- prestar atenção a caras novas e ao que está à sua volta;

- reagir a grandes barulhos;

- sorrir ao ouvir a voz dos pais;

- sorrir para outras pessoas (cerca dos 3 meses);

- galrear a partir dos 3 ou 4 meses.


Tenha sempre presente que os bebés, tal como as crianças, não se desenvolvem todos ao mesmo tempo. Normalmente não há nenhuma razão para preocupações mas é sempre bom ir falando com o seu médico, sobretudo se o seu bebé ainda não tiver atingido alguma destas etapas.


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chorar para descarregar algum excesso de energia. É comum que alguns bebés passem um período de inquietação ou “rabugice”, sempre à mesma hora da noite, geralmente a partir do meio da noite até ao amanhecer. Apesar de ser desagradável para todos, normalmente esta fase é ultrapassada em pouco tempo, geralmente a partir dos 3 meses. Há coisas que poderá tentar para acalmar o bebé. Alguns reagem bem ao movimento quando são embalados ou quando são passeados ao colo para trás e para a frente dentro do próprio quarto; outros, preferem determinados sons, tais como música calma ou o zumbido de um aspirador. Por vezes demora algum tempo até que os pais descubram o que é que conforta o seu bebé durante estes períodos especialmente stressantes.



Porque é importante estabelecer uma boa comunicação com o bebé?


Cientistas têm demons- trado que uma comunicação adequada entre pais–criança e uma relação forte e positiva da criança aos pais (vinculação), são factores determinantes para o desenvolvimento psíquico e social da criança. Sabe-se hoje que uma ligação precoce da mãe ao bebé vai influenciar o seu desenvolvimento cerebral e contribuir para modular as emoções, o pensamento, a aprendizagem e o comportamento ao longo de to da a sua vida.

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os braços e as pernas. É natural que, durante este período, comece a rir-se sistematicamente para o pai e para a mãe. Contudo, é natural que não reaja da mesma maneira com estranhos, embora possa responder positivamente ao “cu-cu”, “té-té”. Nesta idade os bebés descobrem que conseguem vocalizar, ou seja, emitir sons. Alguns, por volta dos 2 meses, começam por a repetir sons de vogais (“ah-ah” ou “oh-oh”). O seu bebé pode “falar” consigo de várias maneiras: emitindo uma variedade enorme de sons, tomando a iniciativa de se rir para si e esperar pela sua resposta ou, simplesmente, respondendo com um sorriso às suas palavras. Os braços e as pernas mexem-se rapidamente e as mãos começam a abrir-se. Se se colocar perto dele, em frente ao seu rosto e se estiver bem atento(a), poderá até constatar que o seu bebé tenta imitar as suas expressões faciais (ex: abrir a boca, mexer a língua, abrir muito os olhos, etc.).


O que é que eu devo fazer ?

O seu bebé adora ouvir a sua voz, por isso, durante estes 1ºs meses, fale com ele, cante, emite os sons que ele vai fazendo e responda entusiasticamente aos seus sorrisos. Vá dizendo ao seu bebé para onde é que ele está a olhar, o que ele ou você estão a fazer.


Nomeie objectos familiares à medida que lhes vai tocando ou que os vai trazendo para perto dele (ex.: “ É a mão” , à medida que lhe toca na mão…; “É o biberão”, sempre que lhe for dar a água ou o leite…”). Apesar de ser um bebé ainda muito pequenino, isto irá ajudar a desenvolver o seu cérebro, ainda em crescimento. Ao ouvi-la(o) falar, o bebé começa a aprender a importância da linguagem, mesmo antes de compreender ou ser capaz de repetir quaisquer palavras.


Tire partido da “linguagem” do bebé para “conversar” com ele. Se ouvir algum som que o seu bebé tenha emitido, repita exactamente aquilo que ele fez e espere que ele “responda” com outro som qualquer. Deste modo, estará a dar-lhe valiosas lições acerca do tom, ritmo e de como esperar ou tomar a sua vez ao conversar com alguém. Estará também a transmitir ao seu bebé que ele é importante, na medida em que merece a sua atenção.


Não interrompa ou desvie o olhar enquanto o seu bebé está a “conversar” – mostre-lhe que está interessado e que ele pode confiar em si.

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Os bebés nesta idade parecem responder melhor à voz feminina, a qual está historicamente associada a conforto e comida. É por isso que muitas pessoas elevam e exageram o tom de voz quando falam para os bebés. Isto está correcto mas poderá também misturar palavras e tom de voz dos adultos. Embora pareça cedo, na realidade está já a preparar o caminho e a criar condições para as futuras 1ªs palavras.


Por vezes, os bebés têm momentos em que não lhes apetece “falar” ou vocalizar – até eles precisam do seu espaço!


Se o seu bebé se virar, fechar os olhos ou ficar irritado, não continue a insistir; deixe-o estar, ou aconchegue-o apenas no seu colo. Poderá apenas precisar de fazer um “intervalo” de toda a estimulação que recebe do mundo à sua volta. Poderá acontecer que o seu bebé continue a chorar, mesmo depois de lhe ter satisfeito as suas necessidades. Não desespere! É provável que possa ter sido demasiado estimulado, que esteja com cólicas intestinais, ou simplesmente precise de

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quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Desigualde persiste nas juntas médicas

Desigualde persiste nas juntas médicas leonel de castro Decisões passarão integralmente para as mãos dos médicos Helena Norte Um trabalhador residente no estrangeiro que solicite junta médica com vista à aposentação não terá de pagar as despesas com o médico oficioso que o representará caso prove insuficiência económica. Essa possibilidade não está, porém, contemplada para quem resida em Portugal, mesmo que manifestamente não tenha recursos para pagar o clínico que o acompanhará na junta. Esta é apenas uma das discriminações contidas no projecto de lei que altera a composição das juntas médicas, na opinião da Federação Nacional dos Sindicatos da Função Pública. A alteração legislativa visa a uniformização de procedimentos das juntas médicas da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e da Direcção-Geral de Protecção Social dos Funcionários e Agentes da Administração Pública (ADSE) e das comissões de verificação de incapacidades no âmbito da Segurança Social. Surge na sequência da divulgação de casos de trabalhadores, portadores de doenças terminais, que foram obrigados a manter-se em serviço pelas juntas médicas. A constituição exclusiva das juntas por médicos e a possibilidade de o doente indicar um médico para a junta de recurso são as principais mudanças introduzidas. Embora o objectivo seja a uniformização de procedimentos, o projecto de decreto-lei - que está, neste momento, em discussão pelas estruturas sindicais - contempla diferenças de tratamento que põem em causa a igualdade de acesso às juntas de recurso, na opinião de Manuel Ramos, dirigente da Federação de Sindicatos da Função Pública e da Frente Comum. O caso dos requerentes que morem no estrangeiro, isentos de pagamento do médico oficioso, só se aplica às juntas de recurso da Segurança Social. No caso das juntas da CGA, essa possibilidade não está contemplada. Tal como não está prevista para os trabalhadores que morem em Portugal e que são a esmagadora maioria. "Por que é que um carente económico que more no estrangeiro é tratado de forma diferente de um carente económico que resida em Portugal?", questiona o dirigente sindical que elaborou o contributo da Federação da Função Pública para a posição conjunta que a Frente Comum vai entregar ao Governo Outro factor que condicionará o acesso às juntas de recurso é a obrigatoriedade de pagamento dos custos do processo pelo trabalhadores, caso o pedido de reforma seja recusado. Além disso, compete ao trabalhador pagar ao médico que o representará, independentemente de ser por si escolhido ou designado pela respectiva administração regional de saúde. Outra desigualdade é as juntas de revisão só realizarem, na CGA, com a autorização por parte do Conselho Directivo da CGA, enquanto na Segurança Social tal não é preciso.

EXTRATOS DO LIVRO «Gritos contra a indiferença de Fernando Nobre»

Antes de abordar as questões bioéticas concretas com que se confrontam as organizações humanitárias, importa reafirmar, quanto a mim, que: a) compete ao médico, antes de tudo, proteger os que são mais vulneráveis; b) é essencial o respeito pelo direito humanitário internacional e pelos Direitos do Homem c) o direito à saúde é uma exigência fundamental se se quiser atingir o desenvolvimento. Assim, podemos afirmar que a bioética está certamente relacionada com a luta contra a pobreza e a vulnerabilidade, assim como ligada ao valor da vida. Hoje, as grandes questões bioéticas para nós, «humanitários», são, indiscutivelmente: 1- A questão da acessibilidade dos medicamentos (…) 2- A questão da ausência de pesquisa no que diz respeito às doenças esquecidas ou às doenças ditas órfãs. (…) 3- A questão dos ensaios clínicos. As experiências realizadas por certas multinacionais farmacêuticas (…) 4- O intolerável que é saber que diariamente morrem cerca de 40 mil crianças de doenças perfeitamente evitáveis (…) 5- A importância de lutar pelas acessibilidades para que um quinto da população mundial que vive com menos de um dólar por dia possa ter acesso às estruturas de saúde, aos alimentos e à água. 6- A importância da questão do tráfego do sangue e dos órgãos sobre o qual nos teremos de manter particularmente atentos. 7- A questão da vontade de apropriação , por algumas multinacionais, do mapa do genoma humano, assim como a questão dos organismos geneticamente modificados (…) 8- A questão da utilização do urânio empobrecido em armas (…) Para concluir, diria que é fundamental que regressemos ao legado da medicina hipocrática, na qual o doente estava no cerne das preocupações do médico. É fundamental também que se respeitem os princípios éticos da pesquisa médica e dos ensaios clínicos para todos. Efectivamente, como está escrito nos princípios de base da Declaração de Helsínquia, o bem individual da pessoa deve prevalecer, em qualquer ensaio clínico, sobre os interesses da ciência ou da sociedade. Em suma, é fundamental, estejamos nós no hospital ou numa instituição médico-humanitária, que não nos esqueçamos de que a razão de ser do médico é o desejo de atenuar o sofrimento e de lutar pelo doente. É isso que os humanitários fazem e continuarão a fazer e é por isso que pugnarão, como têm pugnado, pela defesa dos princípios éticos e bioéticos sem os quais a medicina não eficaz. É fundamental, pois, que possamos reafirmar os princípios da dignidade humana, da liberdade, da igualdade de direitos e da solidariedade entre os indivíduos e as nações que são o pilar da comunidade internacional. Nesse sentido, nós, os médicos, temos ou deveríamos ter um lugar ímpar na luta pela dignidade do Homem. É isso que temos de fazer e mesmo, se necessário for, manifestar toda a nossa revolta e todo o nosso repúdio por comportamentos menos claros e pouco éticos quando com eles formos confrontados. Temos de os denunciar para fazer que as tragédias futuras possam ser minoradas, ou mesmo evitadas. (…)

madalena

Madalena http://escritoresbr.wordpress.com/ Descai o sol nos olivais do monte. Colhe o gado o pastor. - Das largas eiras vêm vindo as filhas de Jacob à fonte com seu rítmico andar, entre palmeiras. Um rouxinol suspira num loureiro. - É nessa hora do ocaso, meiga e terna, Em que o sol busca o mar como um boieiro que vem beber à boca da cisterna. Passam Jesus e os seus. - Sião, Ramá as nostálgicas filhas de David dizem, na sombra, baixo: «Quem será este suave e místico Rabi?» Mas o sol cai nos olivais do monte Colhe o gado o pastor. - Das largas eiras vêm vindo as filhas de Jacob à fonte com seu rítmico andar, entre palmeiras. Da Galileia ao Monte de Carmelo, as judias, da sombra no mistério, dizem, baixo: «Que príncipe tão belo parece ser este Rabi tão sério!» - Ele é mais louro do que um Sol levante, mais meigo e casto que a mansa ave! Ele é mais belo que um rei distante! - «Quem será pois este Rabi suave?» Mas o sol cai nos olivais do monte Colhe o gado o pastor. - Das largas eiras vêm vindo as filhas de Jacob à fonte com seu rítmico andar, entre palmeiras. Madalena em Betânia, desatando seu cabelo, qual fúlgido lençol, limpa os pés do Rabi, humilde, olhando seus olhos cheios de domínio e Sol. Lança-lhe aos pés um bálsamo correndo, que Judas diz: do desperdício o cúmulo. - Mas o Rabi suave vai dizendo: - «Triste mulher! Ungiu-me para o túmulo!» Mas o sol cai nos olivais do monte Colhe o gado o pastor. - Das largas eiras~ vêm vindo as filhas de Jacob à fonte com seu rítmico andar, entre palmeiras. O lavrador, na tarde sossegada, dos mistérios sismando sobre a origem, vai andando e dizendo, sob a enxada: - «Quem será o Rabi pálido e virgem?» O pescador trigueiro das baías, deitando a rede diz olhando o rio: - «Quando virá o lúcido Messias? - Quem é este Rabi louro e sombrio?» O discípulo e apóstolo, cavado dos jejuns, a sismar sobre a doutrina, vai andando e dizendo: - «o Céu calado pode criar a encarnação divina?…» Pode o verbo ser carne? O Todo e o tudo tornar-se a Parte? um ramo de David! Ó Céu largo, ó Céu triste, belo e mudo! Quem é pois, quem é pois, nosso Rabi?» - Mas Madalena, num amargo choro, limpa os pés do Rabi, cheia d’amor, com seus longos cabelos feitos de ouro, e, baixinho, soluça: - «É meu senhor!» O Sol morreu nos olivais do Monte. Rompe o virgem luar. - Às largas eiras vão-se indo as filhas de Jacob, da fonte, com seu rítmico andar entre as palmeiras.

domingo, 15 de julho de 2007

José Craveirinha

José Craveirinha

InApto

InApto: "Os tiques ditatoriais do cidadão Sócrates e do séquito que o rodeia tentam através da intimidação silenciar a revolta latente na sociedade portuguesa "

Bar Velho Online

Bar Velho Online: "Sábado, Julho 14, 2007 Incrível 'Uma professora do 1.º ciclo, em Ovar, vai ter de regressar ao trabalho apesar de lhe ter sido diagnosticado três cancros. A junta médica deu a docente como inapta para o trabalho, mas alguém na Caixa Geral de Aposentações (CGA) riscou o ‘sim’ conferido à incapacidade de exercer as funções e substituiu-o por um 'não', acrescentando que “altero a decisão da junta, claramente houve um engano no auto”. Maria Conceição Marques, vítima de um cancro na mama, um no útero e outro na língua, terá assim de voltar a apresentar-se na Escola Básica do 1.º Ciclo da Regadoura, em Válega, em Setembro, só podendo voltar a apresentar um atestado médico um mês depois, segundo a edição deste sábado do ‘Jornal de Notícias’, que dá conta deste caso.' Fonte: Correio da Manhã Já disse o que tinha a dizer sobre estas situações vergonhosas e nada mais tenho a dizer, a não ser publicá-las para que muitos tenham conhecimento delas."

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Gmail - [MGFamiliar] Decreto-Lei, aprovado na generalidade para consultas, vem alterar a composição das juntas médicas

Gmail - [MGFamiliar] Decreto-Lei, aprovado na generalidade para consultas, vem alterar a composição das juntas médicas

Jornal de Notícias - Professora com cancro regressa à escola após recusa de reforma

Jornal de Notícias - Professora com cancro regressa à escola após recusa de reforma É mais um caso de uma professora que sofre de cancro e que a Caixa Geral de Aposentações (CGD) quer ver de volta à escola. O carcinoma tomou-lhe a nasofaringe e os tratamentos de quimioterapia e radioterapia a que foi submetida deixaram-lhe sequelas graves - confirmadas por especialistas em oncologia -, que a impedem de leccionar. Já fez dois pedidos de aposentação e ambos foram recusados. Na última junta médica a que foi sujeita, sugeriram-lhe - de forma quase insultuosa - que lavasse os ouvidos, arranjasse os dentes e fosse trabalhar. Certo, para já, é que em Fevereiro a professora deverá, obrigatoriamente, regressar à sala de aula.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Ordem mexe nas juntas médicas - por José Mota

Pedro Nunes, bastonário, diz que tudo mudará em três meses David Dinis À Ordem dos Médicos vai alterar a formação dos profissionais que integram as juntas médicas, de forma a evitar a profusão de casos de doentes que foram obrigados a voltar ao trabalho em condições de saúde nada recomendáveis. Nas últimas semanas, foram mesmo noticiados dois casos extremos, de professores enviados de volta às escolas a que estavam ligados, tendo acabado por falecer (ver texto ao lado). O bastonário da Ordem dos Médicos diz ao JN ter tomado conhecimento "de algumas queixas" já há "mais de um ano", tendo nomeado um "grupo de trabalho interno" para avaliar as mudanças necessárias. Ao caso, Pedro Nunes aponta desde já duas mudanças "Uma formação específica para os peritos, com competências em medicina da segurança social e dos seguros"; e também a "criação de critérios muito rigorosos" para as reintegrações". O bastonário garante que as medidas avançam não devido aos casos conhecidos ("não está em causa um caso específico, até porque há sempre direitos de recurso"), mas porque chegaram vários casos à Ordem que levaram a uma reavaliação. "Os trabalhos do grupo estão muito avançados", garante. Assim sendo, Pedro Nunes promete que as mudanças acontecerão "dentro de dois, três meses". Para progredir nesse sentido, a Ordem tem já marcada uma reunião com deputados do Partido Socialista, precisamente para discutir o que tem que mudar de modo a que os erros de avaliação das juntas não se repitam. Ontem mesmo, coube a Maria de Belém defender que não será necessário alterar a legislação para obter resultados "A questão não será propriamente da lei, mas de uma formação específica nas pessoas que integram as juntas", disse a deputada. Na mesma linha, até o ministério da Educação veio a público afastar as críticas que recebeu nos últimos dias. "É falso que as escolas tenham tratado estes professores de forma desumana; pelo contrário, elas procuraram mitigar os efeitos negativos resultantes das decisões das juntas médicas que recusaram as aposentações", dizia um comunicado do ministério, divulgado ao final da tarde de ontem. A morte que abala Braga À medida que o caso do professor da Escola Secundária Alberto Sampaio (ESAS)- a quem foi negada a aposentação, apesar da fase avançada do cancro na laringe- vai revelando pormenores e testemunhos, a indignação vai agitando a cidade de Braga. A vigília de segunda-feira já não se destina só à comunidade educativa do estabelecimento, mas a todos os docentes que queiram participar numa homenagem junto à escola. A história de Artur Silva levou, ontem, o CDS-PP a pedir esclarecimentos ao Governo, falando em "desumanidade atroz". A viúva de Artur Silva disse ao JN que a "injustiça" tornou mesmo mais dramáticos os últimos meses do marido, de 60 anos, metade dos quais ao serviço do ensino. "Só eu e ele é que sabemos a tristeza...", recorda Alexandrina Silva, que levará uma flor e uma vela à vigília marcada para as 19h00. Quando o segundo indeferimento chegou, assinado pelo director da Caixa Geral de Aposentações (CGA), em Dezembro de 2006, já Artur "estava nas últimas", depois de vários internamentos. Morreu um mês depois. Três meses antes, tinha escrito uma carta "dramática" àquela estrutura, pedindo a revisão do seu caso, já que a Junta Médica havia decidido negar-lhe a reforma sem nunca ter exigido a sua presença. O presidente da Assembleia de Escola, João Lucas, insiste na incapacidade do professor, desde que a cirurgia à laringe lhe tirou a voz e o obrigou ao uso de um aparelho. "Como é que um professor de Filosofia podia dar aulas, sem o seu principal instrumento pedagógico?", questiona. Mesmo com as inúmeras Juntas Médicas afectas à DREN que, antes, lhe possibilitaram tirar os 36 meses máximos de baixa, a CGA entendeu "não haver justificação" para rever a decisão. O Executivo da ESES, com apoio da DREN, permitiu-lhe estar sem funções lectivas desde a primeira recusa, em Maio de 2006, até Setembro do mesmo ano. "Depois disso já podia requerer outra vez um atestado, mas não chegou a ser preciso, pois, desde então, o estado de saúde agravou-se até à sua morte", contou a presidente, Manuela Gomes. Denisa Sousa

Juntas médicas tecnicamente obsoletas e desumanas por Joao Araujo

2007-06-22 10:15 Quem conhece a realidade vivida por um doente terminal que, por ridiculas razões legais, é sujeito a juntas médicas como forma de poder valer os seus mais elementares direitos de saúde e protecção no trabalho, tendo como entidade patronal a administração pública, não pode acreditar numa única palavra da história que o governo agora veio contar, para salvar a face da Caixa Geral de Aposentações. Quem, por si ou por familiares seus, conhece as práticas das juntas médicas (nomeadamente as realizadas no Hospital Julio de Matos, em Lisboa), bem sabe daquilo de que fala a filha desta professora. Insensibilidade, arrogância, ignorância técnica atestada pelo desprezo por relatórios e outras peças da autoria de especilaistas, etc. Só a extinção destas mesquinhas e "kafkianas" juntas médicas (onde os interpretes surgem preocupados com a sua distinta missão de funcionários públicos delatores dos preguiçosos), com consequente substituição pelos próprios serviços hospitalares escolhidos pelo paciente/trabalhador, desde que especilaizados na patologia, poderá assegurar a quem sofre um tratamento digno e próximo, ainda que tudo isto servia apenas para efeitos burocráticos e administrativos.

sábado, 16 de junho de 2007

La Maleta: Seminário Internacional "Conversas em (Grande) Roda - Desafios da Interioridade e das Periferias"

La Maleta: Seminário Internacional "Conversas em (Grande) Roda - Desafios da Interioridade e das Periferias": "Quinta-feira, Abril 05, 2007 Seminário Internacional 'Conversas em (Grande) Roda - Desafios da Interioridade e das Periferias' De forma a completar o artigo sobre o Seminário Internacional a realizar nos dias 12, 13 e 14 de Julho, em Nisa, disponibilizamos a ficha de inscrição e respectivo programa do encontro. posted by Rogerio Duarte Silva at 3:20 PM "

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Baixas "Fraudulentas" : quem perde e quem ganha

COM O CORTE SISTEMÀTICO DE BAIXAS aos doentes, (processo camuflado sob a designação de baixas fraudulentas) a segurança social poupou 2 milhões de EUROS, subtraídos ao subsídios que deveria pagar aos doentes. E quais foram os custos? Ninguém estudou o assunto. Ninguém estudou, por exemplo, o impacto negativo que a presença de trabalhadores doentes pode ter na produtividade das empresas. È uma questão abordada hoje , Quinta, 14 Junho 2007, no jornal de negócios on-line: «Um estudo da consultora económica Econtech sobre a realidade australiana concluiu que o custo global do presentismo para a economia daquele país em 2005/06 foi de 25,7 mil milhões de dólares, ao passo que o do absentismo foi de sete mil milhões de dólares. Ou seja, o custo económico associado ao presentismo é quase quatro vezes superior ao do absentismo. Estes resultados são consistentes com os estudos existentes para o universo dos EUA, onde o custo estimado do presentismo é três vezes mais elevado do que o do absentismo. As despesas calculadas para o presentismo tiveram em conta os custos directos e indirectos do presentismo para as empresas e economia da Austrália. Assim, 68% do custo total do presentismo é tido como custo directo das perdas de produtividade no local de trabalho e 32% é o custo indirecto em que se incorre à medida que as quebras de produtividade se reflectem na economia. Segundo os autores do estudo, "negligenciar o custo indirecto pode subestimar grandemente o custo total do presentismo". »http://www.negocios.pt/default.asp?Session=&SqlPage=Content_Empresas&CpContentId=297550 Em 10/06/07, ze tovar escreveu: A quem aproveita o crime? SIC http://sic.sapo.pt/online/noticias/vida/20070522+Baixas+fraudulentas.htm Publicação: 22-05-2007 08:56 Última actualização: 22-05-2007 08:56 Baixas fraudulentas Estado combate tentativas investigando 500 pessoas por dia A Segurança Social está a investigar 500 pessoas por dia. De acordo com o "Diário Económico", o Ministério do Trabalho e Solidariedade Social quer reduzir o número de baixas fraudulentas. Em Abril, cerca de 31 por cento das baixas investigadas não estavam legais. SIC Um terço destes beneficiários investigados acabou por perder o subsídio porque estava apto para trabalhar. Os dados da Segurança Social mostram ainda que das mais de 60 pessoas chamadas às juntas médicas, 31% estavam a receber indevidamente subsídio por doença. Com estas operações, a Segurança Social poupou dois milhões de euros.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Sancho de Tovar

um poema do nosso Sancho de Tovar
noCancioneiro Geral de Garcia de Resende
(publicado em 1516).
Deve tê-lo escrito enquanto esteve na corte,
entre a chegada a Lisboa porvolta de 1480
e a partida para o brasil em 1499.
Aqui está um link para a edição original no Arquivo Nacional:http://purl.pt/12096/4/P303.html
E esta, hem...?Mi
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sexta-feira, 25 de maio de 2007

baixas fraudalentas

Sobre o artigo do Diário Económico de 22/5/2007, pgs 11/12 intitulado "Cortadas 15 000 baixas fraudulentas" ( http://pt.cision.com/online/oo/OOtiffpdf/2007522238298504262.pdf ): " Dizem que a estatística é como os biquínis, esconde o essencial. Mas às vezes não é bem assim. Vejam esta questão que surge no artigo do DE acerca das «baixas u»: «quase 107 mil baixas por doença, sendo a maioria (64 690) atribuída a mulheres. Segundo dados da Segurança Social, a maior parte dos beneficiários de subsídeos de doença (cerca de 14.700) tinha em Abril idades compreendidas entre 50 e 54 anos.» Como é que vocês explicam isto? ao chegar aos 50 as mulheres (e os homens) tornam-se mandriões e fraudulentos? Pois eu conto-vos como é que acontece. Trabalho em Águeda, uma zona caracterizada pela pululação de pequenas empresas, onde ainda há bem poucos anos o desemprego era mitológico. Naturalmente, a oferta de emprego fácil atraía miúdos para quem a escola era uma chatice e uma frustração, facilmente trocável por um ordenado e estatuto de adulto. Operários não diferenciados ganhando o dia a dia em troca da força física, nas fábricas de tijolo ou, geralmente em melhores condições mas ainda à base de força física, na metalurgia. Aos 40 anos, mais marcadamente nas mulheres, começam as algias daqui e dali, os «não aguentar o ritmo» uma ou outra baixa curta com forte penalização económica, mais uns comprimidos e umas injecções e vai-se aguentando. Aos 50 estão arrumadas, impossível aguentar o ritmo numa cadeia de produção que não permite atrasos. São um estorvo, como os encarregados não se escusam de explicitar em piropos: «pensas que estamos aqui a alimentar mandriões?» «achas que estás numa instituição de caridade»? » «se não podes trabalhar vai para casa!» . Vêem ter connosco, lavadas em lágrimas, destruídas por dentro e por fora, ficam de baixa. São chamadas a uma junta médica, são de novo insultadas e maltratadas (e nós também, embora não estejamos lá para ouvir) e cortam-lhes a baixa. Onde está a fraude? Bem sei que a despropósito, mas não me saem da cabeça aqueles versos do «D. Jaime»: «Mentis, Senhor D Alcaide, mentis, senhor D. Vilão! El-Rei de Castela é nobre, não manda insultar um velho. Pode mandá-lo ser pobre. Matá-lo à mingua de pão. Mas mandar que um pai entregue o seu próprio filho, isso não!» Bolas! Fraudulenta? eu? Maria José Tovar (médica de família)

terça-feira, 1 de maio de 2007

Maria , acerca da fotografia: Tirei a fotografia para a pedido dos meus tios que foram para o Brasil. Estes sapatinhos fazem-me lembrar – a minha mãe foi pedir os sapatos à cozinheira do Conde (que tinha uma filha da mesma idade) para tirar a fotografia - mas não me deixou levá-los calçados até ao fotógrafo, para não os estragar – e depois onde é que tinha dinheiro para pagar uns sapatos? Escola? andei a guardar a gado -para a mãe da Sr.ª Isilda - andava a guardar a vaca taurina que se chamava marradas... 2007-04-23
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